Descobrir tem haver com estar disposto a desvendar a mais profunda das obviedades: Quem você é.
Declarar quantas fugas. Quantas pessoas esconderijo onde eu me guardei para não saber de mim. Existem vários acessos meus que não conheço e é preciso um preparo longo para chegar em alguns deles. Desvendar os meus enigmas, andar em círculos, passear tranquilamente nos meus cantos. Conhecer a resposta e a pergunta, na ordem que vier. Que o interesse sobre o que me compõe me mova a achar em mim o quanto feliz eu sou/estou nos meus processos. Que eu me permita esvaziar caixas, acolher guardados que escondi, como quando você encontra uma foto perdida de alguém que você não consegue ver sem chorar ou sentir mal perdida numa gaveta de trecos.
Desistir de culpados, ou de caracterizar as coisas em boas e ruins. Acolher o passado como o necessário, levando em conta que o contexto conduz as coisas. Não falo sobre imparcialidade, acho vazio, refiro-me a aquilo que foi possível ser feito da vida com o que a vida deu como ferramentas para construir, não pode ser classificado como bom ou como ruim só como possível.
Deixar de me presentear com coisas que não deixam de existir facilmente. A culpa não é justa, por favor não me presentei com ela. Eu me apego facilmente. E carrego algumas culpas de estimação e elas nunca morrem.
Devanear sobre o que constrói os elos, o que desata os nós, e a minha necessidade de me atar a pessoas. Essa fixação por fundos, pela última partícula das vivências que podem ser desmembradas, como dissecar um rato, gosto de analisar as vivências esquartejando-as, conhecendo as suas infinitas possibilidades, acolhendo-as como catar os cacos de cerâmica de um vaso querido demais que não se quis quebrar e não se consegue jogar fora. Eu não excluo vivências e isso me amontoa. Entende como é viver amontado?
Decidir que esse jeito de ser gente, não é bom, nem ruim, nem certo, nem errado é só o jeito que eu achei de seguir em frente, de acolher os meus processos, analisar as opções e escolher ser alguém em eterna construção. um infinito de possibilidades. Aceitar que vivo de profundezas e buscas ilimitadas. Não quero o resulto absoluto, quero o processo. É no processo o meu foco, meu orgasmo mental acontece lá. Isso existe?
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quinta-feira, setembro 24, 2015
sexta-feira, fevereiro 15, 2013
Ainda não estou pronta.
Não estou pronta, não sou a paz e o centramento que mentalizo tantas vezes ao dia. Ainda não consigo dar de ombros ao que me incomoda e ignorar o que não pode ser mudado, sabe, é que eu nasci com o bichinho contestador nas veias e não sei ignorá-lo. Essa coisa cansativa de medir palavras, ponderar e omitir para não magoar os outros, para não desagradar os outros eu não sei manter. Confesso, que quando eu abraço alguém bem apertado, quando falo sem meios termos que tive saudades, que estou magoada, que não concordo é sempre o mais sincero, honesto e carinhoso jeito que eu sei agir. Não minto para agradar ou não magoar alguém, crio um afastamento, saio para respirar profundamente em outro lugar, questiono a minha opinião, reavalio as minhas ações e acredite isso é muito mais difícil e dolorido do que não concordar e sorrir para satisfazer.
Ainda não sou capaz, ou não me decepcionei com a vida o suficiente para não acreditar em meus próprios devaneios, para deixar de defender opiniões individuais. Não sei ser menos intensa e explosiva, por pura incapacidade não sei viver as coisas sem usar todas as partes do meu corpo. Eu lutei para ser inteira e não sei mais particionar.
Da mesma forma que ainda não consigo dizer certas coisas, ainda não entendo questões antigas, não consigo me livrar de medos infantis, não tenho fôlego para tecer certas conversas e não deixo de ruminar coisas. Estou ainda construindo, não tenha pressa.
Algumas pessoas nunca vão me conhecer, nem em partes. Algumas para sempre terão apenas superfície. Outras levaram a minha carne, pedaço da minha essência, que será partilhada e tudo isso nem sempre será escolha minha. É que eu não sei algumas coisas. Não conheço tudo. Nem sempre ganho quando jogo. Nem sempre estou animada para jogar. As vezes só tenho vontade de sentar na margem do rio que nunca mais visitei e recarregar as energias. Tem dias que dá vontade de fazer um chá e ver o sol sumir devagarinho da janela do quarto mesmo que eu ainda não seja capaz de me encontrar no silêncio, mesmo que eu ainda não esteja pronta, eu sigo. continuo. persisto.
domingo, janeiro 06, 2013
E acabou.
Tanta coisa aconteceu no meio do caminho 2012 acabou e eu voadora que sou ainda estou aqui contabilizando e analisando o que foi vivido. Não pude, não quis perder metade do mês de dezembro tentando entender o que vivi esse ano. Na verdade esta é uma nova fase onde não mais dou tanta atenção, ou melhor dedico tanto tempo a remoer a vida, tenho dedicado os dias, as horas livres a acarinhar a barriga e acolher a bebê que gesto. E assim vivo mais dias tranquilos e calmos que antes. E assim penso menos no que não tem conserto, no que andei perdendo nos últimos tempos e sobre os golpes que andei levando da vida ultimamente.
Acho que tentaram me convencer esse ano que o meu jeito de interagir com o outro é errado, digo tentaram, é porque fui colocada na parede algumas vezes e por diferentes pessoas, em diferentes fases deste ano com as mesmas questões: porque porra eu me entrego tanto. É, não soube responder essa pergunta em nenhuma das fases, não sei falar sobre isso agora também, porque é algo que não percebo que faço, que não me incomoda ou me machuca, o que eu quero dizer, é que não é algo que eu quero deixar de fazer mesmo que tenha recebido tantos conselhos para parar. Gratidão pessoas. Mas eu prefiro permanecer, continuar. Mesmo que isso ofenda tanta gente, e esse ano eu tive ideia desse número.
Não tenho certezas, tem um tempo que eu vivo sem elas. Não me falta dúvidas e questões, mas isso sempre existiu aos montes dentro da cachola. Não sei passar batido diante das coisas, não sei repetir opiniões, não questionar as coisas que aprendo, que me interessam. Gosto de perceber que fiz muito isso esse ano, me dediquei a abrir o campo de visão diversas vezes e por causa dos mais variados motivos. E a terapia só fez isso se tornar apenas mais leve, a terapia veio para substituir, ou pelo menos amenizar a falta do papo descompromissado, sem limites, que eu tinha sempre e não tenho mais.
É eu acho que entendi muita coisa esse ano, conquistei muita coisa interna e sem valor material que me encheu o peito de uma alegria moça de ser tão honesta comigo. Sim, eu fui. o mais alto que podia esse ano. joguei-me nos mais complicados dilemas. mantive bravamente a minha decisão do afastamento tão dolorido e tão necessário para nós dois. e me deixei tocar pelos mais confusos sentimentos. conheci algumas sombras. tomei tanto chá, li tanto sobre medicina indiana que me livrei da alopatia e curei parte da alma. e finalmente ganhei a oportunidade de trazer alguém ao mundo e sem exageros foi a maior conquista desse ano.
Acho que tentaram me convencer esse ano que o meu jeito de interagir com o outro é errado, digo tentaram, é porque fui colocada na parede algumas vezes e por diferentes pessoas, em diferentes fases deste ano com as mesmas questões: porque porra eu me entrego tanto. É, não soube responder essa pergunta em nenhuma das fases, não sei falar sobre isso agora também, porque é algo que não percebo que faço, que não me incomoda ou me machuca, o que eu quero dizer, é que não é algo que eu quero deixar de fazer mesmo que tenha recebido tantos conselhos para parar. Gratidão pessoas. Mas eu prefiro permanecer, continuar. Mesmo que isso ofenda tanta gente, e esse ano eu tive ideia desse número.
Não tenho certezas, tem um tempo que eu vivo sem elas. Não me falta dúvidas e questões, mas isso sempre existiu aos montes dentro da cachola. Não sei passar batido diante das coisas, não sei repetir opiniões, não questionar as coisas que aprendo, que me interessam. Gosto de perceber que fiz muito isso esse ano, me dediquei a abrir o campo de visão diversas vezes e por causa dos mais variados motivos. E a terapia só fez isso se tornar apenas mais leve, a terapia veio para substituir, ou pelo menos amenizar a falta do papo descompromissado, sem limites, que eu tinha sempre e não tenho mais.
É eu acho que entendi muita coisa esse ano, conquistei muita coisa interna e sem valor material que me encheu o peito de uma alegria moça de ser tão honesta comigo. Sim, eu fui. o mais alto que podia esse ano. joguei-me nos mais complicados dilemas. mantive bravamente a minha decisão do afastamento tão dolorido e tão necessário para nós dois. e me deixei tocar pelos mais confusos sentimentos. conheci algumas sombras. tomei tanto chá, li tanto sobre medicina indiana que me livrei da alopatia e curei parte da alma. e finalmente ganhei a oportunidade de trazer alguém ao mundo e sem exageros foi a maior conquista desse ano.
terça-feira, dezembro 04, 2012
Vivendo e aprendendo a jogar again.
Eita. Quando dei por mim nem eu estava lá. As vezes, quando a gente se dá sem reservas acaba se confundindo com o outro, e se outro não fica bem inteiro, eu sinto que acabo me enrolando nos seus longos fios de questões e fica mais difícil sair do desconforto. Claro que sempre há a opção de uma boa navalha e algumas rupturas, mas eu tenho sempre que sair (tentar sair) na sutileza, e nessa sempre tropeço. Pluft! Caí mais uma vez, quantas vezes mais eu verei o céu deitada no chão do lado de alguém que virou estranho?
Não posso, na verdade, não devo manter essa atitude perigosa de não manter reservas para as pessoas. É que eu cresci recebendo tudo, coisas ruins, coisas boas, tive que lidar com tudo e aprender a diferenciar a importância dos acontecimentos como gente adulta faz. Minha família me criou todo mundo junto sem hierarquia, ninguém era maior que ninguém ou mais importante, por isso não faço distinção de ordens ou pessoas. Não tenho obrigação de agradar ninguém, nem me dou ao trabalho de fazer de tudo pra agradar ninguém, mas eu notei que quando me esforço pra ser minimamente agradável erro feio na mão. Dessas coisas que a gente não nasce sabendo e nem é ensinado por ninguém.
