sexta-feira, dezembro 26, 2008

...

Ah, pra que chorar
A vida é bela e cruel, despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba.
(Ritual - cazuza)

sexta-feira, dezembro 19, 2008

encontrar-me\perder-me

Todo mundo se encontra e se perde. Todos os dias.
É um ciclo natural e até mesmo sutil para algumas pessoas. Porque comigo não é assim? Às vezes, essas perdas e encontros me machucam muito, às vezes não ter lá muita certeza me machuca ainda mais. Sei, prometi para mim não mais perseguir certezas, mas é mais forte que eu. Quando percebo já é tarde demais, estou eu lá chorando pelas tais certezas... E eu nem acredito que a vida e feita de certezas. Pra mim é pura dúvida, sempre foi, então onde eu peguei essa compulsão por certezas??? Estou precisando cagar para as certezas agora entende???
Preciso me libertar dessa maluquice toda. dessa necessidade. do desconforto.
Queria mesmo...
...era perder essa minha parte insaciável de respostas e certezas.
...encontrar a menina cheia de medos e intensidades que eu era.
...era me encontrar e me perder sem espaços entre um estado e o outro.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Onde ir???

"Eu não sei o que vi aqui
Eu não sei prá onde ir
Eu não sei por que moro ali
Eu não sei por que estou
Eu não sei prá onde a gente vai
Andando pelo mundo
Eu não sei prá onde o mundo vai
Nesse breu vou sem rumo
Só sei que o mundo vai de lá prá cá
Andando por ali, por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem.
Cada um sabe dos gostos que tem
Suas escolhas suas flores, seus jardins
De que adianta a espera de alguem
O mundo todo reside dentro em mim
Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura de ser feliz"
(Vanessa da Mata)

quinta-feira, novembro 27, 2008

Adapitando-me

Vontando a ser,
sendo na verdade uma outra.
Mudando
Construindo
Sendo o ser em construção que prometi ser.

terça-feira, novembro 18, 2008

Serenidade

No sábado tentei explicar-lhe o que é essa serenidade que sinto talvez você não tenha entendido nada. Eu também demorei muito pra entender, e nem acho que consigo entender tudo tudinho então não se preocupe. É bom assim não desvendar o sentimento todo, reconhecê-lo, descobri-lo, acolhê-lo todos os dias. Eu nunca me reconheci em nada com muita certeza, acho que sou, mais no fundo sei, sou só dúvida. Posso não ver com clareza muitas coisas e admito sem receios de me entregar demais a você, mas o que reconheço me importa. O que reconheço existe. O que reconheço é em parte o que eu sou.
Assim vou me encontrando dentro de sentimentos, planos e pessoas. Estou em tudo mesmo que quase sempre eu esteja completamente no fundo de mim.

quinta-feira, novembro 13, 2008

passo a passo


E veio a tempestade.
Achei que não resistiria, achei que meu lar ainda não estava preparado, e graças ainda bem me enganei. Às vezes um não pode anular todos os sins vividos, as vezes pode fazer deixar de acreditar para sempre ou só serve para lembrar que qualquer um pode dizer não a qualquer coisa que não estiver afim de fazer e isso é normal.
De tanto conviver a gente acha que já sabe no que vai dar, o que o outro sente e tudo, mas é só ilusão. Claro que tem momentos que a gente dança junto e que é muito bom conhecer o próximo passo que o outro vai dar, só que dependendo da música as vezes ele solta um das mãos e a gente gira gira gira gira sozinha no meio do salão. É difícil acreditar que foi assim tão rápido e sem aviso, mas foi. É. Está sendo. Nós resta manter o ritmo e esperar que a música faça com que ele nos convide a dançar outra vez. E sim, ele vai convidar. Já convidou.
Eu sei dá um puta medo dançar sozinha no salão. Principalmente se for aquele onde sempre dançaram juntos. Sei também que é difícil não acertar as perguntas sempre. Mas o bom mesmo é quando tudo não passa de um susto, de uma má interpretação aqui, um medo ali e um stress acolá, e a gente se entende como tantas outras vezes e ele pega de novo a minha mão e me leva ao meio do salão e dança comigo, rodopia junto comigo, ri junto. Bem sei que vai ter uma hora no meio da dança que a música vai pedir pra ele me soltar outra vez para girar sozinha, então estarei mais calma pois agora já sei que depois a música também pede para ele me convidar a dançar junto outra vez.

