terça-feira, outubro 02, 2012
Uma nova viagem.
Eu entrei num trem, não sei porque, acho que me vi naquelas cenas de filme, numa daquelas estações bem cheias de gente, muitas pessoas se empurrando e indo de lá pra cá. Eu acho que eu estive sentada nessa estação durante muito tempo puxando papo com as pessoas que sentavam ao meu lado meu Forrest Gump, porque eu não sabia qual o horário e o destino do trem que deveria pegar, ou usava isso como desculpa. E do nada algum impulso me fez levantar olhar ao redor e chorar como se fosse uma despedida. E eu fechei ciclos, vi além de espelhos, fiz escolhas impossíveis, aceitei os empurrões e quando dei por mim estava num trem, que eu não vi para onde ia, nem que horas chegaria, mas finalmente eu estava no trem e o frio na barriga da descoberta de ir em frente e deixar uma cidade possível para trás me deu fôlego novo.
Nunca fui ligada ao destino e sim as descobertas do caminho, não saber para onde o meu trem vai não me assusta, sair da zona de conforto não me assusta, momentaneamente estar tão longe de gente tão querida não me assusta. Porque eu estou num trem que me levará a aventuras novas, a viagens novas e tantas outras descobertas. Sempre que se cresce, se ganha ou se perde é uma escolha e eu instintivamente fiz algumas nos últimos tempos.
Sei bem o quanto era confortável permanecer sentada no banco da estação acompanhando as histórias das pessoas e conversando sem tempo de pensar sobre o porque de estar ali, sei o quanto revelei-me aos outros fazendo isso e principalmente sei o quanto conheci de mim sentada naquela estação e tudo foi válido. Doeu, diversas vezes decepcionou, criou algumas cascas, porém me deu uma ótima bagagem para embarcar. Deve ser uma viagem de aventura porque eu tenho sentido isso no meu íntimo. Deve ser mais uma daquelas coisas que mudam o trajeto da vida sem que a gente se dê conta, vai exigir muito de mim, como sempre, mas vai me levar além de alguma forma. E não há essa coisa boba de se estar pronta ou não o trem tem seu próprio tempo e não sou eu que digo a hora certa de seguir, é mais energético do que se imagina é um estar disposto, disponível, é ser atraído por essa força que muda o mundo. os mundos. Não há estrategia nem rota de viagem, nem lugares que eu não posso deixar de conhecer, é tudo muito solto, vago. Não, é tudo muito preso, muito bem marcado. Mentira, é como água de rio, é livre para decidir e ousar no caminho e segura para saber que nada vai mudar o rumo necessário que se deve seguir. E no fim da viagem, do curso do rio sei lá, nem o rio, nem trem, nem eu seria mais a mesma. Que bom.
domingo, fevereiro 26, 2012
Das coisas que eu não entendo.
Vendo tv, acabei numa entrevista de João Carlos Martins, pianista e hoje regente, que desde sempre só olhar pra ele em qualquer lugar enche meus olhos de lágrimas, gera um choro engasgado uma dor na espinha, porque só quem já viveu pelo menos um dia na vida com a mão atrofiada consegue ter a dimensão do que é aquilo, principalmente para um pianista por exemplo. Sei que não sou como escritora nem de muito longe o pianista que ele foi, porém, talvez eu já tenha chorado as mesmas lágrimas. Lágrimas de quem conversa com as mãos e tem que reaprender a falar com o resto do corpo, a dor de não poder mais ser a única coisa que você tinha certeza que era, não mais poder fazer o que te move, e o pior de tudo porque visívelmente e existem provas médicas que você não pode mais. Não há um não querer, é um não poder.
É quando a vida te nega uma esmola, você precisa daquilo pra viver, pelo menos é assim pra você - é o seu alimento, a sua essência vital - mas a vida diz olhando nos teus olhos sem piedade, perdoe. Vivi algumas vezes esse momento, um cara de branco olhando nos meus olhos dizendo você tem que parar, não era definitivo (ainda), porém não deixava de ser cruel por não ser.