Mas para dar não deveriam haver medidas né? Pois é, pra mim nunca houve. Só que agora tenho que me refazer, catar cacos no chão, enxugar a testa, dar um nó na saia e sair caminhando novamente, pronta de novo para mais uma vez tentar dosar o que as pessoas precisam de mim e o que é meu e de ninguém mais.
Vivendo e aprendendo a jogar again.
Mas para dar não deveriam haver medidas né? Pois é, pra mim nunca houve. Só que agora tenho que me refazer, catar cacos no chão, enxugar a testa, dar um nó na saia e sair caminhando novamente, pronta de novo para mais uma vez tentar dosar o que as pessoas precisam de mim e o que é meu e de ninguém mais.
Vivendo e aprendendo a jogar again.
terça-feira, outubro 02, 2012
Uma nova viagem.
Eu já tentei fazer isso algumas vezes, voltar a escrever aqui e expor. Eu andei pensando para dentro e criei um medo meio bobo de colocar para fora, tenho percebido os meus sinais, respeitado os meus sinais e de alguma forma filtrado o que é só meu e que pode ser dividido. Claro que eu nunca quis e/ou soube fazer isso, eu apenas TIVE que aprender a fazer, umas espécie de auto-proteção e um silêncio desconhecido meu me tomou. Eu estive calada durante meses e hoje desde que abri os olhos fiquei com essa compulsão de mais uma vez me dar e ignorar o que hão de fazer de mim. Vamos lá, mesmo que eu ainda nem esteja pronta.
Eu entrei num trem, não sei porque, acho que me vi naquelas cenas de filme, numa daquelas estações bem cheias de gente, muitas pessoas se empurrando e indo de lá pra cá. Eu acho que eu estive sentada nessa estação durante muito tempo puxando papo com as pessoas que sentavam ao meu lado meu Forrest Gump, porque eu não sabia qual o horário e o destino do trem que deveria pegar, ou usava isso como desculpa. E do nada algum impulso me fez levantar olhar ao redor e chorar como se fosse uma despedida. E eu fechei ciclos, vi além de espelhos, fiz escolhas impossíveis, aceitei os empurrões e quando dei por mim estava num trem, que eu não vi para onde ia, nem que horas chegaria, mas finalmente eu estava no trem e o frio na barriga da descoberta de ir em frente e deixar uma cidade possível para trás me deu fôlego novo.
Nunca fui ligada ao destino e sim as descobertas do caminho, não saber para onde o meu trem vai não me assusta, sair da zona de conforto não me assusta, momentaneamente estar tão longe de gente tão querida não me assusta. Porque eu estou num trem que me levará a aventuras novas, a viagens novas e tantas outras descobertas. Sempre que se cresce, se ganha ou se perde é uma escolha e eu instintivamente fiz algumas nos últimos tempos.
Sei bem o quanto era confortável permanecer sentada no banco da estação acompanhando as histórias das pessoas e conversando sem tempo de pensar sobre o porque de estar ali, sei o quanto revelei-me aos outros fazendo isso e principalmente sei o quanto conheci de mim sentada naquela estação e tudo foi válido. Doeu, diversas vezes decepcionou, criou algumas cascas, porém me deu uma ótima bagagem para embarcar. Deve ser uma viagem de aventura porque eu tenho sentido isso no meu íntimo. Deve ser mais uma daquelas coisas que mudam o trajeto da vida sem que a gente se dê conta, vai exigir muito de mim, como sempre, mas vai me levar além de alguma forma. E não há essa coisa boba de se estar pronta ou não o trem tem seu próprio tempo e não sou eu que digo a hora certa de seguir, é mais energético do que se imagina é um estar disposto, disponível, é ser atraído por essa força que muda o mundo. os mundos. Não há estrategia nem rota de viagem, nem lugares que eu não posso deixar de conhecer, é tudo muito solto, vago. Não, é tudo muito preso, muito bem marcado. Mentira, é como água de rio, é livre para decidir e ousar no caminho e segura para saber que nada vai mudar o rumo necessário que se deve seguir. E no fim da viagem, do curso do rio sei lá, nem o rio, nem trem, nem eu seria mais a mesma. Que bom.
Eu entrei num trem, não sei porque, acho que me vi naquelas cenas de filme, numa daquelas estações bem cheias de gente, muitas pessoas se empurrando e indo de lá pra cá. Eu acho que eu estive sentada nessa estação durante muito tempo puxando papo com as pessoas que sentavam ao meu lado meu Forrest Gump, porque eu não sabia qual o horário e o destino do trem que deveria pegar, ou usava isso como desculpa. E do nada algum impulso me fez levantar olhar ao redor e chorar como se fosse uma despedida. E eu fechei ciclos, vi além de espelhos, fiz escolhas impossíveis, aceitei os empurrões e quando dei por mim estava num trem, que eu não vi para onde ia, nem que horas chegaria, mas finalmente eu estava no trem e o frio na barriga da descoberta de ir em frente e deixar uma cidade possível para trás me deu fôlego novo.
Nunca fui ligada ao destino e sim as descobertas do caminho, não saber para onde o meu trem vai não me assusta, sair da zona de conforto não me assusta, momentaneamente estar tão longe de gente tão querida não me assusta. Porque eu estou num trem que me levará a aventuras novas, a viagens novas e tantas outras descobertas. Sempre que se cresce, se ganha ou se perde é uma escolha e eu instintivamente fiz algumas nos últimos tempos.
Sei bem o quanto era confortável permanecer sentada no banco da estação acompanhando as histórias das pessoas e conversando sem tempo de pensar sobre o porque de estar ali, sei o quanto revelei-me aos outros fazendo isso e principalmente sei o quanto conheci de mim sentada naquela estação e tudo foi válido. Doeu, diversas vezes decepcionou, criou algumas cascas, porém me deu uma ótima bagagem para embarcar. Deve ser uma viagem de aventura porque eu tenho sentido isso no meu íntimo. Deve ser mais uma daquelas coisas que mudam o trajeto da vida sem que a gente se dê conta, vai exigir muito de mim, como sempre, mas vai me levar além de alguma forma. E não há essa coisa boba de se estar pronta ou não o trem tem seu próprio tempo e não sou eu que digo a hora certa de seguir, é mais energético do que se imagina é um estar disposto, disponível, é ser atraído por essa força que muda o mundo. os mundos. Não há estrategia nem rota de viagem, nem lugares que eu não posso deixar de conhecer, é tudo muito solto, vago. Não, é tudo muito preso, muito bem marcado. Mentira, é como água de rio, é livre para decidir e ousar no caminho e segura para saber que nada vai mudar o rumo necessário que se deve seguir. E no fim da viagem, do curso do rio sei lá, nem o rio, nem trem, nem eu seria mais a mesma. Que bom.
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quinta-feira, agosto 02, 2012
Depois de uma viagem para dentro
Sei mais um bando de coisas sobre mim, esqueci o medo e vivenciei coisas incríveis. Não senti falta, saudades, angústia, vazio. Nada disso. Senti uma volta ao útero e uma outra oportunidade de estar no cuidado de gente de confiança. Tudo passou a se encaixar e fazer um sentido enorme e eu me calei e ouvi coisas valiosas. Quis chorar de alegria, mas é que anda difícil chorar até por tristeza. E tudo bem também. Tudo certo. Porque eu ouvi muito que tudo estava no lugar certo, se comportando do jeito certo porque os processos tem os seus momentos. E eu baixinho agradeci a vida por ter chegado tão longe. Pensei em mim, nas minhas coisas, nos meus dias sem ansiedade, sem angústia, porque lá estava tudo bem. Tudo certo. E eu precisava muito de uns dias como aqueles.
Precisava muito daquela viagem, até mesmo dos pensamentos que rodopiavam a minha cabeça na volta foram necessários. E só por causa dessa experiência talvez eu esteja lidando com as coisas dessa forma tão positiva. Porque eu tinha esquecido o otimismo. Porque eu estava desacreditando muito e pensando só na tal semente que é pura vida e simboliza tudo. E lá de repente vendo aquelas pessoas, ouvindo aquelas histórias eu me dei conta que elas eram também produto da semente e aquilo me encheu de otimismo e fé. Caramba, fé depois de tanto tempo.
Fui ali em Salvador conhecer uma casa que tinha passagem direta para Índia e gostei muito do que vi e vivi lá. Fui também tratar de dores antigas e angústia. Fui lembrar da minha pequenez e admirar a grandeza da semente. Era puro aqui e agora. Era incrível.
segunda-feira, abril 30, 2012
No meu jardim-presente que já foi muito ignorado.
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim*
Acredito no agora com mais força
Consigo ver o agora como ele é
um presente que eu recebo para viver
e não há idiotice maior do que ignorar isso.
E eu ignorava
Não queria ver.
Estava ligada ao passado,
aos meus ressentimentos,
as lembranças ruins...
Tenho me policiado me ensinado a lidar com isso de outra forma.
Não quero o futuro hoje porque estou vivendo o presente que ganhei.
Não viverei de passado ignorando o meu presente porque não quero mais.
A consequência da decisão,
o querer respeitado e defendido.
O hoje que me apaixona e me refaz.
O que cabe na minha mão
e o que eu não carrego mais.
Vazia de expectativas inúteis feliz por isso.
Sentindo e vendo só o que divide comigo o agora
Querendo internalizar o tal bambu que ouvi por aí
que balança com o vento forte, que se entorta,
mas quando o ambiente descansa volta a estar de pé contemplando o sol.
Sem fugas
Sem apego
Sem ansiedade (tentando)
Sem excessos assim me misturo com o cotidiano
ouço mais vejo mais aprendo mais e vivo melhor.
Estou aprendendo, sem correria, eu chego lá.
*Meu Jardim, Vander Lee
Estou cuidando bem de mim*
Acredito no agora com mais força
Consigo ver o agora como ele é
um presente que eu recebo para viver
e não há idiotice maior do que ignorar isso.
E eu ignorava
Não queria ver.
Estava ligada ao passado,
aos meus ressentimentos,
as lembranças ruins...
Tenho me policiado me ensinado a lidar com isso de outra forma.
Não quero o futuro hoje porque estou vivendo o presente que ganhei.
Não viverei de passado ignorando o meu presente porque não quero mais.
A consequência da decisão,
o querer respeitado e defendido.
O hoje que me apaixona e me refaz.
O que cabe na minha mão
e o que eu não carrego mais.
Vazia de expectativas inúteis feliz por isso.