Ufa!!!Ainda bem...

sexta-feira, outubro 24, 2008

Vendo com outros olhos outras pessoas

Ainda bem, possuo muitas pessoas queridas. Muitos amigos. Isso parece estranho se considerarmos a máxima de que os amigos de verdade se contam nos dedos. Sendo assim quantos dedos cabe em cada mão mesmo?
Nós somos meio estranhos mesmo, fugimos a regra. Somos irmãos e até um pouquinho mais, confidentes e cúmplices, idiotas pra fazer o outro rir um pouco, caretas para dar carão nos malucos além da conta, mãezonas e paizões para acalentar os deserdados.
Muitos desses amigos hoje estão espalhados por aí, Venezuela, Rio de Janeiro, Campinas, Salvador... Ontem precisei do colo de um deles, um colo do mais distante. Precisei de cigarros e vinho e conversas intermináveis sobre como não pirar, como não ceder, como parar de aceitar as coisas como são, precisei de uma roda de amigos insanos rindo e bagunçando a minha dor. Mas não deu.
Minha irmã querida está tão longe, linda e feliz estudando e conhecendo pessoas, não seria justo ligar tão tarde, para falar sobre toda a dor que eu sentia, e ainda, com tarifas tão caras. Óbvio tenho grandes amigos por aqui também, mas a gente tem aquela pessoa especial entre as especiais para contar. Aquele olhar compreendia o meu mundo e era tudo que eu queria, tudo que eu queria ontem.
Achei que eu não conheceria ninguém mais legal que todos eles, ninguém mais louco, ninguém mais aberto pra receber gente dentro si como eles. E tomei um tombo ontem, reconheci amigos assim em outras pessoas que de TÃO DIFERENTES deles passaram despercebidas. E no meio da vergonha pelo pré-conceito, eu só consigo pedir desculpas hoje.
Desculpa por esperar pouco amor de corações enormes, desculpa por não acreditar que o colo e a atenção de vocês me bastava, e principalmente, desculpa por não ter percebido o quanto eu era importante para vocês mesmo sendo louca e TÃO DIFERENTE.
Há amigos em todos os lugares e de todos os jeitos e nunca são demais.

terça-feira, outubro 14, 2008


Sim é hoje! Eu tenho o prazer de informar hoje comemoramos meu amor e eu três anos de realizações, conquistas e muito carinho e respeito. Não é um aniversário de casamento, mas para nós é como se fosse. Porque nós sabemos que essa relação transcende qualquer nomeclatura.

Aproveitamos a "viagem comemoração", conhecemos pessoas e tomamos muito sol (eu tava precisando).

E hoje olhando tudo daqui tão no topo eu consigo avaliar os grandes momentos, os de alegrias, os de tristeza e os que precisamos de força e determinação pra superar, e digo sem medo de mentir pra mim que valeu a pena, que nada poderia ser de outra maneira e se fosse o fim seria o mesmo. Não há perfeição no que vivemos, e sim, duas pessoas que se comprometeram a viver juntas e dividir instantes.

E não há segredo algum em ser assim...


sexta-feira, outubro 10, 2008


Esse fim de semana eu pretendo recuperar as forças com amor. Preciso confiar que no fim tudo acaba dando certo mesmo. Porque o fardo está tão pesado, aulas pra assistir, aulas para dar, provas, fichamentos, relatórios e provas à transcrever tudo ao mesmo tempo.