E sobre não poder escrever, levantar um copo para beber água, tomar banho e trocar de roupa eu já pensei horas a fio, já chorei um mar de lágrimas e já consegui contaminar algumas coisas aqui dentro com um pesar, talvez, irreparável. Você não sai de uma lesão, de um imobilização, você não engole um não como esse fácil. Você tem que enlutar, pensar e sofrer horrores questionar a vida e acabar pensando na morte, como coisa boa, como coisa ruim. Ruminar a sentença do não poder, eu transcritora braille há tanto tempo, que conheço tantas pessoas sentenciadas, que nunca poderam ver nada na vida, ou nunca mais poderam ver nada para o resto da vida. Eu, que poderia ser tão mais calejada, mais forte, choro o meu não poder e as minhas dores como se não tivesse experiência nenhuma, porque realmente não tenho. Depois de muito pensar entendi que existe a minha dor, e principalmente a minha perspectiva da dor, e quem me enxerga possui uma visão diferente sobre a minha dor. E essa dor de perder algo individual não pode ser encarrada como uma vivência coletiva. Os meus amigos, meu marido e o resto da família tem visões diferentes da minha dor e a minha dor causa neles dores que eu desconheço. Mas aquele tal João Carlos Martins ainda me comove, e eu tenho que entender porque me comove tanto assim.
Amo arte e pessoas, amo a humanidade que existe nas duas. Uma das minhas certezas na vida. Amo as palavras e suas eternizações profundamente, amo as palavras que dançam na minha cabeça 24 horas por dia. Eu sou palavra, me apresento as pessoas através delas, me exponho através delas, me componho através delas e sinceramente, não vivo sem elas. E gosto do poder de ser regente das minhas palavras, de possuí-las nas pontas dos meus dedos, as palavras estão aqui nas minhas mãos, o problema são as minhas mãos, que não são de boa qualidade eu diria, tentando amenizar o tom do papo, são as dores cotidianas que as palavras me causam e o que escrever já interfiriu na minha vida para ruim. Mesmo que o que escrever me deu de bom na vida sobresaia eu não posso deixar de perceber o óbvio que me é demostrado todos os dias, quase em doses homeopáticas (as vezes não) que as palavras vão ter que encontrar um novo jeito de sair de dentro de mim, porque por algum motivo caprichoso as mãos um dia não mais poderão regê-las, assim como um dia João Carlos Martins deixou de fazer música atráves das suas mãos nos pianos, eu reles eu que como já disse não sou de escritora nem de muito longe o pianista que ele foi, um dia - espero que ainda distante - quando não mais poderei escrever palavras num papel, num computador ou nas paredes da minha casa e tudo for passodo não tão distante, deverei me lembrar que o que me mantém confiante é que elas nunca poderão sair da minha cabeça e isso me conforta mesmo que meu corpo inteiro esteja atrofiado eu ainda serei palavra em essência, porque no mais profundo de mim é só isso que existe.
segunda-feira, setembro 26, 2011
Sobre o novo jeito de viver. Querendo ser a Leila Diniz
Há mil por hora minha mente vaga procurando verdades, desmentido coisas, destruindo certezas. E confesso que em alguns momentos, entre um crise de pânico e outra, eu me perdi por completo. Eu precisei desesperadamente de um cigarro, uns goles rum, é poucas palavras. Eu precisei dormir um dia inteiro como nunca fiz na vida. Precisei gritar e assustar pessoas. Estava sentindo sem controle, tinha palavras furando a carne, sentimentos revirados e uma ressaca de viver enorme. Precisei jogar cartas noites inteiras. Precisei pensar em sexo, falar de sexo, imaginar sexo, sem fazê-lo. Me apaixonei racionalmente como há muito tempo não fazia. Sentada num cadeira na varanda deixando o tempo passar. Comprei um relógio, e comecei a deter segundos.
Comi jujubas compulsivamente. Comi tudo compulsivamente. Fiz compulsivamente. E tive calma por mais paradoxo que isso possa parecer. Decidi coisas, revisitei memórias. E desde então quando estou entre pessoas só observo. Quando estou só, me concentro. A hiperatividade que se foda, eu quero viver um pouquinho sobre o meu controle.