Sentindo e vendo só o que divide comigo o agora
Querendo internalizar o tal bambu que ouvi por aí
que balança com o vento forte, que se entorta,
mas quando o ambiente descansa volta a estar de pé contemplando o sol.
Sem fugas
Sem apego
Sem ansiedade (tentando)
Sem excessos assim me misturo com o cotidiano
ouço mais vejo mais aprendo mais e vivo melhor.
Estou aprendendo, sem correria, eu chego lá.
*Meu Jardim, Vander Lee
segunda-feira, abril 09, 2012
Eu e Portinari
Você não percebe mas eu sou muito só - não sozinha, porque sim eu tenho muita, muita gente mesmo ao redor - não é sobre a solidão física que estou me referindo é sobre o que há dentro. Não existiram muitas pessoas que foram fundo, por causa de mim, por causa delas. Não sei, é que eu tenho umas cercas a mais, e critérios de quem pode ou não passar por essa ou por aquela cerca é um jeito de administrar a coisa não julgue. É que se eu fosse sem trancas não seria seguro.
Eu entro nas pessoas, é estranho isso, eu realmente entro nas pessoas, porém não é todo mundo que eu deixo entrar porque as pessoas podem me machucar, porque eu posso machucar as pessoas com o que há aqui dentro. Não tenho como me defender de mim, assim como me guardar é a única forma de proteger os outros da minha tristeza, que quase nunca se mostra. Que vive escondida no canto de um riso solto, de chistes e que reside em uma ou duas frases secas e cruel quando alguém me pede um pouquinho de realidade. É que eu não poderia ter vivido tudo e continuar a mesma meninoca que adora o colo do avô, porque nem o meu avô existe mais. Imagine uma exposição de um artista desconhecido que não assina seus quadros, imagine um galeria com quadros amontoados - quando eu penso nos meu sentimentos lembro dos quadros do Portinari, pois sim - são como os quadros do Portinari sobre a seca, são crus, são doloridos de tão reais que são, estão amontoados e também não estão organizados por tema ou estilo, são os quadros que contam sobre o que passei e nada foi esquecido, está tudo lá. Cada dor, cada despedida, cada escolha. Minha. Dos outros. E as vezes sabe, apago a luz da galeria e deixo de ver, e até parece por alguns dias que estes quadros nem existem, mas a vida me obriga a acender a luz para lembrar que está é minha história e não pode ser esquecida.
Não tenho vergonha dos meus quadros, claro que por muitos anos tive medo deles - como quando conheci Portinari e fiquei com medo dos rostos da seca - mas eu cresci e não tenho mais medo. Tem alguns que eu até tenho uma afeto maior, que quietinha sento a sua frente, fecho os olhos e medito e consigo vivê-los novamente. Porque eu acabei criando afeto por algumas dores, e não se larga afetos da infância. Como não dá também pra se desfazer de pai e mãe. Do sangue. Fisicamente sou esta, não posso ser outra e nem quero ser. Do meu passado sobraram estes quadros que são coleção particular. Fui eu, foi o jeito que eu achei de sobreviver. Quem sou hoje? Não importa. Porque o presente é um caminho que estou percorrendo, são outras escolhas e outras revelações. Sei que ainda ei de pintar tantos outros quadros, felizes ou não. O que eu não posso mesmo é me afastar do real.
E hoje eu lembrei de quando eu deitava e via estes quadros no telhado da casa da minha mãe. No meu antigo quarto onde eu deixei alguns quadros que eu nunca mais quero ver.
Eu entro nas pessoas, é estranho isso, eu realmente entro nas pessoas, porém não é todo mundo que eu deixo entrar porque as pessoas podem me machucar, porque eu posso machucar as pessoas com o que há aqui dentro. Não tenho como me defender de mim, assim como me guardar é a única forma de proteger os outros da minha tristeza, que quase nunca se mostra. Que vive escondida no canto de um riso solto, de chistes e que reside em uma ou duas frases secas e cruel quando alguém me pede um pouquinho de realidade. É que eu não poderia ter vivido tudo e continuar a mesma meninoca que adora o colo do avô, porque nem o meu avô existe mais. Imagine uma exposição de um artista desconhecido que não assina seus quadros, imagine um galeria com quadros amontoados - quando eu penso nos meu sentimentos lembro dos quadros do Portinari, pois sim - são como os quadros do Portinari sobre a seca, são crus, são doloridos de tão reais que são, estão amontoados e também não estão organizados por tema ou estilo, são os quadros que contam sobre o que passei e nada foi esquecido, está tudo lá. Cada dor, cada despedida, cada escolha. Minha. Dos outros. E as vezes sabe, apago a luz da galeria e deixo de ver, e até parece por alguns dias que estes quadros nem existem, mas a vida me obriga a acender a luz para lembrar que está é minha história e não pode ser esquecida.
Não tenho vergonha dos meus quadros, claro que por muitos anos tive medo deles - como quando conheci Portinari e fiquei com medo dos rostos da seca - mas eu cresci e não tenho mais medo. Tem alguns que eu até tenho uma afeto maior, que quietinha sento a sua frente, fecho os olhos e medito e consigo vivê-los novamente. Porque eu acabei criando afeto por algumas dores, e não se larga afetos da infância. Como não dá também pra se desfazer de pai e mãe. Do sangue. Fisicamente sou esta, não posso ser outra e nem quero ser. Do meu passado sobraram estes quadros que são coleção particular. Fui eu, foi o jeito que eu achei de sobreviver. Quem sou hoje? Não importa. Porque o presente é um caminho que estou percorrendo, são outras escolhas e outras revelações. Sei que ainda ei de pintar tantos outros quadros, felizes ou não. O que eu não posso mesmo é me afastar do real.
E hoje eu lembrei de quando eu deitava e via estes quadros no telhado da casa da minha mãe. No meu antigo quarto onde eu deixei alguns quadros que eu nunca mais quero ver.
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quinta-feira, abril 05, 2012
É. Estou em processo.
Fiz bagunça, dentro e fora de mim. Tirei livros, discos, dvds, roupas do lugar. Fiquei com tanta dor no pé (por dentro, por fora) que passei uma semana sem colocá-lo no chão novamente. Eu sai do chão por alguns dias. Quis organizar as coisas e acabei bagunçando ainda mais, porque não era a hora de colocar as coisas no lugar. Meditei, me amei de dentro pra fora. Me permiti chorar e não precisei, não é que as lágrimas acabaram, ou eu tenha perdido a esperança, é que eu não preciso chorar porque tenho me revelado de uma maneira muito generosa comigo mesma. Tenho me doado a esse encontro, acreditado nele e respeitado seus caminhos, só sigo, não questiono como antes. É doar. E é uma doação diferente, é doar-se para mim. É respeitar os meus momentos, o meu tempo, os meus silêncios, os meus gritos. É ouvir a mim em primeiro lugar. Agora de fato no primeiro lugar. Porque EU me dei esse direito.
quinta-feira, março 29, 2012
Porque eu tive...
Não podia mais, não suportava o peso. Era muita gente amontoada nos meus cantos, era muita história boa e ruim, era muito pathos. Tinha hora que eu era uma multidão, eu era meus irmãos, meus amigos, meus amores, meu marido, e acabava não sendo eu. Porque eu tenho essa mania de ser por inteiro, e quando eu me coloco no lugar de alguém eu levo a sério e simplesmente deixo de ser. Porém aprendi no teatro que entre um papel e outro o ator merece um intervalo, eu merecia e fiz.
Pode ser que eu tenho sido abrupta, até posso ter deixado um monte de gente sem explicação, mas é que eu estava sentindo sem controle. Movida por uma necessidade louca e ininterrupta de ser eu. Eu mesma, sem máscaras e pessoas. Sem nada imutável, sem verdade e relações absolutas. E quando eu cheguei lá, quando finalmente me desliguei de todo mundo, era uma noite de um dia da semana que eu não lembro, mas era noite disso eu tenho certeza, peguei uma toalha e fui ao banheiro tomar um banho, desliguei a luz, sentei no chão de chuveiro ligado, água quentinha e fiquei lá em silêncio. Nunca mais tinha estado tão sozinha, tão inteira. Eu estava recomeçando dali. Só existia o de hoje em diante e era quase mágico. Algumas fichas caíram e eu voltava a ser minha, mesmo que dividida em cacos mas era minha. E tudo o que eu fiz se justificava e fazia um sentido lúcido.
As relações necessárias voltam, as impostas também, mas hoje não, só quando eu estiver pronta pra voltar aos palcos. Ainda estou carinhando meu ego, colando pedaços, me curtindo. Um dia quem sabe, eu restabeleça algumas das relações que desfiz esses dias, porém para isso eu preciso ser outra e os relacionados também. Porque eu não mais permitirei invasões e/ou pesos nos meus cantos. E também preciso possuir novamente a vontade (necessidade) honesta destas pessoas, porque eu não tenho. A distância me fez perceber que eu me impunha pessoas (mãe, pai e...) e eu não posso mais, estou vivenciando um momento libertador. Caminhando lagarta. Eu sou bicho, especificamente daquele tipo que se despede dos pais para encontrar seu caminho. Aí está a minha despedida de libertação e (honestamente) sem olhar pra trás nenhuma vez.
Pode ser que eu tenho sido abrupta, até posso ter deixado um monte de gente sem explicação, mas é que eu estava sentindo sem controle. Movida por uma necessidade louca e ininterrupta de ser eu. Eu mesma, sem máscaras e pessoas. Sem nada imutável, sem verdade e relações absolutas. E quando eu cheguei lá, quando finalmente me desliguei de todo mundo, era uma noite de um dia da semana que eu não lembro, mas era noite disso eu tenho certeza, peguei uma toalha e fui ao banheiro tomar um banho, desliguei a luz, sentei no chão de chuveiro ligado, água quentinha e fiquei lá em silêncio. Nunca mais tinha estado tão sozinha, tão inteira. Eu estava recomeçando dali. Só existia o de hoje em diante e era quase mágico. Algumas fichas caíram e eu voltava a ser minha, mesmo que dividida em cacos mas era minha. E tudo o que eu fiz se justificava e fazia um sentido lúcido.