Preciso descansar, estudar e comemorar esse final de semana (3 anos de união, momentos bons e alguns nem tanto, mas principalmente momentos que dividi com alguém muito especial) é mole??? Tenho que me multiplicar pra dar conta, não sei se posso, mas vou tentar dar o meu melhor em tudo e essa já é uma boa estratégia.

Depois escrevo mais sobre as comemorações...

quinta-feira, outubro 02, 2008

pensando...

Há um mundo aqui.
Há um mundo em mim, ...
E eu não consigo controlar as entradas e saídas, nem se quisesse.
São muitas entradas.

...

sexta-feira, setembro 26, 2008

Mudando...

Não tenho tido tempo para escrever tudo o que penso, ou talvez só não tenha pique. Hoje penso de outra maneira e isso é bom. Não que o jeito de antes era ruim, mas mudar a forma me faz ver coisas que não veria se continuasse como antes.

...
Sentada aqui em frente a porta com o olho esquerdo na direção da fechadura eu vi em parte o outro lado a vida inteira, então depois de anos na mesma posição a mão direita se cansou de apontar a arma na minha cabeça e enfim decidiu: 'atiro!' Fechei os olhos (não entendo porque o medo convence a gente a fechar o olho) quando achei que o tormento tinha passado e enfim começaria a descansar abri os olhos.
Finalmente eu vi o mundo de lá por inteiro.
Passarei a vida que me resta culpando-me por não ter dado um tiro na porta antes.


sexta-feira, setembro 12, 2008

Loucura é loucura não me compreenda*

“Doí em mim sentir que a luz que guia o meu dia não te guia não.”*

As vezes algumas certezas são cruéis. Algumas vezes eu sou cruel e outras dizem que pareço ser. Talvez essa impressão parta do meu jeito de ver as coisas, eu não gosto de rodeios, apesar de sempre estar metida em um.
Eu sempre tento simplificar as coisas, porque já sofri sabendo o caminho a seguir por não querer acreditar na verdade, por não abrir os olhos. Porque quando você faz papel de boba, TODO MUNDO acredite, todos percebem bem antes de você, fica na vista e é só apertar mais um pouco os olhos que a imagem fica nítida. Por causa disso prefiro um não, um sim, um vai pra lá, não dá mais, do que olhares e insinuações.

...

Sei bem não sou fácil. Tenho esse meu jeito maluco de reclamar do nada de coisas que parecia aceitar, não precisa jogar isso na minha cara. Mas esse meu jeito não justifica que as minhas reclamações não façam sentido. Avalio tudo o tempo todo, e isso pra mim é saudável. Oxigenando as coisas, eu acabo vendo além dos ganhos e perdas, vejo o que me motivou a fazer e a estar onde estou, é tão bom ter a certeza de estar no lugar certo.
Eu tenho medo de não me perder por aí entre um corredor e outro da vida por ficar sentada na porta da felicidade guardando lugar. E é tão cruel admitir isso quanto esconder, entende? Sou a dúvida constante é amo ser.




quinta-feira, julho 31, 2008

Help.

Pra falar verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer as vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
Tanto faz não satisfaz o que preciso
Além do mais, quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou;
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinho nesse mundo.
Cuida de mim enquanto não esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto finjo, enquanto fujo.
Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas, crio asas, viro querubim
Sou da cor, do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atrás, se voltar atrás assim como eu.
Busquei quem sou
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinho nesse mundo.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo, enquanto finjo.

(Cuida de mim - teatro mágico)

segunda-feira, julho 28, 2008

Campinas, tão longe...