Quero questionar algumas verdades absolutas e se elas não forem muito boas, desistir delas. Sem medo de ser punida. Sem falsa fé. Romper é o que eu pretendo. Mesmo que isso possa me levar ao pó. Romper é o meu novo desejo. Chega de procuras vazias. Escrever sobre a vida será minha nova meta e é por isso que eu vou acordar todos dias daqui pra frente.
sexta-feira, julho 15, 2011
Sentindo sem controle
Não tenho medo de envelhecer, nem tenho vaidade o suficiente para me importar com isso. Só não quero ficar cansada da vida, cheia de achismos e arrotando vivências, não quero usar a frase 'sei bem como é', odeio quando usam comigo, sei que por mais que você se esforce, cada pessoa vive de um jeito, internaliza como sabe e entende como quer, então ninguém sabe como é que as coisas acontecem comigo ou o quanto significam para mim.
Ando fraca novamente, sinto que estou entrando numa crise, que sabe-se lá quanto vai durar, depois da última confesso que não tenho mais medo, só espero que eu aprenda o mais rápido possível o que ela quer me ensinar e que passe.
Tenho vivido dias bons, encontrando amigos queridos sempre, o que ainda mantem o vínculo com o mundo exterior. Gostaria de conseguir tecer comentários sobre o que eu tenho pensado ultimamente, mas não sou capaz, estou sentindo sem controle, sem me poupar. Sempre foi assim... Doando, doando tudo sempre.
Lembrando sempre que 'se eu tivesse mais alma para dar eu daria, isso para mim é viver'.
quarta-feira, junho 15, 2011
Será mesmo?
Eu sou sim. Tá uma palavra que me define bem. Você me ama? SIM! Você gosta? SIM! Você quer? SIM! Você nunca mais vai me esquecer? SIM. Mas como se eu também sou não. Você não me ama mais é isso? NÃO. Você me entende? NÃO. Você aceita meus motivos? NÃO. Você tem medo? NÃO SEMPRE. Você sabe onde quer chegar? NÃO. Você espera algo? NÃO, EU DESESPERO SEMPRE... e eu nem sei o que sou. E isso pouco me importa. Não sei quem são os outros, não os entendo plenamente, não me entendo, não me entendem e assim estamos quites. Não quero passar a vida tentando achar respostas, quero questionamentos 'ad infinitum' dá pra ser?
Sabendo eu que nunca vou achar o x, o lugar certo para se estar, o jeito certo de chegar nesse maldito lugar, a companhia perfeita para essa viagem, proponho a mim mesma não sair do lugar. Meus pés ficados no chão. E o meu amor pela palavra rodopiando a sala, invadindo os meus pensamentos e dominando-me. Quero a viagem dentro de mim. O devaneio lúcido. Um bom livro, um bom disco e alguns goles de amor. Uns instantes de sexo a todo vapor e a vida rodopiando a sala, se misturando com a palavra, com os meus pensamentos, com o meu universo que não cabe em mim.
Eu não me basto. Ninguém preenche e não há nada errado nisso. O que eu quero saber é o que os fazem quando não se questionam o tempo todo? Quando não testam a vida, argumentam, enlouquecem? O que é o não estar louco? O que é o não querer? Perguntas, perguntas, perguntas sem resposta.
Será mesmo que eu sou a única? Vai ver sou.
Palavras, palavras, palavras só as palavras que não consigo externar me entorpecem e o que não me falta é devaneio cotidiano, nem sempre lúcido. Delícia.
terça-feira, março 22, 2011
dia-a-dia
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma vida branca
e limpa à minha espera.
Ana Cristina Cesar
Leminski no braço, ainda um tanto ardido, quase um mantra do qual eu não pretendo me distanciar "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além...". E algumas margaridas, um pouquinho do Caio, algum desespero cercado de paz por todos os lados. Então eu me liberto ainda mais. Compreendo-me cada dia mais, e me perco na compreensão das coisas cotidianas.
Eu não sei como tudo mudou, não vi em que passo as coisas finalmente se assentaram. E nem quero me prender a isso. Quero mesmo comemorar a amizade próxima, os telefonemas diários, a serenidade momentânea, está certa alegria, a tatuagem nova, o amor desmedido, o encontro. Quero comemorar a vida que construo nas pequenas coisas, na raça, no dia-a-dia.
Mesmo que essa alegria seja silenciosa, que a Tiê ainda me comova, que ainda me faltem palavras eu tenho seguido. Um passo de cada vez, as vezes lentamente, as vezes rodopiando. Espero que esse ano eu tenha maturidade para enfrentar o meu aniversário que já bate à porta sem crises e tristezas. Páginas viradas Bin, páginas viradas. E boa parte de um livro imenso em branco, disponível para alguns poemas, algumas histórias e casos. E uma vida inteira para se refazer o quanto for necessário e/ou suficiente pra ser feliz.