As relações necessárias voltam, as impostas também, mas hoje não, só quando eu estiver pronta pra voltar aos palcos. Ainda estou carinhando meu ego, colando pedaços, me curtindo. Um dia quem sabe, eu restabeleça algumas das relações que desfiz esses dias, porém para isso eu preciso ser outra e os relacionados também. Porque eu não mais permitirei invasões e/ou pesos nos meus cantos. E também preciso possuir novamente a vontade (necessidade) honesta destas pessoas, porque eu não tenho. A distância me fez perceber que eu me impunha pessoas (mãe, pai e...) e eu não posso mais, estou vivenciando um momento libertador. Caminhando lagarta. Eu sou bicho, especificamente daquele tipo que se despede dos pais para encontrar seu caminho. Aí está a minha despedida de libertação e (honestamente) sem olhar pra trás nenhuma vez.
quinta-feira, março 15, 2012
Por uma nova causa. Eu mesma.

Não que eu não venha me dedicando a mim nesses últimos anos, mas sinto que não estava fazendo isso certo. E estou feliz demais por reconhecer isso, hoje mais forte e preparada pra essa constatação. Mesmo que eu tenha perdido umas partes de mim nessa jornada me sinto inteira, da maneira exata que eu imaginava que estaria quando chegasse aqui. É fato - disso não tinha dúvidas - eu estaria exatamente assim quando estivesse pronta para dar o primeiro passo para fora do cercadinho. Só não sabia a hora exata que isso ia acontecer mais eu estava pronta. E entendo agora o porque de um monte de coisas. Das minhas vírgulas, nos textos, na vida. Tenho sentido a necessidade de pontos finais. Pontos que realmente me desacelerem. E assim nesse movimento natural venho aprendendo a substituir as minhas vírgulas por pontos, mesmo que não sejam pontos definitivos, porém devem ser bem marcados. Na vida, nos textos.
Porque é para mim que escrevo e ninguém mais. É para entender, absorver das palavras que dançam na minha cabeça o tempo todo, tudo que há em mim e me escapa dos sentidos. É por isso que absorvi essa mania de enfileirar palavras. Assim elas fazem mais sentido, aqui fora diante dos meus olhos e não atrás deles. Tenho direcionado a minha atenção aos meus sinais, tenho me dedicado a mim numa espécie de quarentena interior. E já consigo ver progresso. Estou no sexto livro do ano, lendo vorazmente já que não mais me preocupo tanto com tantas pessoas. Deixei de ser um zoológico aberto 24 horas, pessoas visitando o tempo inteiro, vigiando os meus chipanzés. Meus animais interiores agora andam calminhos, sós entre eles, ando retirando as jaulas aos poucos porque eles se desacostumaram a viver fora das suas respectivas grades. Ando lendo para o leão baixinho para acalmá-lo, livros cheios de esperança e humanidade para que aprendamos a viver sem as grades em harmonia. Não sou ingênua para achar que não vai dar briga, que eu vou conseguir convencer o leão a tornar-se vegetariano e para de comer os meus pedaços, não eu já passei dessa fase. Estou na verdade dedicada a explicar a ele as coisas e os animais que mais gosto do meu zoológico e peço com afeto que ao menos os meus prediletos sejam poupados, que ele só ataque para se alimentar e defender-se de perigos verdadeiros, que eu prometo que em troca vou tentar fazer o mesmo do meu lado de fora, atacar para me alimentar e defender-me de perigos verdadeiros. Vou mostrar-me segura, como eu sou por dentro, mostrar aos meus chipanzés que eu ainda jogo cocô nas pessoas vez em quando, que eu ainda sou curiosa como eles e posso sim mostrar-me esperta mesmo não sendo igual aos outros. Tenho que manter-me longe de tristezas avassaladoras que sempre me derrubam como tempestades de verão. Tenho que esquecer muito coisa aprendida depois de muito tempo em cativeiro, relembrar alguns instintos, escutar os meus animais do zoo e voltar a rir sozinha sem sentir falta de nenhum amigo de cativeiro que não conseguiu fugir comigo. Lembrar de não levar muito a sério as minhas penas da cabeça e correr por aí bagunçando-as. Também não me importar se tem alguém observando eu me lamber, eu lambendo a minha cria ou catando carrapato de algum amigo enquanto intercalo cafunés. Eu sou bicho-gente, tentando lembrar como é ser bicho-solto. E sabe do que mais, eu vou ali aproveitar o fim de tarde lendo pro meu leão.
sábado, março 10, 2012
O óculos. A tarde. Os companheiros.
Não olhei nos seus olhos no dia em que nos vimos da primeira vez, nem me detive no seu nariz tão evidente, no teu olhar sério ou na tua cara de CDF. Não, eu estava numa escola nova me sentindo o patinho feio, e quando eu não estou insegura acabo me escondendo na minha carranca, na minha audácia e na porra louquice. A gente não se olhou e foi amor a primeira vista não, ainda bem. Seu olhar para mim não dizia nada. Mas passaram se os anos e eu dividi meus textos com você, alguns segredos e finalmente a gente era amigo de se reconhecer um no olhar do outro. Mas não a gente não estava apaixonado, ainda bem. Você me ensinava física, química e matemática e eu não te ensinava nada. Lia como louca o que não era matéria da aula, discutia no corredor a conjuntura da educação no país, no estado, na nossa escola e atrapalhava a tua aula que por acaso era a minha também, porém eu cabulava quase sempre as aulas de exatas. Você me acompanhava ouvindo minhas ideias, compartilhando pensamentos e quando percebi você fazia parte do grêmio, do movimento político da escola e estávamos em sintonia, finalmente além de amigos tínhamos alguma coisa em comum para fazer, mas não a gente não estava apaixonado, ainda bem.
Tenho a sorte de saber o dia exato que você se apaixonou por mim, em um final de tarde na reunião que havíamos marcado para formar um grupo para passar o legado do que havíamos conquistado todos juntos no grêmio, já não estudávamos na mesma sala e nos conhecíamos há mais de dois anos, eu entrei usando óculos pela primeira vez na frente dos amigos, um óculos de grau de armação grossa e com formato engraçado, a minha cara. Sentei no birô e peguei meus apontamentos ia falar pra os novatos e incentiva-los a levar o projeto do grêmio adiante e um tempo depois você me contou que olhou para mim ali sentada, falando e balançou a cabeça como se estivesse zonzo sem acreditar que me via diferente. Seriam os óculos?? Acho que não, realmente ali eu já era outra mesmo, bem diferente da menina que você havia conhecido lá atrás, tantos namoros, tantas leituras, festas, amigos e lutas me transformaram, e sim meu querido amigo você naquele dia se apaixonou por mim a primeira vista, ainda bem. E eu? Bem, para variar eu estava noutra. E fiquei nesse outro por um tempo ainda, porque eu precisava e você sabia disso. Uns meses depois, você me contou tenso, ansioso que a amizade era diferente, que você havia se apaixonado e eu? Estava pronta para vê-lo diferente e passei a ver. Assim fácil. Acho que a gente foi construindo esse novo olhar. sabe há quanto tempo isso aconteceu? quase sete anos. Onde estamos hoje? no nosso apertamento um no quarto estudando e o outro no PC escrevendo. Casados, apaixonados, cúmplices, grandes amigos ainda, ainda bem.
Tanta água passou por esse rio. Foi tanta água e a gente já teve que dar boas braçadas juntos para não se separar, para virar adulto e não perder o freio. E aqui estamos juntos, muitos anos depois daquela tarde e dos meus óculos que nem existem mais. Não importa quanto tempo já passou, mas quanto ainda há de vir e é claro que a gente continue existindo e que ainda sejamos grandes companheiros.
Tenho a sorte de saber o dia exato que você se apaixonou por mim, em um final de tarde na reunião que havíamos marcado para formar um grupo para passar o legado do que havíamos conquistado todos juntos no grêmio, já não estudávamos na mesma sala e nos conhecíamos há mais de dois anos, eu entrei usando óculos pela primeira vez na frente dos amigos, um óculos de grau de armação grossa e com formato engraçado, a minha cara. Sentei no birô e peguei meus apontamentos ia falar pra os novatos e incentiva-los a levar o projeto do grêmio adiante e um tempo depois você me contou que olhou para mim ali sentada, falando e balançou a cabeça como se estivesse zonzo sem acreditar que me via diferente. Seriam os óculos?? Acho que não, realmente ali eu já era outra mesmo, bem diferente da menina que você havia conhecido lá atrás, tantos namoros, tantas leituras, festas, amigos e lutas me transformaram, e sim meu querido amigo você naquele dia se apaixonou por mim a primeira vista, ainda bem. E eu? Bem, para variar eu estava noutra. E fiquei nesse outro por um tempo ainda, porque eu precisava e você sabia disso. Uns meses depois, você me contou tenso, ansioso que a amizade era diferente, que você havia se apaixonado e eu? Estava pronta para vê-lo diferente e passei a ver. Assim fácil. Acho que a gente foi construindo esse novo olhar. sabe há quanto tempo isso aconteceu? quase sete anos. Onde estamos hoje? no nosso apertamento um no quarto estudando e o outro no PC escrevendo. Casados, apaixonados, cúmplices, grandes amigos ainda, ainda bem.
Tanta água passou por esse rio. Foi tanta água e a gente já teve que dar boas braçadas juntos para não se separar, para virar adulto e não perder o freio. E aqui estamos juntos, muitos anos depois daquela tarde e dos meus óculos que nem existem mais. Não importa quanto tempo já passou, mas quanto ainda há de vir e é claro que a gente continue existindo e que ainda sejamos grandes companheiros.
quinta-feira, março 08, 2012
E se...?
Se tudo tivesse sido diferente, terminado diferente o que seria a gente? Um tal casal? Depois de tanta intimidade e cotidiano será que daríamos conta de nos aventurar a ser um tal casal começando do zero? Ou pior, de onde estávamos que já era bem longe e estragaria o contexto irremediavelmente, eu sei, porque te conheço. Crescemos juntos. Não consigo me imaginar vivendo esse tal casal caprichoso, nunca senti vontade de correr ao seu encontro, viver cena de filme contigo de casal apaixonadinho. Cansa. Colecionamos tantos por-do-sóis visto de dentro do mar, madrugadas de conversa, sonhos e sonos juntos, confidências de pé de ouvido, de olho no olho, dividimos medos, conquistas, amores, paixões, comida no mesmo prato, vodca do mesmo copo, cama de solteiro, cama de casal, cigarros, férias e datas especiais. Porque tudo isso não foi suficiente? Porque o que eu dava para mim era tudo que tinha e para você sempre foi pouco?