Qual a distância mesmo? 2.182 Km. Tão pouco, às vezes sinto que você está num outro planeta onde eu não posso chegar. Será que estamos em prisões diferentes?!? É, Talvez seja muito forte chamar de prisão, sendo assim, porque você não vêm e fica um pouco mais? Nós já tivemos tanto em comum e fomos tão próximos, espero que ainda exista um pouco disso.
Temos um problema, e fica difícil resolver sozinha sem você participar, precisamos estreitar os laços. Acredito que ficou claro neste último encontro. Acho que você sente o mesmo não é? Só os emails já fizeram um bem imenso, acabou oxigenando o nós. Será que ainda podemos chamar de nós? Mesmo que sejamos um nós que insiste com 2.182 Km no meio?
Necessito que essa amizade exista. Que cachos sejam feitos. Em mim. Em você. Nunca esqueça o que fomos e o que sobrou. Essa relação precisa do passado para permanecer. Você falou ontem sobre doses homeopáticas, sei bem, às vezes a distância parece um abismo mesmo. Agora sendo minimalistas, ao menos existimos e ainda podemos nos ver, mesmo que, em doses homeopáticas.
E mesmo que tudo seja contra, apesar da distância, do tempo, da ausência, eu ainda me reconheço em você e isso me faz acreditar que ainda não estamos tão distantes assim.
P.S. Depois do reencontro com um amigo-amado que agora vive muito longe daqui.

Querendo

Talvez eu sente entre uma prateleira e outra, coloque todos os livros no chão e tente colocá-los dentro de mim numa atitude quase sexual. E espero que isso me baste. É o que eu preciso. Estou precisando de Caio-Clarice-Lígia-Pagú todos de uma vez. Eu preciso daquele gosto que não ficou em mim e que eu conheço bem, preciso conhecer outra interpretação. Ou piro. Eu não posso mais querer-sentir-ter-desistir-saber-desconhecer-amar-desamar tudo ao mesmo tempo como venho fazendo. Chega de coisas e pessoas intocáveis. E não há mais o inatingível, não aqui dentro. Espero.

sexta-feira, julho 25, 2008

Totalmente impossível


"Eu me lembro de você ter falado alguma coisa sobre mim
e logo hoje tudo isso vem a toa
e me parece cair como uma luva
agora no dia em que eu choro
eu tô chovendo muito mais do que lá fora
lá fora é só água caindo
enquando aqui dentro, cai a chuva
Enquando ao que você me disse
eu me lembro sorrindo vendo você tão séria
tantar me enquadrar se sou isso ou se eu sou aquilo
e acabará indignada me achando totalmente impossível
e talvez seja apenas isso...
chovendo por dentro, impossível por fora
Eu me lembro de você descontrolada tentando se
explicar
como é que a gente pode ser tanta coisa indefinivel,
tanta coisa diferente
sem saber que a beleza de tudo é a certeza de nada
e que o talvez torne a vida um pouco mais atraente
E talvez a chuva, o cinza, o medo, a vida
sejam como eu
ou talvez porque você esteja
de repente assistindo muita televisão
e como um Deus que não se ve-se nunca
como um deus que não se ve-se nunca
seu olhar não cosengue perceber
como uma chuva, uma tristeza pode ser uma beleza
e o frio uma delicada forma de calor".
(uma delicada forma de calor - Zeca Baleiro)

quinta-feira, julho 24, 2008

Dever cumprido


É bom possuir a certeza de que se deu por completo, mesmo que não tenha vencido a batalha, mesmo que nem tenha existido batalha de verdade, ainda sim, é muito bom saber que fez a coisa certa. Pena que eu esqueça disso as vezes, nem tudo são batalhas perdidas ou ganhas. Voltar a casa de antes fez bem pra alma, é tão bom se reconhecer em coisas e pessoas, e finalmente depois de tudo ter certeza que algo mudou, foi culpa sua eou é mérito seu.

Uma morada pode ser só uma morada, se você quiser, como também pode ser um lugar iluminado onde você aprende e cresce todo o tempo, onde todo dia você recebe mais do que dá.

domingo, julho 20, 2008

Para o dono do olhar mais lindo do mundo...