E eu sou. Ou pelo menos estou.
terça-feira, agosto 31, 2010
No casulo.
Engraçado isso vir de pessoas que me conhecem tanto e que sabem que eu não sei fazer isso. Não sou capaz de simplesmente seguir a fila. Mesmo que eu um dia eu me arrependa, que eu esteja perdendo a "oportunidade de me formar com a galera" - que galera mesmo? Se eu não consigo me ver fazendo parte daquilo! - essa decisão foi a mais acertada dos últimos tempos. Consegui restabelecer uma conexão comigo mesma que a tempos estava perdida, isso de me sentir in, não out, tem me feito TÃO bem.
Ficar sozinha em casa a noite lendo um livro, dormindo, comendo, lavando roupa, sonhando, planejando, ruminando passados distantes tem sido tão agradável quanto. Na verdade nem se compara.
Já ouvi tantas coisas sobre isso, tipo: "A mulher moderna FLávia estuda, faz graduação, pra ter grana pra pagar alguém pra tomar conta da casa e dos guris". Já ouvi gente que eu respeito muito enfiar o pé na jaca falando com um preconceito burro de quem nem para pra pensar no que acredita de vez em quando. Essa decisão que já foi tomada só diz respeito a mim, ao que eu preciso no momento.
Cada dia que passa onde eu aprendo a ficar mais tempo calada, apenas ouvindo meus pensamentos, meus desejos mais íntimos, meus sonhos reprimidos, o meu ideal de vida eu aprendo mais sobre mim, sobre o meu lugar no mundo e principalmente de qual grupo de pessoas eu não faço parte.
Esse tipo de amadurecimento não vem com a idade não. É necessidade para alguns.
Pra um bando de gente eu sei que é.
quarta-feira, maio 12, 2010
Gosto.
Gosto de intervalos. de sonhar em conjunto. de não realizar e sonhar 1 milhão de coisas depois. de pintar. de palavras. de intensidade. Gosto de ler, ou melhor amo. Gosto de conhecer gente através de palavras. de gente que domina palavra. de internet, da possibilidade. Gosto de mudar. Gosto de por instante não ser. Gosto de permanecer. Gosto de poder escolher, não dá escolha propriamente dita. Gosto de sorvete. Gosto de comer e pronto, não dá pra classificar. Gosto de ficar quietinha. Gosto de pegar a bicicleta e sair sem destino. Gosto de longas caminhas. de movimento.
gosto de tanta coisa que no momento não tenho tempo pra fazer...
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Música inesperada.
Fico jogada na cama ouvindo a música que a surpresa me doará, gosto de ouvir música-querida assim como quem não pretende, a mensagem toma um novo gosto e acaba me arrancando muitas vezes um sorriso bobo e umas lágrimas inesperadas idem.
Ouvir música-querida inesperada é tudo de bom!
quarta-feira, janeiro 27, 2010
Prefiro não rotular
Eu tinha o que alguns chamam de amizade perfeita. Eu prefiro chamar de completude. Graças a uma força maior que desconheço, tenho algumas amizades perfeitas parecidas com essa que perdi, porém, nenhuma dessas me faz sentir menos a falta que ela me faz. Quais os motivos para o fim? A sociedade. Estranho né? Mas nesse caso foi. Essa mania besta que as pessoas tem de generalizar para achar o nome certo para as coisas, levou meu amigo embora. Quero deixar bem claro que eu nunca - principalmente agora depois que ele se foi - eu nunca tentei achar um nome para o que a gente tinha. Porque qualquer palavra já existente não caberia para o que tinhamos, nem se eu inventasse uma nova palavra para conceituar, ela ainda não diria tudo que essa amizade me disse com: troca de olhares, cumplicidade, amor (porque não dizer?), sinceridade e aquela magia que liga pessoas por aí - todos os dias que ela existiu. Eu tinha um amigo (um ex-namorado muito próximo e meio estranho como preferiram rotular) mas ele foi embora. Mudou-se da minha vida, da vida que a gente dividia quando estavamos juntos, para um outro lugar provavelmente sem o mesmo brilho que eu não sei onde é. Eu tinha um amigo cheio de defeitos; cheio de manias que me enlouqueciam, de cobranças sem lógica e ciúmes de