E se conseguíssemos entender a gente, liberar o super ego e falar sem omissões sobre nós, será que algo sobraria de lembrança? Ou será que finalmente colocaríamos essa história em seu lugar? Nunca saberemos. O que eu sei é que não troco sexo pelo que tivemos, não troco o que construímos (principalmente os bons momentos sem brigas e DRs) para formar esse tal casal. Porque seria uma mentira, porque não seria recíproco, porque depois de um tempo esse joguinho ficou para mim indigesto, chatinho e cansativo. Porque - e isso pode ser até cruel - eu te conheço demais para cair no seu papo de vida a dois, nunca esqueça quanto tempo faz que nos conhecemos, principalmente o dia que passamos a conversar com olhares e gestos. Era o que eu podia te oferecer de mais audacioso e honesto, mas não, não era o suficiente, você ficou preso no e se... por anos, confabulando o e se..., guardando seus planos para ele. Planos que não foram compartilhados comigo, logo nós dois que compartilhávamos a vida a tanto tempo.
Como eu fico sem o abraço de urso, sem o cacho enrolado no dedo e um filme no cinema? Como eu fico se eu não posso me obrigar, principalmente por que eu não quero, a viver do seu e se...? Sabe... eu quero um e se... diferente pra nós. Mais ou menos assim: e se você fosse franco, e se você esperasse menos, e se você tivesse sido compreensivo e respeitado meu querer, e se você não fosse possessivo e se não criasse a obrigatoriedade de ter sempre razão, e se não brigássemos tanto, e se esse contrato de amizade fosse melhor redigido, e se eu não conhecesse seus defeitos tão bem, e se você quisesse ser alguém melhor, e se a gente não tivesse tentando ficar junto há muito tempo atrás. E se eu precisasse tanto de você e nem você de mim, e se conseguíssemos construir algo mais saudável e até mais sólido. Porque teve uma época que foi pesado, cansativo e sem expectativa de melhoras, e um dia qualquer por volta das três da tarde você me desencantou, não fez nada grave não, foi sutil você nem percebeu, porém eu olhei pra você e pensei para que e por que a gente ainda tá nessa? E eu não tinha mais motivo para estar lá, só a certeza da saudade irracional que eu sentiria se tudo aquilo acabasse, mas sim meu querido eu tinha desistido de você, e você até pensa que foi sem tentar, porém saiba que teve uma época que eu tentei, que eu questionei a possibilidade do tal casal e você não me contagiou com seu projeto. Não me deu vontade de largar o status de amiga, porque só isso que você queria trocar o meu status, saliva e secreções e eu achei pouco o que você oferecia para trocar por tudo que eu dava e não aceitei, tudo foi bem rápido mas aconteceu e você nem notou que aquela era sua chance. Talvez ainda estava confabulando o e se...? Apanhei minhas bolinhas de gude e mesmo triste decidi não mais brincar com você, por mais que você fosse um pessoa que eu ame tanto sem nem saber direito de onde isso vem. E eu estou assim agora aposentada do nosso joguinho.
E se conseguíssemos entender a gente, liberar o super ego e falar sem omissões sobre nós, será que algo sobraria de lembrança? Ou será que finalmente colocaríamos essa história em seu lugar? Nunca saberemos. O que eu sei é que não troco sexo pelo que tivemos, não troco o que construímos (principalmente os bons momentos sem brigas e DRs) para formar esse tal casal. Porque seria uma mentira, porque não seria recíproco, porque depois de um tempo esse joguinho ficou para mim indigesto, chatinho e cansativo. Porque - e isso pode ser até cruel - eu te conheço demais para cair no seu papo de vida a dois, nunca esqueça quanto tempo faz que nos conhecemos, principalmente o dia que passamos a conversar com olhares e gestos. Era o que eu podia te oferecer de mais audacioso e honesto, mas não, não era o suficiente, você ficou preso no e se... por anos, confabulando o e se..., guardando seus planos para ele. Planos que não foram compartilhados comigo, logo nós dois que compartilhávamos a vida a tanto tempo.
Como eu fico sem o abraço de urso, sem o cacho enrolado no dedo e um filme no cinema? Como eu fico se eu não posso me obrigar, principalmente por que eu não quero, a viver do seu e se...? Sabe... eu quero um e se... diferente pra nós. Mais ou menos assim: e se você fosse franco, e se você esperasse menos, e se você tivesse sido compreensivo e respeitado meu querer, e se você não fosse possessivo e se não criasse a obrigatoriedade de ter sempre razão, e se não brigássemos tanto, e se esse contrato de amizade fosse melhor redigido, e se eu não conhecesse seus defeitos tão bem, e se você quisesse ser alguém melhor, e se a gente não tivesse tentando ficar junto há muito tempo atrás. E se eu precisasse tanto de você e nem você de mim, e se conseguíssemos construir algo mais saudável e até mais sólido. Porque teve uma época que foi pesado, cansativo e sem expectativa de melhoras, e um dia qualquer por volta das três da tarde você me desencantou, não fez nada grave não, foi sutil você nem percebeu, porém eu olhei pra você e pensei para que e por que a gente ainda tá nessa? E eu não tinha mais motivo para estar lá, só a certeza da saudade irracional que eu sentiria se tudo aquilo acabasse, mas sim meu querido eu tinha desistido de você, e você até pensa que foi sem tentar, porém saiba que teve uma época que eu tentei, que eu questionei a possibilidade do tal casal e você não me contagiou com seu projeto. Não me deu vontade de largar o status de amiga, porque só isso que você queria trocar o meu status, saliva e secreções e eu achei pouco o que você oferecia para trocar por tudo que eu dava e não aceitei, tudo foi bem rápido mas aconteceu e você nem notou que aquela era sua chance. Talvez ainda estava confabulando o e se...? Apanhei minhas bolinhas de gude e mesmo triste decidi não mais brincar com você, por mais que você fosse um pessoa que eu ame tanto sem nem saber direito de onde isso vem. E eu estou assim agora aposentada do nosso joguinho.
domingo, fevereiro 26, 2012
Das coisas que eu não entendo.
Creio que tudo possui várias perspectivas, tudo. E por isso me dou ao luxo de pensar em tudo um milhão de vezes ou até não conseguir extrair mais nada da tal vivência em questão. É óbvio que tem coisas que eu já dediquei horas e que ainda não entendi, e talvez nunca entenderei e não me importa isso, o que importa mesmo é ter pensando, dedicado horas da minha vida a questionar, entender e construir o que é opinião minha e não consenso coletivo.
Vendo tv, acabei numa entrevista de João Carlos Martins, pianista e hoje regente, que desde sempre só olhar pra ele em qualquer lugar enche meus olhos de lágrimas, gera um choro engasgado uma dor na espinha, porque só quem já viveu pelo menos um dia na vida com a mão atrofiada consegue ter a dimensão do que é aquilo, principalmente para um pianista por exemplo. Sei que não sou como escritora nem de muito longe o pianista que ele foi, porém, talvez eu já tenha chorado as mesmas lágrimas. Lágrimas de quem conversa com as mãos e tem que reaprender a falar com o resto do corpo, a dor de não poder mais ser a única coisa que você tinha certeza que era, não mais poder fazer o que te move, e o pior de tudo porque visívelmente e existem provas médicas que você não pode mais. Não há um não querer, é um não poder.
É quando a vida te nega uma esmola, você precisa daquilo pra viver, pelo menos é assim pra você - é o seu alimento, a sua essência vital - mas a vida diz olhando nos teus olhos sem piedade, perdoe. Vivi algumas vezes esse momento, um cara de branco olhando nos meus olhos dizendo você tem que parar, não era definitivo (ainda), porém não deixava de ser cruel por não ser.
E sobre não poder escrever, levantar um copo para beber água, tomar banho e trocar de roupa eu já pensei horas a fio, já chorei um mar de lágrimas e já consegui contaminar algumas coisas aqui dentro com um pesar, talvez, irreparável. Você não sai de uma lesão, de um imobilização, você não engole um não como esse fácil. Você tem que enlutar, pensar e sofrer horrores questionar a vida e acabar pensando na morte, como coisa boa, como coisa ruim. Ruminar a sentença do não poder, eu transcritora braille há tanto tempo, que conheço tantas pessoas sentenciadas, que nunca poderam ver nada na vida, ou nunca mais poderam ver nada para o resto da vida. Eu, que poderia ser tão mais calejada, mais forte, choro o meu não poder e as minhas dores como se não tivesse experiência nenhuma, porque realmente não tenho. Depois de muito pensar entendi que existe a minha dor, e principalmente a minha perspectiva da dor, e quem me enxerga possui uma visão diferente sobre a minha dor. E essa dor de perder algo individual não pode ser encarrada como uma vivência coletiva. Os meus amigos, meu marido e o resto da família tem visões diferentes da minha dor e a minha dor causa neles dores que eu desconheço. Mas aquele tal João Carlos Martins ainda me comove, e eu tenho que entender porque me comove tanto assim.
Amo arte e pessoas, amo a humanidade que existe nas duas. Uma das minhas certezas na vida. Amo as palavras e suas eternizações profundamente, amo as palavras que dançam na minha cabeça 24 horas por dia. Eu sou palavra, me apresento as pessoas através delas, me exponho através delas, me componho através delas e sinceramente, não vivo sem elas. E gosto do poder de ser regente das minhas palavras, de possuí-las nas pontas dos meus dedos, as palavras estão aqui nas minhas mãos, o problema são as minhas mãos, que não são de boa qualidade eu diria, tentando amenizar o tom do papo, são as dores cotidianas que as palavras me causam e o que escrever já interfiriu na minha vida para ruim. Mesmo que o que escrever me deu de bom na vida sobresaia eu não posso deixar de perceber o óbvio que me é demostrado todos os dias, quase em doses homeopáticas (as vezes não) que as palavras vão ter que encontrar um novo jeito de sair de dentro de mim, porque por algum motivo caprichoso as mãos um dia não mais poderão regê-las, assim como um dia João Carlos Martins deixou de fazer música atráves das suas mãos nos pianos, eu reles eu que como já disse não sou de escritora nem de muito longe o pianista que ele foi, um dia - espero que ainda distante - quando não mais poderei escrever palavras num papel, num computador ou nas paredes da minha casa e tudo for passodo não tão distante, deverei me lembrar que o que me mantém confiante é que elas nunca poderão sair da minha cabeça e isso me conforta mesmo que meu corpo inteiro esteja atrofiado eu ainda serei palavra em essência, porque no mais profundo de mim é só isso que existe.