À meia-luz, no escuro, enquanto anoitece ou quando a gente tem que finalmente acender a luz o seu olhar é lindo.
Quando você arregala os olhos, essas duas jaboticabas lindas e enormes iluminam a minha alegria.
Quando vai escurecendo e teu olho diminui e a pupila aumenta.
Quando eu acendo a luz sem contar até três e o teu olho de susto reclama, ainda sim ele continua lindo.
Quando você sorri pra mim com todas as suas forças, eu adoro quando o seu rosto enruga e o seu olho ri junto, e eu sei que você sabe o quanto sou apaixonada pelo seu sorriso de olho.
Enquanto você dorme e eu fico olhando os teus cílios enormes e me perguntando onde eu posso guardar tanto amor e como explicar isso pra você da melhor maneira, e você acorda reclamando que não dá pra se concentrar em dormir sendo observado, e me pede pra dormir junto.
Quando eu encosto na porta do quarto e fico olhando com cara de boba pra você, e você não consegue conter o riso de tão envergonhado.
E eu sempre me pego pensando como será linda a nossa menina, ou menino, (que ainda é sonho) se ela(e) tiver os seus olhos e o mesmo dom de falar através deles que você tem.
Mas não é só esse seu olhar que me faz te amar tanto, é o que temos, é o que já foi vivido e todos os planos, a sintonia, o encaixe, o respeito, a admiração, o senso de humor, principalmente as longas conversas e risadas e o tudo mais.
Por todas as nossas conversas em que um completa a frase do outro, por todas as partidas inacabadas de xadrez, pela minha dificuldade de aceitar você ganhando todos os jogos e também pela sua incapacidade pra perder, por todas as brigas que começam por problemas de má interpretação e que sempre acaba no 'nós dois estamos certos'.
Por tanta coisa...
Que eu acho que é por isso que eu às vezes te aperto e mordo pra ter certeza que você é verdade. E eu agradeço muito a toda a força do mundo ou Deus como você preferir, a oportunidade de dividir a minha vida com você, e por poder viver tudo que essa convivência acarreta.

Obrigada pelo prazer do olhar de sempre.

Confundindo tudo...




O que importa numa relação? O que é saudável pra se viver?!?! Tive que me questionar isso hoje, dever de casa que minha mãe me obrigou a fazer, e fico pensando será que as minhas relações são assim tão insanas?!?! Deus do céu, sei bem que me comporto diferente de muita gente, e sei que isso é humanamente normal, mas será que eu ofendo sendo assim?


quinta-feira, junho 26, 2008

Meu pequenininho

video

O meu irmão é bem diferente de mim. Temos pais diferentes, somos de cores diferentes, nascemos em gerações diferentes, eu tenho idade de ser sua mãe e as vezes até ele me chama assim. O meu irmão também é diferente das outras crianças, e pelo menos nisso parece comigo, ele também é dislexo.

Ele é muito inteligente só que vê as coisas de uma maneira diferente, e nisso também somo cúmplices, ele as vezes entende as coisas ao pé da letra e acaba confundindo tudo e tem muita dificuldade para diferenciar as letrinhas e por isso ainda não consegue ler, mas é bom em matemática e vive contando tudo, quantas vezes eu disse que tava indo, quandos dias faltam pra ir no shopping, quantos meses faltam pro apartamento ficar pronto. E essas cunfusões dele já nos fizeram rir muito, e claro, ele ri junto ainda mais quando entende!

Quando ele tinha uns quatro anos eu prometi que levaria ele ao shopping no sábado e acabei me arrependendo de ter dito qual dia seria, todos os dias daquela semana ele me acordou perguntando hoje é sábado? e eu respondendo não, sábado é daqui a 5 dias, 4 dias, 3 dias,2 dias, e finalmente, é amanhã. Então na manhã de sábado ele me acordou eufórico com a frase:

Maninha* hoje é amanhã?!? Porque ontem você disse que amanhã era sábado e eu dormi pra chegar no amanhã e chegou, então já é hoje que é o amanhã que você disse que seria. Então é sábado né?!

E dessa vez ficou difícil pra mim entender o que ele disse, e todo vez que penso nele penso nesse dia e o quanto ele é esperto mesmo sendo bastante confuso.