irmão que me fez perder a cabeça e discutir feio várias vezes, mas nunca em nenhuma de nossas conversas acalorodas me fez esquecer o carinho sem pedidos, daquele abraço de urso, do ouvido que adorava minhas abobrinhas - e o mais incrível, que entendia todas elas - que só ele tinha. Das conversas da madrugada, dos passeios não programados de qualquer hora, das risadas e daquela cumplicidade que nem se comenta. Sim ele tinha defeitos que me enlouqueciam e me faziam gostar mais ainda deste "não-saber-porque-tanto-gostar-de-alguém-tão-irritante" que me deixava maravilhada em todos os dias. Mas esse meu amigo não quer mais dividir coisas comigo. Porque em algum momento que eu não sei bem precisar, eu ou ele, até os dois, ficamos meio assustados com a pressão do mundo com suas nomeclaturas e talvez tenhamos desistido. De quê? De defender o direito de amar e ainda sim não ter necessidade sexual alguma pelo outro. Como em o conto Os sobreviventes de Caio Fernando Abreu, nós tentamos algo mais a algum tempo atrás e não era bem isso que a gente precisava pra ficar junto. Faço-me clara? Nós só queriamos viver, compartilhando momentos algumas vezes, nos divertindo como amigas mulheres "não lésbicas" fazem. Ter o direito de não ouvir piadinhas, indiretas e até broncas mesmo de quem nem tem noção como amizade perfeita pode ser. Mas infelizmente nessa vida, essa minha alma-irmã tão querida e eu desistimos por puro cansaço de lutar contra essa tortura cultural desumana de rotular tudo e todos sempre. E olha que eu não fujo de briga.
sexta-feira, novembro 27, 2009
Planos e Certezas
Mas é isso. Eu quero tentar desabrochar esse plano, pelo menos esse, devagarinho, pétala por pétala, sentir desabrochar aos poucos na hora dele, no tempo certo. Pela primeira vez esperar e não forçar que as coisas aconteçam no meu tempo. Tenho que fazer valer essa possibilidade, dar condições para que ela aconteça por mérito. Essa é a melhor alternativa para focar no momento.
É a vida ainda anda bagunçada, isso mesmo, sempre os mesmos problemas cada vez mais velhos e mais fracos - pelo menos -, queria muito dar uma volta com você de bicicleta, vamos? Sem destino, sem motivo, sem planos, nesse momento só seguir um caminho qualquer com você já seria grande coisa, é que as vezes, mesmo tudo me dizendo que não, as vezes eu sinto que caminhamos em caminhos diferentes... Penso e não tem problema se for mesmo assim, só queria que fosse as claras.
Só queria um papo, aquela passionalidade toda e um pouco de certezas, mesmo que momentaneas...
quarta-feira, novembro 04, 2009
Sobre os meus ex-namorados e eternos amigos. Sim eu sou amiga dos meus!
Tive - para algumas pessoas - muitos namorados, para mim, só o que era necessário ter. Todos eles são muito meus amigos, e eu os adoro. Sim, eu adoro os meus ex! Mesmo depois das brigas. Eu converso com eles, saiu com eles quando dá, aconselho e torço muito pela vida deles e eles pela minha. Estranho? Eu não acho, pelo contrário acho que não preservar a amizade é que é bem louco. Claro que alguns namoros realmente acabam muito mal e existem mesmo algum motivos que podem melar a amizade. No meu caso, aconteceram algumas vezes coisas ruins, que me decepcionaram muito, mas eu preferi encarar do melhor jeito. É, tá aí um campo da minha vida em que sou otimista.
Preferi conversar, ouvir, tentar entender e só terminar sempre que qualquer passo mais adiante acabe a amizade de vez. Prefiro que a amizade, o companheirismo e o amor permaneça. E é por isso que eu ainda os amo muito. Claro que o tipo de amor muda, mas não o interesse pelo bem estar, pela companhia e a cumplicidade. Alguns dos meus ex são as minhas ilhas, alguns deles são simplesmente o melhor lugar para entender algum problema, para chorar alguma mágoa ou para morrer de rir depois da maior merda inevitavelmente feita. São concerteza os melhores amigos para as melhores e piores horas.