Vendo tv, acabei numa entrevista de João Carlos Martins, pianista e hoje regente, que desde sempre só olhar pra ele em qualquer lugar enche meus olhos de lágrimas, gera um choro engasgado uma dor na espinha, porque só quem já viveu pelo menos um dia na vida com a mão atrofiada consegue ter a dimensão do que é aquilo, principalmente para um pianista por exemplo. Sei que não sou como escritora nem de muito longe o pianista que ele foi, porém, talvez eu já tenha chorado as mesmas lágrimas. Lágrimas de quem conversa com as mãos e tem que reaprender a falar com o resto do corpo, a dor de não poder mais ser a única coisa que você tinha certeza que era, não mais poder fazer o que te move, e o pior de tudo porque visívelmente e existem provas médicas que você não pode mais. Não há um não querer, é um não poder.
É quando a vida te nega uma esmola, você precisa daquilo pra viver, pelo menos é assim pra você - é o seu alimento, a sua essência vital - mas a vida diz olhando nos teus olhos sem piedade, perdoe. Vivi algumas vezes esse momento, um cara de branco olhando nos meus olhos dizendo você tem que parar, não era definitivo (ainda), porém não deixava de ser cruel por não ser.
E sobre não poder escrever, levantar um copo para beber água, tomar banho e trocar de roupa eu já pensei horas a fio, já chorei um mar de lágrimas e já consegui contaminar algumas coisas aqui dentro com um pesar, talvez, irreparável. Você não sai de uma lesão, de um imobilização, você não engole um não como esse fácil. Você tem que enlutar, pensar e sofrer horrores questionar a vida e acabar pensando na morte, como coisa boa, como coisa ruim. Ruminar a sentença do não poder, eu transcritora braille há tanto tempo, que conheço tantas pessoas sentenciadas, que nunca poderam ver nada na vida, ou nunca mais poderam ver nada para o resto da vida. Eu, que poderia ser tão mais calejada, mais forte, choro o meu não poder e as minhas dores como se não tivesse experiência nenhuma, porque realmente não tenho. Depois de muito pensar entendi que existe a minha dor, e principalmente a minha perspectiva da dor, e quem me enxerga possui uma visão diferente sobre a minha dor. E essa dor de perder algo individual não pode ser encarrada como uma vivência coletiva. Os meus amigos, meu marido e o resto da família tem visões diferentes da minha dor e a minha dor causa neles dores que eu desconheço. Mas aquele tal João Carlos Martins ainda me comove, e eu tenho que entender porque me comove tanto assim.
Amo arte e pessoas, amo a humanidade que existe nas duas. Uma das minhas certezas na vida. Amo as palavras e suas eternizações profundamente, amo as palavras que dançam na minha cabeça 24 horas por dia. Eu sou palavra, me apresento as pessoas através delas, me exponho através delas, me componho através delas e sinceramente, não vivo sem elas. E gosto do poder de ser regente das minhas palavras, de possuí-las nas pontas dos meus dedos, as palavras estão aqui nas minhas mãos, o problema são as minhas mãos, que não são de boa qualidade eu diria, tentando amenizar o tom do papo, são as dores cotidianas que as palavras me causam e o que escrever já interfiriu na minha vida para ruim. Mesmo que o que escrever me deu de bom na vida sobresaia eu não posso deixar de perceber o óbvio que me é demostrado todos os dias, quase em doses homeopáticas (as vezes não) que as palavras vão ter que encontrar um novo jeito de sair de dentro de mim, porque por algum motivo caprichoso as mãos um dia não mais poderão regê-las, assim como um dia João Carlos Martins deixou de fazer música atráves das suas mãos nos pianos, eu reles eu que como já disse não sou de escritora nem de muito longe o pianista que ele foi, um dia - espero que ainda distante - quando não mais poderei escrever palavras num papel, num computador ou nas paredes da minha casa e tudo for passodo não tão distante, deverei me lembrar que o que me mantém confiante é que elas nunca poderão sair da minha cabeça e isso me conforta mesmo que meu corpo inteiro esteja atrofiado eu ainda serei palavra em essência, porque no mais profundo de mim é só isso que existe.
terça-feira, fevereiro 21, 2012
QUERO FAZER COCÔ NA CASA DO PEDRINHO!
Seria bom poder cometer meus erros, dar meus chiliques e testar minhas novas atitudes na vida de alguém, no corpo de alguém, se existisse na vida a possibilidade de fazer merda na casa do Pedrinho. Ando cansada de testar a minha capacidade de lidar com dores emocionais no meu próprio corpo. Exausta. Ando de um jeito que um apertãozinho qualquer e eu me desfaço em lágrimas de dores emocionais, físicas, que eu não sei lidar sem remédios e pessoas por perto.
Não acredito que deus só da a cruz que a gente pode carregar, a merda que a gente pode por para fora e lá vai. Não acredito em deus e sua incrível misericórdia. Queria acreditar que existe essa tal casa do Pedrinho onde cocô não fede e é tudo limpinho, onde há a tal mãe do pedrinho que é solicita e gentil como deveriam ser todas as mães e abre a porta sorridente pra gente cagar lá, porque cagar na casa (vida) da gente anda difícil. Quero encontrar esse lugar onde despejar merda, vivências ruins e cheias de dores que eu carrego aqui dentro, seja aceitável. Quero sair da casa do Pedrinho feliz, sentindo o cheirinho bom de casa limpa fora do banheiro por mim tão desejado, quero me sentir acolhida e ando tão afetada emocionalmente que a casa do Pedrinho pra mim já é de bom tamanho.
Colocar pra fora os meus medos guardados, as minhas dores, essas responsabilidades que carrego que não são minhas, os meus lutos, o que eu não entendo, o que eu não aceito mesmo entendendo. Eu tenho um mundo pra descarregar na casa do Pedrinho, resta saber onde é esse lugar e se a mãe dele vai abrir a porta pra mim.
Não acredito que deus só da a cruz que a gente pode carregar, a merda que a gente pode por para fora e lá vai. Não acredito em deus e sua incrível misericórdia. Queria acreditar que existe essa tal casa do Pedrinho onde cocô não fede e é tudo limpinho, onde há a tal mãe do pedrinho que é solicita e gentil como deveriam ser todas as mães e abre a porta sorridente pra gente cagar lá, porque cagar na casa (vida) da gente anda difícil. Quero encontrar esse lugar onde despejar merda, vivências ruins e cheias de dores que eu carrego aqui dentro, seja aceitável. Quero sair da casa do Pedrinho feliz, sentindo o cheirinho bom de casa limpa fora do banheiro por mim tão desejado, quero me sentir acolhida e ando tão afetada emocionalmente que a casa do Pedrinho pra mim já é de bom tamanho.
Colocar pra fora os meus medos guardados, as minhas dores, essas responsabilidades que carrego que não são minhas, os meus lutos, o que eu não entendo, o que eu não aceito mesmo entendendo. Eu tenho um mundo pra descarregar na casa do Pedrinho, resta saber onde é esse lugar e se a mãe dele vai abrir a porta pra mim.
domingo, fevereiro 05, 2012
Banho quente por favor!
Adoraria sentar num canto do quarto, abraçar os joelhos e chorar aquele choro que é que nem aquele catarro de pneumonia que a gente tem desde criança que tá lá envelhecendo no pulmão e sempre volta com gripe forte. Pois bem, quero chorar esse choro-catarro. Quero sentar lá e só sair quanto alguma coisa fizer sentido, porém é domingo a noite, e amanhã sete da matina eu tenho que trabalhar mesmo que não haja sentido algum.
Sempre tomo banho de luz apagada, mania mesmo, sempre sendo dia ou não, gosto de estar sozinha no escuro e no banheiro, de preferência com o chuveiro ligado no máximo bem frio quando a vida tá boa, bem quente quanto eu quero muito um abraço. Cheguei em casa agora louca por um banho e fui direto pro banheiro, sem roupa e com a toalha na mão desliguei a luz, acomodei a toalha e entrei no box e fiquei na dúvida entre água fria ou quente, entende? Entre felicidade e tristeza, entre vontade de abraço e vontade de dancinha ridícula com canto desafinado.
Porque ando pensado tanto que nem sei mais se está sendo bom ou ruim, ando lendo tanto que nem sei mais se isso me eleva ou se me expõe a minha pequenez, nem sei mais se estou chegando em algum lugar ou se nunca estive tão perdida. Esperei por 5 minutos que o chuveiro me soprasse a escolha, devaneando pensei: mas hoje foi um dia não muito bom eu estive disponível para pessoas o dia inteiro o único momento realmente meu hoje foi um sorvete no fim da tarde e esse banho e eu estou tão cansada dessa minha disponibilidade eterna. Água quente por favor, bem forte e bem quente.
Sempre tomo banho de luz apagada, mania mesmo, sempre sendo dia ou não, gosto de estar sozinha no escuro e no banheiro, de preferência com o chuveiro ligado no máximo bem frio quando a vida tá boa, bem quente quanto eu quero muito um abraço. Cheguei em casa agora louca por um banho e fui direto pro banheiro, sem roupa e com a toalha na mão desliguei a luz, acomodei a toalha e entrei no box e fiquei na dúvida entre água fria ou quente, entende? Entre felicidade e tristeza, entre vontade de abraço e vontade de dancinha ridícula com canto desafinado.
Porque ando pensado tanto que nem sei mais se está sendo bom ou ruim, ando lendo tanto que nem sei mais se isso me eleva ou se me expõe a minha pequenez, nem sei mais se estou chegando em algum lugar ou se nunca estive tão perdida. Esperei por 5 minutos que o chuveiro me soprasse a escolha, devaneando pensei: mas hoje foi um dia não muito bom eu estive disponível para pessoas o dia inteiro o único momento realmente meu hoje foi um sorvete no fim da tarde e esse banho e eu estou tão cansada dessa minha disponibilidade eterna. Água quente por favor, bem forte e bem quente.
sexta-feira, dezembro 23, 2011
O medo de amar é o medo de ser livre* ou Para uma avenca que ainda vai partir
Não que exista algo normal entre nós, longe disso. Mas por esses dias vamos conversar e romper, você ainda não sabe, eu tenho adiado o dia, prolongado as horas e ignorado o inevitável. A gente vai ter que acabar.