Meu irmão adora televisão e assistimos desenhos juntos de madrugada, ele também não consegue dormir as vezes, nós gostamos de juntar os sofás da sala e dormir juntos, nós conversamos muito e eu tento sempre explicar as coisas pra ele e isso as vezes demora muito, mas é bastante divertido. Meu irmão as vezes me ensina e eu o ensino, porque ele vê diferente, porque eu vejo diferente também. Porque nós somos dislexos, ele no momento com mais dificuldade que eu, e somos diferentes, com o tempo ele vai acabar superando como eu superei as dificuldades maiores e então as coisas vão ficar mais fáceis.

Meu pequenininho ainda tem 6 anos e vive perguntando se já completou 7, e fez um pacto com a minha mãe de ficar pequenininho pra sempre porque diz que é chato crescer.

Maninha: é como ele me chama.

terça-feira, junho 17, 2008

Inspiração...

"Dos habituais comportamentos contemporâneos
Optar é deles o mais desumano
Escolher entre tantos a quem vou amar
Se telefono agora ou depois, ou não ligo
Se insisto ou desisto, ou nem isso
Peço demissão, fico grávida
Troco de país, mudo de vida
E que verso agora vou inventar
pra continuar sendo lida?
Que saudade me fará o calor,
caso venha a preferir o frio?
E estando a escolha feita
Nada me convence ou tranqüiliza
Estou sempre de olho
Na outra margem do rio".


(fernanda porto: Na outra margem do rio)

segunda-feira, junho 02, 2008

mudei.



Mudei a cor dos cabelos, para virar uma outra, ou até para me considerar uma outra mulher.

Estou clareando a mente e os cabelos quero ir além, quero não ter mais medo.
Vou dar tudo de mim para não ter mais medo.
Chega. Medo de errar; perder; ganhar; passar por cima; ficar atrás; ficar só; de não ser; de ser mais; de ser menos; de mentir; de omitir; de perdoar quem não merece perdão; de não ser perdoada; de enganar; de cair, e o medo de tantas outras coisas.
Não importa o que tem que ser feito, farei.
Sou outra clareando idéias.

sexta-feira, maio 30, 2008

tudo-ao-mesmo-tempo-agora




Eu aqui tentando bancar a diferente, e sendo igual a tanta gente que pensa assim como eu. Tola. Eu que queria que os amigos distantes, apesar de bem longe não sumisse por muito tempo, porque as vezes eu sinto tanta falta que até perco o ar. E queria agora estar indo pra casa da minha irmã pra comer brigadeiro e assistir gilmore, pois é, a felicidade as vezes está em prazeres simples. São tantas coisas acontecendo tudo ao mesmo tempo e a falta de gente por perto me dá um medo. Não que eu precise de telespectadores, só de amigos. Amigos que as vezes transcendem o que a palavra amigo significa. Tenho tanta coisa aqui dentro e adoraria colocar muitas delas para fora, mas não consigo. Não necessariamente falta de coragem, e até pode ser isso, só que agora fica difícil escrever ou falar sobre. Não, não há nada de ruim acontecendo, é o de sempre, estou em reforma. Distribuindo novos materiais, desembrulhando peças, escolhendo lugares, e me desfazendo de moveis velhos. Sou ser em construção. Em eterna reforma que as vezes decreta recesso e outras anda com todo gás. É isso, estou trabalhando aqui dentro e preciso ficar muito atenta para evitar acidentes e desperdício.






quinta-feira, maio 15, 2008

nunca tanto...