Claro que isso confunde algumas pessoas um pouco, inclusive as suas respectivas namoradas (as vezes bastante ciumentas). Mas a gente acaba tirando de letra, porque é meio que impossível não acreditar numa amizade sem pretextos e meias verdades vinda da gente. E isso de ser boa e velha amiga dos ex é muito bom, porque mesmo o que foi mal acabado, perdido, dolorido e sofrido pra cacete se transforma num outro motivo pra fazer dar certo, pelo menos a amizade. Vira vontade de passar por cima e entender o que antes era impossível absorver, digerir, acompanhar, respeitar e principalmente aceitar.
Assim não apago com borracha ninguém da minha vida, até porque NÃO SE APAGA NINGUÉM DE VIDA ALGUMA, não preciso mentir pra mim internalizando o "desamor" e vivo sabendo que não passei por cima de nenhum sentimento bom, nenhum amor, mesmo o mais bobinho e imaturo porque concerteza todos eles me ajudaram a ser a pessoa que sou, ensinaram a tomar as atitudes que tomo e a viver o amor nessa atual relação como vivo. Sem cobranças inalcançáveis, com liberdade, com cumplicidade e respeito.
Sim, até o meu primeiro namorinho de portão faz parte desse meu casamento atual.
sexta-feira, outubro 02, 2009
Como você me doí vezemquando*
Sempre tive uma grande admiração por você, e não é difícil admirar você por tantos motivos. Sempre tive a certeza que o queria sempre perto, e fomos amigos próximos durante muitos anos. Um dia você me contou, depois de me fazer perder uns 3 ônibus para casa que você tinha se apaixonado por mim, e eu nunca tinha visto você tão desajeitado, tão sem palavras. E eu fiquei tão emocionada, apesar de já saber depois de uma fofoquinha amiga, mas ouvir de você deu um tom de verdade àquela dúvida.
Eu já tinha pensado na possibilidade de querer você, e eu mesma me convenci muito tempo antes da descoberta que eu era caótica e louca demais para alguém como você. Eu achava mesmo que tinha que rolar na lama dos poços que me ofereciam como possibilidade de amor pra achar alguém, eu achava que o meu caos só seria feliz quando se juntasse a um caos tão caótico quanto o meu. Mas eu me enganei.
Depois de muitas conversas, paciência e companheirismo, eu cedi, decidi tentar e estamos juntos desde de então, e esse mês faremos quatro anos. Quatro anos de amor, e porque não dizer quatro anos de luta. Pra mim, por muito tempo, você foi uma causa que valia a pena. Foi tão difícil ser inserida na sua vida, ser conhecida pela sua família tão comercial de margarina. E nela nunca fui aceita.
Hoje sou sua segunda família. Hoje moramos juntos e temos uma filha felina que nos dá muita felicidade. Depois de muita confusão pra você sair de casa e tentar a vida comigo, a ovelha negra.
É muito bom saber que você vai chegar em casa depois das sete, coisa boba né? Mas é sério, como a raposa do Pequeno Príncipe, eu começo a ficar feliz as seis da tarde só por saber que as sete você vem.
Mesmo nesse momento tão estranho que eu ando vivendo, mesmo você não entendendo nenhuma das minhas cobranças. meus medos ou atitudes. Eu queria dizer que hoje as 4 da tarde eu já fiquei feliz por saber que as sete estaremos em casa juntos. E mesmo com as minhas "brigas-monólogos que fazem todo o sentido pra mim e nenhuma lógica pra você", saiba que eu te amo desde que aceitei dividir esse sentimento com você, desde que deixei você entrar e habitar meu coração que vivia repleto de lama dos antigos poços.
Infelizmente estou tentando te dizer que ando infeliz, que você não tem me ouvido como eu queria, me querido como eu queria, me vivenciando como antes, e aguardo aquela conversa que só verdadeiros amigos-amores podem ter. Só não demora viu?
* Caio Fernando Abreu, Harriet.
quarta-feira, setembro 02, 2009
Não deixe que o "pensamento da boiada" faça você perder o rumo
Porém, e nisso sou bastante rígida, não deixo de saber nem por um momento o que não quero ser ou acabar sendo, o que não concordo e o que não apoio. Não sei onde estou indo, só sei que não estou perdido, acho que essa frase é bem batida, porém é bem assim que me sinto.