O quê? Não me faça por favor perguntas difíceis. Eu também não sei exatamente o que temos. Por quê? Eu até sei sabe, mas isso é papo de horas inteiras reunidas em noite longa e nós não devemos mexer nisso. Vai ser lindo você vai ver, colocaremos um ponto final depois de umas meias verdades, algumas lágrimas e abraços, eu pretendo posicionar esse ponto atrás de uma palavra bem bonita que dê a dimensão do que estamos acabando e de como acabaremos. Mas eu ainda não sei. Estou tentando ver a situação de cima, tentando não procura desculpas ou respostas, pretendo te encontrar num lugar legal, falar de amenidades e depois de alguns silêncios começar mesmo que sem sentido com um 'não quero mais, isso que a gente é, isso que a gente tem que eu não sei definir e tão pouco explicar, não quero mais essa amizade confusa e cheia de sentimentos revirados, eu não posso mais desculpa' seguido de acabou. Esse a gente construído por sentimentos e lágrimas não vai mais existir a partir de hoje. Esse é o grande dia diz tudo, ou se preferir diz nada e só divide o teu silêncio comigo, as minhas lágrimas.
Tenho medo, estou de luto há dias, veio junto com a ideia do ponto final. Fico pensando nas coisas que a gente adora dividir, como elas vão ficar?
Não vai ser fácil porque você sabe né, foram tantas conversas, brigas, músicas, livros, filmes, noites, madrugadas, loucuras, intervalos, praias, almoços, jantares... Foi uma vida mesmo, a vida que existia quando a gente largava a vida de sempre e virava a gente. E que a gente lindo nós fomos, bonito de ver, gostoso de recordar. Mas acabou.
Porque eu preciso. porque você idem. Cortar o laço e ver como a gente funciona efetivamente separado. O amor? Redimensiona. A saudade? se aprende a viver com ela. Só sei que não dá mais para viver em prestações. Não dá pra sangrar junto, nem separado, e o pior, ver o outro sangrar. Não dá, para fingir que é sem importância, que eu não sei que muito é omissão, quando não é mentira. Sentimentos meus. Sentimentos seus. Nossos.
Pode deixar que quando a saudade bater vou cantarolar aquela música baixinho como sempre. Que o que compramos junto, vimos juntos, o que oferecemos ou recebemos do outro vira guardado, lembrança palpável, pelo menos para mim.
Claro que vai doer, que vai demorar pra digerir, engolir e parar de ruminar. A gente é muito um do outro pra simplesmente deixar de ser. Algumas coisas na vida são inexplicáveis, a gente é uma dessas coisas só isso.
Foi mesmo muito importante manter essa coisa que tivemos, que foi tão camaleônica ao longo dos anos. Aprendi muito sobre mim vendo você seguir a sua vida. Cresci nos seus palpites de como fazer melhor do que você, ri horrores da passionalidade de sempre, odeie muitos dos nossos intervalos, quis matar, quis morrer um milhão de vezes mas passou e daqui há alguns dias será lembrança. Passado gostoso de rememorar sentada balançando na rede em tarde quente. Página virada e daqui para frente livro em branco, uma nova caixa de giz, pincel e aquarela, página em branco para desenho livre, poema torto.
Tenho que tirar essa amizade que fura a carne e vive de entranhas das minhas costelas, preciso de espaço pro meu pulmão, de mais um pouquinho de ar. Preciso ver como eu existo sem você e esse elo, preciso te presentear com essa oportunidade também. Estou tentando enfrentar os meus dragões de olhos abertos, sei que vai doer muito, algo beirando o insuportável, mas é que eu quero saber como é não ter os dedos entrelaçados como os nossos. Quero um amor-amigo de caber no peito e esse não cabe mais.
Amo principalmente porque coexiste.
*Música de Beto Guedes.
O quê? Não me faça por favor perguntas difíceis. Eu também não sei exatamente o que temos. Por quê? Eu até sei sabe, mas isso é papo de horas inteiras reunidas em noite longa e nós não devemos mexer nisso. Vai ser lindo você vai ver, colocaremos um ponto final depois de umas meias verdades, algumas lágrimas e abraços, eu pretendo posicionar esse ponto atrás de uma palavra bem bonita que dê a dimensão do que estamos acabando e de como acabaremos. Mas eu ainda não sei. Estou tentando ver a situação de cima, tentando não procura desculpas ou respostas, pretendo te encontrar num lugar legal, falar de amenidades e depois de alguns silêncios começar mesmo que sem sentido com um 'não quero mais, isso que a gente é, isso que a gente tem que eu não sei definir e tão pouco explicar, não quero mais essa amizade confusa e cheia de sentimentos revirados, eu não posso mais desculpa' seguido de acabou. Esse a gente construído por sentimentos e lágrimas não vai mais existir a partir de hoje. Esse é o grande dia diz tudo, ou se preferir diz nada e só divide o teu silêncio comigo, as minhas lágrimas.
Tenho medo, estou de luto há dias, veio junto com a ideia do ponto final. Fico pensando nas coisas que a gente adora dividir, como elas vão ficar?
Não vai ser fácil porque você sabe né, foram tantas conversas, brigas, músicas, livros, filmes, noites, madrugadas, loucuras, intervalos, praias, almoços, jantares... Foi uma vida mesmo, a vida que existia quando a gente largava a vida de sempre e virava a gente. E que a gente lindo nós fomos, bonito de ver, gostoso de recordar. Mas acabou.
Porque eu preciso. porque você idem. Cortar o laço e ver como a gente funciona efetivamente separado. O amor? Redimensiona. A saudade? se aprende a viver com ela. Só sei que não dá mais para viver em prestações. Não dá pra sangrar junto, nem separado, e o pior, ver o outro sangrar. Não dá, para fingir que é sem importância, que eu não sei que muito é omissão, quando não é mentira. Sentimentos meus. Sentimentos seus. Nossos.
Pode deixar que quando a saudade bater vou cantarolar aquela música baixinho como sempre. Que o que compramos junto, vimos juntos, o que oferecemos ou recebemos do outro vira guardado, lembrança palpável, pelo menos para mim.
Claro que vai doer, que vai demorar pra digerir, engolir e parar de ruminar. A gente é muito um do outro pra simplesmente deixar de ser. Algumas coisas na vida são inexplicáveis, a gente é uma dessas coisas só isso.
Foi mesmo muito importante manter essa coisa que tivemos, que foi tão camaleônica ao longo dos anos. Aprendi muito sobre mim vendo você seguir a sua vida. Cresci nos seus palpites de como fazer melhor do que você, ri horrores da passionalidade de sempre, odeie muitos dos nossos intervalos, quis matar, quis morrer um milhão de vezes mas passou e daqui há alguns dias será lembrança. Passado gostoso de rememorar sentada balançando na rede em tarde quente. Página virada e daqui para frente livro em branco, uma nova caixa de giz, pincel e aquarela, página em branco para desenho livre, poema torto.
Tenho que tirar essa amizade que fura a carne e vive de entranhas das minhas costelas, preciso de espaço pro meu pulmão, de mais um pouquinho de ar. Preciso ver como eu existo sem você e esse elo, preciso te presentear com essa oportunidade também. Estou tentando enfrentar os meus dragões de olhos abertos, sei que vai doer muito, algo beirando o insuportável, mas é que eu quero saber como é não ter os dedos entrelaçados como os nossos. Quero um amor-amigo de caber no peito e esse não cabe mais.
Amo principalmente porque coexiste.
*Música de Beto Guedes.
quarta-feira, outubro 26, 2011
Sobre possui opinião (julgamentos)
A vida pode ser muito complicada e cheia de nuances, a minha pode ser ainda pior com ansiedades e tensões que viram dores que acabam tirando o meu mundo do eixo. Ainda assim assumo o compromisso inadiável e honestíssimo de possuir opinião, mesmo que isso de vez em quando me derrube um pouco, mesmo que eu precise várias vezes de tempos em tempos repensar tudo do zero.
Este é um compromisso que tenho com o que pretendo ser na vida e não abro mão mesmo que fure a carne.
Pensando, vivendo um desses momentos de avaliação, questionei o julgamento. Complicado tecer comentários e conclusões, mas vamos lá, tenho aversão a obrigações e ordens impostas então não levo nenhuma religião muito a sério, digo isso para avisar antecipadamente que não me baseio em nenhuma dessas visões absolutas de deus, vivo baseada no acredito que acaba sendo um misto de tudo que li e vivi até aqui. Pois bem, tenho pensado no tal livre arbítrio e nos julgamentos e na ligação entre eles, acho de verdade que ninguém pode se considerar superior a um igual, avaliá-lo e condená-lo a um castigo ou privação depois de um julgamento que nunca conseguirá apurar todas as visões do ocorrido e seu contexto, e nem quero ir por essa caminho tenso e cansativo, mas veja bem, quero argumentar sobre a responsabilidade pessoal de avaliar os acontecimentos e ter um opinião sobre o que muitas vezes acaba também servindo como um julgamento (o mesmo que opinião sobre). Interpreto a máxima (ditado popular, mandamento, seja lá o que for) 'Não julgue para não ser julgado' meio complicada de ser levada ao pé da letra, pelo seguinte, como viver num mundo sem julgamentos? Adoraria viver num sem prejulgamentos, preconceitos e falsos moralismos. Viver num mundo honesto onde as pessoas se importassem com a responsabilidade dos comentários que fazem, quero dizer com isso que alguém que critica ou concorda publicamente com alguém assume instantaneamente a responsabilidade da sua opinião-julgamento, o que leva a crer que a mesma pessoa pensou sobre isso e não o disse levianamente. Nós vivemos assim?
Com isso defendo o meu direito de ter opinião, de fazer julgamentos, de questionar se essa é minha vontade se é assim que eu me manifesto e principalmente, se eu acredito na minha capacidade de avaliar o que é do meu convívio e o que não é. Não admito é a ingenuidade coletiva do não-julgamento, do não questionamento, a obrigatoriedade do bem viver. Não quero instaurar uma guerra, quero apenas poder escolher livremente, as condutas que compartilho e as pessoas que convivo. Obviamente que respeitarei todas as pessoas não iguais a mim, mesmo que acredite estar subentendido reafirmo para evitar confusões, só me reservarei ao direito sem nenhuma culpa de construir uma opinião do outro e quando convier manter distância. E com isso não quero dizer que minha opinião-julgamento deve ser coletiva não, longe disso, fazendo uma analogia seria como um relacionamento aberto de comum acordo, onde está claro para ambas as partes que o outro é livre para pensar e fazer o que quiser desde que esse seja seu desejo mais íntimo.