Quanto tempo desde da última vez, é que eu estava me procurando por aí, eu sempre fico assim com uma nova paixão, Caio F. Abreu, e eu estou me deliciando e até me policiando pra não acabar o livro tão cedo, acho que ninguém quer na verdade que o frescor do início da paixão acabe. E também a vida está uma loucura, estudando muito, trabalhando idem, são tantas responsabilidades...
Aqui dentro tudo está andando, não é uma boa descrição realmente de como estão as coisas, mas é o que eu posso dizer no momento, nunca estive tão só com os meus pensamentos, tão lá dentro, tão intensa e em pedaços como agora.
Estou me perdendo e me encontrando em outros lugares, outras eu e é incrível como elas conseguem ser tão diferentes e complexas.
Estou me explorando é isso. Me cafucando, sabe lá Deus o que eu vou achar, mas esse é o momento, tudo nunca foi tão estável e eu nunca fui essa.

domingo, março 23, 2008

Chegou ao fim. :-(



Foi tão bom não trabalhar essa semana, apesar de ter planejado coisas pra fazer no tempo livre e não ter conseguido fazer tudo. Esqueci como era bom não ter horário pra nada, ir dormir de manhã fuçando na net, acordar as 11 e só almoçar as 3 da tarde, e principalmente NÃO PEGAR ÔNIBUS, ando tão cansada dessa rotina. E poder ficar em paz comigo um pouco, conversar mais...
Balanço do feriadão: foi ótimo ficar em casa e dormir muito, já que estava difícil dormir dias atrás.
Planos pro próximo final de semana: vou à praia nem que seja sozinha, chega de mulher branquela na frente do espelho, faz até vergonha morar no litoral é ficar amarela desse jeito!!!
hehehehe

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Coisas...

Um dia meu pai me deu um cata-vento...
-Pai como funciona?
-Olha aí está rodando.
-Porquê?
-Por causa do vento.
-Ahh! Então não é cata-vento.
-Porquê?
-Porque é roda-vento oras?
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-Mãe pra onde vamos?
-Pro céu espero...
-De barco?!?
-É barato e certo.
-Vai demorar?
-Não.
-E onde fica a entrada do céu mamãe?
-Debaixo d'água lá no fundo.
-Mas o céu num fica em cima da terra?
-Sim, lá no fundo do rio é só uma das passagens.
-Ah!

quinta-feira, janeiro 24, 2008




Tim tim...
E foi assim que eles iniciaram o ano. Cada um traçando metas, prometendo cumprir coisas a si mesmo. Calados e com a cabeça a mil. Ela, primeiro vou volta a fazer ginástica, claro, ginástica vai me ajudar a recuperar o corpo, pronto primeira meta fazer ginástica até ter de volta meu corpinho de 20 anos... 2ª economizar o dinheiro da lipo para assegurar se a ginástica não der certo; 3ª parar de pensar no joão, ele já está casado com barriga de cerveja e tudo. 4ª apaixonar-me pelo Sebastião, ele sim é um marido bom e é meu, assim acabo parando de pensar no João. 5ª e último arrumar grana pra passar o reveillon de 2009 num lugar melhor. Enquanto ele, ...Meu Deus espero alcançar o nível de paciência necessário para permanecer naquele emprego, e também aquirir uma elevação espiritual das grandes para não me importar com a Maria que mesmo casada comigo não consegue esquecer o João, e senhor, que eu aprenda a mentir para conseguir convencer a Maria que ela está emagrecendo e que eu não estou falando para agradar, e por último obrigada por esse reveillon inusitado dentro do carro, por essa gordinha problemática e por eu não ser o João.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

escrito e publicado.

Texto longo, um dos únicos que escrevi.

Ela não era tão bonita nem muito amigável. Sempre pra dentro, ninguém merecia saber o que ela pensava, e ela pensava muito, guardava tudo pra ele. Desde o dia que seu avô sentou ao seu lado durante a novela e falou, minha filha vê se arruma um homem pra te aturar porque eu não agüento mais um mulher desiludida nessa casa. Agora, vô? Ela perguntou. Não. No tempo certo, e assim ele terminou o papo.