Tenho muitos amigos e muita coragem pra afirmar isso, e nós, mesmo com tantas coisas em comum somos muito diferentes. Escolhemos as vezes caminhos bastante distantes e acaba ficando até difícil de marcar um papinho. Essa possibilidade, ou melhor, essa realidade de não ser o outro me conforta. Mas é claro que ando por aí encontrando boiadas, que seguem o rumo do outro a tanto tempo que nunca foram capazes de perceber isso. Difícil né? Imaginar-se nessa posição, essa submissão toda. Mas acontece...
Pois é, o que importa mesmo é o que a gente é, os objetivos que a gente tem. Cada cabeça um mundo, e comigo é assim: cada mundo com seu guia.
sexta-feira, agosto 28, 2009
Um dia muito feliz dessa nova vida.
A oportunidade de esticar o braço e tocar seu cabelo as quatro da manhã, antes de acordar pra trabalhar, antes de um dia normal pela frente, me faz querer muito essa vida. Amar muito essa oportunidade.
Nosso ap pequenininho vive cheio de conversas, risadas e beijinhos aqui e ali. E não importa se ainda falta muita coisa "material" pro nosso canto ficar bem bonito, estamos muito bem servidos de cumplicidade, afazeres compartilhados, afagos e compreensão. E isso basta.
Hoje quando era exatamente 4 da manhã eu agradeci a vida e aquela força superior, por dividir a vida com você, por compartilhar a vida da nossa filhota felina com você, de estar momentaneamente inundada de certezas e conseguindo lidar com elas. E foi difícil voltar a dormir, voltar a viver aquele momento como mais um, como se o cotidiano -justo naquele momento- não fosse festivo, como se não precisassemos de umas taças de vinho pra comemorar, como se não valesse a pena ligar para a amiga mais próxima pra contar que hoje exatamente as quatro da manhã eu percebi que a minha nova vida é muitíssimo feliz.
sexta-feira, julho 10, 2009
Ser em construção: construiu.
Porque estou mudando por dentro agora. Estou mudando pra sempre, eu sinto isso. Como se num estalar de dedos eu pudesse inventar uma outra, não menos confusa, insana, tensa e ou impulsiva criatura, só uma outra. Com novas prioridades, novos afazeres e algumas mesmas dúvidas. Mas é bom né? Duvidar sempre. Pelo menos não é a aceitação ignorante.
Então, estou organizando o apartamento novo ainda. Dando a ela a nossa cara, com poucos recurso e caminhões de criatividade. Faltam ainda muitas coisas e não são só itens materiais.
Mas estamos bem. Alimentados e felizes no nosso cantinho. Que nem é grande nem pequeno demais, o que importa, é nosso.
A ser em construção acabou de construir casa nova, porém não conseguiu ainda trabalhar na construção interna como gostaria. Cada coisa a seu tempo né?
sábado, junho 20, 2009
MUDANDO...
continua sendo a mesma aqui dentro (pelo menos acho que sim), só que ainda mais encantada com as possibilidades.
TOMARA...
segunda-feira, maio 11, 2009
Comemorando o aniversário da irmã distante.
No banheiro feminino da Escola técnica onde ambas estudavam, eu caloura, ela já concluindo o 3º ano. Conversa de banheiro mesmo, não era para dar em nada.
Essas entregas...
E a conversa foi rendendo, de repente eu já era o bicho dela (bicho: como se chama calouro por aqui), e coisas em comum vieram a tona, diferenças também. Ela era da Igreja Batista desde de pequenininha e eu não consiga acreditar muito que deus podia ter alguma coisa haver com a minha vida. Eu era filha de pais separados e era cheia de problemas familiares insolucionáveis, ela tinha uma família bastante acolhedora e unida que respeitava diferenças.
Com o tempo fomos dividindo estórias, vivencias, roupas, lanches, brincos, segredos e tudo que dava para tirar de mim e colocar nela e vice-e-versa. Choramos juntas de tristeza muitas vezes, morremos de rir até chorar juntas idem, passamos a noite em claro com medo juntas um dia. Durmimos tantas outras vezes juntas... E viramos irmãs. Num processo muito lendo de aceitação e respeito ao outro, e como ela era difícil. Mimada! E eu também não era fácil não, já dizia minha mãe. Ainda sim conseguimos transpor as diferenças, e as pessoas até ousavam confundir a gente de tão parecidas que nós tinhamos ficado. Não uma imitando a outra, isso não, era uma internalizando a outra. Gestos, expressões, caras e bocas, roupas, estilos.