É muito utópico achar que as pessoas não fazer julgamentos alheios o tempo todo, mesmo que não sejam definitivos o fazem, sem que nada venha a tona e tudo fique suspenso, não vivo nesse mundo, talvez viva num ainda mais utópico que acredita no radicalismo da opinião não ofensiva mas com certeza respeitosa e responsável. Num talvez menos hipócrita.
Este é um compromisso que tenho com o que pretendo ser na vida e não abro mão mesmo que fure a carne.
Pensando, vivendo um desses momentos de avaliação, questionei o julgamento. Complicado tecer comentários e conclusões, mas vamos lá, tenho aversão a obrigações e ordens impostas então não levo nenhuma religião muito a sério, digo isso para avisar antecipadamente que não me baseio em nenhuma dessas visões absolutas de deus, vivo baseada no acredito que acaba sendo um misto de tudo que li e vivi até aqui. Pois bem, tenho pensado no tal livre arbítrio e nos julgamentos e na ligação entre eles, acho de verdade que ninguém pode se considerar superior a um igual, avaliá-lo e condená-lo a um castigo ou privação depois de um julgamento que nunca conseguirá apurar todas as visões do ocorrido e seu contexto, e nem quero ir por essa caminho tenso e cansativo, mas veja bem, quero argumentar sobre a responsabilidade pessoal de avaliar os acontecimentos e ter um opinião sobre o que muitas vezes acaba também servindo como um julgamento (o mesmo que opinião sobre). Interpreto a máxima (ditado popular, mandamento, seja lá o que for) 'Não julgue para não ser julgado' meio complicada de ser levada ao pé da letra, pelo seguinte, como viver num mundo sem julgamentos? Adoraria viver num sem prejulgamentos, preconceitos e falsos moralismos. Viver num mundo honesto onde as pessoas se importassem com a responsabilidade dos comentários que fazem, quero dizer com isso que alguém que critica ou concorda publicamente com alguém assume instantaneamente a responsabilidade da sua opinião-julgamento, o que leva a crer que a mesma pessoa pensou sobre isso e não o disse levianamente. Nós vivemos assim?
Com isso defendo o meu direito de ter opinião, de fazer julgamentos, de questionar se essa é minha vontade se é assim que eu me manifesto e principalmente, se eu acredito na minha capacidade de avaliar o que é do meu convívio e o que não é. Não admito é a ingenuidade coletiva do não-julgamento, do não questionamento, a obrigatoriedade do bem viver. Não quero instaurar uma guerra, quero apenas poder escolher livremente, as condutas que compartilho e as pessoas que convivo. Obviamente que respeitarei todas as pessoas não iguais a mim, mesmo que acredite estar subentendido reafirmo para evitar confusões, só me reservarei ao direito sem nenhuma culpa de construir uma opinião do outro e quando convier manter distância. E com isso não quero dizer que minha opinião-julgamento deve ser coletiva não, longe disso, fazendo uma analogia seria como um relacionamento aberto de comum acordo, onde está claro para ambas as partes que o outro é livre para pensar e fazer o que quiser desde que esse seja seu desejo mais íntimo.
É muito utópico achar que as pessoas não fazer julgamentos alheios o tempo todo, mesmo que não sejam definitivos o fazem, sem que nada venha a tona e tudo fique suspenso, não vivo nesse mundo, talvez viva num ainda mais utópico que acredita no radicalismo da opinião não ofensiva mas com certeza respeitosa e responsável. Num talvez menos hipócrita.
segunda-feira, setembro 26, 2011
Sobre o novo jeito de viver. Querendo ser a Leila Diniz
Vivi coisas esses dias que ainda estou digerindo. Um viagem de férias, uma viagem dentro de mim. Conheci pessoas e lugares que me encaminharam a uma releitura da vida. E eu menina-mulher em construção que sou, acabei ficando sem palavras. Mesmo que isso seja a única coisa que eu tenho. Corrigindo, não que esteja literalmente sem palavras, mas é que elas estão trabalhando em outra coisa agora. Estou recompondo, vendo nascer um jeito lindo e novinho em folha de sentir e dizer. Eu que estava farta do de sempre, hoje me permito pensar em outras coisas.
Há mil por hora minha mente vaga procurando verdades, desmentido coisas, destruindo certezas. E confesso que em alguns momentos, entre um crise de pânico e outra, eu me perdi por completo. Eu precisei desesperadamente de um cigarro, uns goles rum, é poucas palavras. Eu precisei dormir um dia inteiro como nunca fiz na vida. Precisei gritar e assustar pessoas. Estava sentindo sem controle, tinha palavras furando a carne, sentimentos revirados e uma ressaca de viver enorme. Precisei jogar cartas noites inteiras. Precisei pensar em sexo, falar de sexo, imaginar sexo, sem fazê-lo. Me apaixonei racionalmente como há muito tempo não fazia. Sentada num cadeira na varanda deixando o tempo passar. Comprei um relógio, e comecei a deter segundos.
Comi jujubas compulsivamente. Comi tudo compulsivamente. Fiz compulsivamente. E tive calma por mais paradoxo que isso possa parecer. Decidi coisas, revisitei memórias. E desde então quando estou entre pessoas só observo. Quando estou só, me concentro. A hiperatividade que se foda, eu quero viver um pouquinho sobre o meu controle.
Quero questionar algumas verdades absolutas e se elas não forem muito boas, desistir delas. Sem medo de ser punida. Sem falsa fé. Romper é o que eu pretendo. Mesmo que isso possa me levar ao pó. Romper é o meu novo desejo. Chega de procuras vazias. Escrever sobre a vida será minha nova meta e é por isso que eu vou acordar todos dias daqui pra frente.
Há mil por hora minha mente vaga procurando verdades, desmentido coisas, destruindo certezas. E confesso que em alguns momentos, entre um crise de pânico e outra, eu me perdi por completo. Eu precisei desesperadamente de um cigarro, uns goles rum, é poucas palavras. Eu precisei dormir um dia inteiro como nunca fiz na vida. Precisei gritar e assustar pessoas. Estava sentindo sem controle, tinha palavras furando a carne, sentimentos revirados e uma ressaca de viver enorme. Precisei jogar cartas noites inteiras. Precisei pensar em sexo, falar de sexo, imaginar sexo, sem fazê-lo. Me apaixonei racionalmente como há muito tempo não fazia. Sentada num cadeira na varanda deixando o tempo passar. Comprei um relógio, e comecei a deter segundos.
Comi jujubas compulsivamente. Comi tudo compulsivamente. Fiz compulsivamente. E tive calma por mais paradoxo que isso possa parecer. Decidi coisas, revisitei memórias. E desde então quando estou entre pessoas só observo. Quando estou só, me concentro. A hiperatividade que se foda, eu quero viver um pouquinho sobre o meu controle.
Quero questionar algumas verdades absolutas e se elas não forem muito boas, desistir delas. Sem medo de ser punida. Sem falsa fé. Romper é o que eu pretendo. Mesmo que isso possa me levar ao pó. Romper é o meu novo desejo. Chega de procuras vazias. Escrever sobre a vida será minha nova meta e é por isso que eu vou acordar todos dias daqui pra frente.
domingo, agosto 14, 2011
Quase boa. Quase inteira. Quase sã.
Não lembro o dia que não senti dor, depois daquela primeira dor há 9 anos atrás. Não lembro de me sentir inteira por mais de um dia na vida e só aceitei a ideia de ser sã, quando entendi, que isso significava estar distante da máxima do ser normal, porém também não me sinto sã por muito tempo.
Pode-se dizer que sou um quase. Quase um erro para os meus pais, quase uma dor desconhecida para os meus médicos, quase um amor para os meus amigos-irmãos e quase uma mulher para o Dito (marido).
Não entendo nada no mundo. As vezes, sinto que exitem tantas pessoas, tantas certezas, tantas razões que desconheço, que eu não faço parte e por isso decido desbravar antes de fazer planos no desconhecido. Vivo de dias de descoberta e cansaço. Medos e alegrias constantes. E percebo que não dou conta, das pessoas, das certezas e de tantas razões. Que o lógico mesmo seria sentar numa cadeira de vime do lado do portão da casa que foi do meu avô e só observar o tempo passar, as pessoas e as nuvens passarem, e aceitar que eu só conhecerei as pessoas, as certezas e as razões que atravessarem meu caminho e que não é inteligente almejar nada além disso.
A dor para mim é um costume. As vezes me percebo tão imersa nas coisas da vida e atenta aos meus afazeres, que acabo nem sentindo a sua latência, acho estranho sento por dois minutos, diminuo meus movimentos, chamo a minha atenção, calo o meu corpo e lá está a dor caladinha como a minha gata quando chego em casa e a pego dormindo na minha cama, caladinha esperando que eu volte a minha atenção para ela para voltar a existir. E juntas continuarmos na nossa estrada da coexistência.
Tenho um sentimento engraçado cá dentro do peito, complicado de confessar, atrelado a uma certa vergonha de existir. Mas é preciso, é preciso me despir deste tecido puído que me recobre, é preciso tecer um novo manto. Não sou ainda o que gostaria de ser nessa vida, entenda-me, também não pergunte o que eu quero nessa vida, porque eu não sei. Só tenho a certeza de que há algo em mim que quer ser outra coisa, e não precisa ser maior ou menor que o que sou atualmente só de me tornar algo que acalme meu espírito já basta. São anseios de todos os tipos, profissionais, pessoais, femininos e artísticos. Então não há satisfação completa com tantas coisas em suspenso.
Não pretendo ser previsível, normal, aceitável. Assim como acredito que não sou exemplo para ninguém. Minha mente é o meu inferno e o meu céu. É onde eu existo plenamente e sem máscaras, é em mim o lugar mais inseguro para se estar e onde eu passo a maior parte do meu tempo.
Não sou um conceito. Não sou um definição. Sou um quase. Sou um talvez. Um alguém que acha que é maior do que realmente é, um ser sem paz, uma criatura que não sabe nenhuma das respostas das muitas perguntas que faz. Uma louca vivendo como se ninguém notasse que no fundo ela não pertence e não fica bem em lugar nenhum. Está mais para um filme feito para televisão que nunca passará no cinema, um texto de verso de página de um escritor iniciante que nunca será inserido num livro, um esboço de um dos primeiros desenhos de um cartunista perfeccionista que nunca o terminará.
*imagem arquivo pessoal.
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