Na época ela não sabia muito bem o que significava desiludida não, mas supôs que ele falava sobre as suas tias solteironas apaixonadas por homens indispostos, que vez ou outra começavam a lamentar a solidão. Por causa do que o avô falou, ela foi perguntar a avó quando e como ela conseguiria um homem, a avó preparando o almoço quase derrubou o macarrão no chão, e ainda atônita disparou: você anda assistindo muita novela, que história é essa? Já não bastam as suas tias desesperadas, você também já quer um homem? - Ela se defendeu -, não vovó foi o vovô que mandou eu arranjar um no tempo certo, como não sei quando é esse tempo resolvi perguntar. Mas onde já se viu, só podia ser aquele velho louco pra colocar caraminholas na sua cabeça.

Minha filha sempre foi assim, tem uma hora que a mulher tem que arrumar um homem. Foi assim com a sua mãe, comigo, com a sua bisavó, está no destino da mulher precisar, procurar e ter um homem. O que eu não concordo. Você nunca vai precisar de um homem filha, nunca! Porém vai achar que precisa, e isso é um erro. O homem só serve pra machucar o coração da gente, dar trabalho, filhos e mais trabalho, às vezes só as vezes e bem no começo é que eles fazem bem. Entende? Ela disse tudo isso encarando a guria que não ousava piscar os olhos, prestando atenção em tudo que a avó dizia. Vó?! Não entendo não. Porque é que a gente não precisa e acaba achando que precisa? E porque é que o homem machuca o coração da gente e só dá trabalho e filhos e ainda assim a gente acabar querendo? Diz a menina atropelando as palavras. Não sei. E olha que eu tenho o seu avô ao meu lado a 30 anos, tem tanto tempo que nem me lembro quando eu precisei dele, entretanto, lembro sim o dia que quis seu avô _ A velha continua narrando a história nostálgica _ lembro sim claro, o seu avô era um homem alto, robusto e muito, muito magro.
É verdade ele não era tão bonito. Sim, era sim pelo menos pra mim. Pois quando ele falava eu flutuava, quando eu falava ele ouvia tão atentamente que até parecia que ele estava transcrevendo todas as palavras para um jornal. É verdade como haveria de esquecer... aquele olhar sempre atento, aquele dengo todo, tanta atenção meu Deus... Então vó quer dizer que ele te fazia bem? E onde fica o machucado no coração e o trabalho? - Pergunta a petulante menina - não sei filha, não sei. Hoje não há aquela atenção toda, muito menos o dengo. Hoje eu não preciso dizer mais nada o teu avô agora conversa com o meu olhar, e eu com o dele.

É, talvez eu reclame sem motivos, ele nunca me deu tanto trabalho assim, as vezes uma coisinha ou outra, mas eu também gosto de deixar tudo em ordem para ele. Meu velho como era bom... Então homem é bom? E esse história de precisar sem querer? Atropela a menina já sem entender nada. Minha querida você é tão jovem e eu já estou tão velha, e ainda sim, nem eu e muito menos você consegue entender como e porque o homem é bom e ruim; dá trabalho e comove o coração da gente, minha pequena como eu já disse, com a sua mãe foi assim, comigo e com sua bisavó também. Não há o que mudar, tudo indica que será assim com você também. Claro que para isso você não pode ter o gosto pra homem das suas tias.
Vai tem uma hora, e foi isso que o seu avô quis dizer com tempo certo, que você vai conhecer um homem e irá gostar muito dele, e ele será bonito pelo menos pra você ele será, e também muito atento ao que você irá dizer mesmo que você diga as piores bobagens e várias vezes até parecerá que ele transcreve tudo para um jornal como o seu avô. E você sempre vai procurar as melhores histórias para contar, os melhores causos, e criar enredos dignos de novela, e ele sempre ouvirá você. E há de chegar um dia, vocês já estarão casados e quando esse dia chegar você não irá precisar contar e dizer mais nada e ele já estará lendo o seu olhar; adiantando seus gestos; balbuciando suas possíveis palavras e isso sempre fará você lembrar o porque e o quanto você o quis.
Então tá vovó já que tem tempo certo e eu não preciso me preocupar em procurar agora só falta inventar as histórias que irei contar.