Porque era fácil viver quando eu era um pouco ela, porque ela gostava de ser um pouco de mim.
Brigamos claro, muitas vezes. Por comida, por atitudes, por amigos, por ciúmes e manias, mas no fim sempre conseguimos voltar ao nós felizes-para-sempre.
A Isa, minha irmã de alma, me fez estudar política, a Isa me emprestou o pai dela pr'eu guardar para mim como se fosse meu para sempre. Ela divide até hoje os pais comigo, e a gente nem lembra mais quando eles me adotaram. Porque foi a família da Isa que tomou conta de mim quando eu estava doente, foi a família da Isa que deu sentido a palavra família para mim.
Hoje vivo sem a minha irmã viajante, um dia após o outro, que já nem lembro mais das nossas brigas mais sérias, só sinto uma saudade enorme. Sei que cada um vai para onde o mundo chama, sei que para ela ir foi a realização de um sonho, sei que doí em mim tanto quando doí nela. Hoje é o aniversário dela e eu não posso dar um abraço.
Esse amor que ela me ajudou a construir que é tão grande, tão intenso, faz de mim uma pessoa melhor, me faz querer ser uma pessoa melhor, pelo que fomos, pelo que somos. Principalmente, pela família que temos.
Feliz aniversário irmã...
terça-feira, maio 05, 2009
O que não sou e o quanto sou feliz mesmo não sendo
Ontem rodopiando com amigos tão amados "ao som de uma banda qualquer", tá bom, da Banda Naurea que eu já estou cansada de ouvir, eu lembrei de tudo isso, tudo que não sou, do que não fiz, do que quis e não tive. E ao mesmo tempo pensei em tudo que tenho, o que construí, o que formei, o que mudei - as vezes naturalmente, as vezes sangrando a carne-, lembrei do que não sou mais, e principalmente e esse me deu um prazer enorme: o que eu não quero ser. O que felizmente não me tornei.
Onde e como sou feliz. E como eu-nós-o-povo-todo, como somos felizes simplesmente deixando-nos ser.
quinta-feira, abril 23, 2009
possibilidade de amor...
Quando achei que ia dar um tempo, deixar a ariana apaixonada que sou de lado pra viver outros momentos, eu o revi e o plano não adiantou. Digo revi, porque foi a primeira vez que o vi como possibilidade, como uma 'pequena epifania'. Foi muito dolorido sair do relacionamento anterior, guardar aquele amor todo, recompor. E com a maior sutileza ele me ajudou, me viu sangrar, esperou meu tempo, principalmente, me deixou decidir a hora certa de tentar de novo. E a isso sou bastante grata.
Ele me deu amor, quando achei que ninguém tinha entendido muito bem que tipo de relacionamento eu queria. Deu-me compreensão e cumplicidade, enquanto eu imaginava que era um grande engano esperar por isso. Dividiu momentos e planos, e isso me confortou como cama de molas ensacadas, eu senti um alívio tão grande por poder descansar meus pés cansados de tanto pular de sonho em sonho.
E assim, acabamos construindo uma vida a dois gostosa demais de viver e ver crescer, com pitadinhas dos dois aqui e ali, mesmo que um seja bem diferente do outro. O amor nos une. O respeito e a Liberdade acima de tudo. E hoje eu nem imagino a vida de outra forma, com outra cor.
Nunca tão estável - em sua instabilidade contida - tão mansa, intensa, ardida e doce vezenquando. Na medida como ingredientes da receita do jantar de um grande chef.
Quando achei que tinha vivido todos os momentos bons possíveis da temporada, veio alguém e me contou que um novo momento estava para estrear. E eu não acreditei que seria tão bom, tão significativo e duradouro. Mas foi. É. E digo por conhecimento de causa, digo sem conter as lágrimas, que não poderia ser melhor, que o meu corpo e coração cansados agradecem.
Hoje ele ocupa o lugar que quiser em mim. Ele tem as chaves de todas as alas, entradas, saídas e bandeiras. Ele é livre, como só quem é livre pode compreender como se vive assim, e como é bom. Que a liberdade que esse amor têm o eleve, o engrandeça, o satisfaça.
Minha gigantesca epifania que já dura 3 anos e um tantão.


