Não olhei nos seus olhos no dia em que nos vimos da primeira vez, nem me detive no seu nariz tão evidente, no teu olhar sério ou na tua cara de CDF. Não, eu estava numa escola nova me sentindo o patinho feio, e quando eu não estou insegura acabo me escondendo na minha carranca, na minha audácia e na porra louquice. A gente não se olhou e foi amor a primeira vista não, ainda bem. Seu olhar para mim não dizia nada. Mas passaram se os anos e eu dividi meus textos com você, alguns segredos e finalmente a gente era amigo de se reconhecer um no olhar do outro. Mas não a gente não estava apaixonado, ainda bem. Você me ensinava física, química e matemática e eu não te ensinava nada. Lia como louca o que não era matéria da aula, discutia no corredor a conjuntura da educação no país, no estado, na nossa escola e atrapalhava a tua aula que por acaso era a minha também, porém eu cabulava quase sempre as aulas de exatas. Você me acompanhava ouvindo minhas ideias, compartilhando pensamentos e quando percebi você fazia parte do grêmio, do movimento político da escola e estávamos em sintonia, finalmente além de amigos tínhamos alguma coisa em comum para fazer, mas não a gente não estava apaixonado, ainda bem.
Tenho a sorte de saber o dia exato que você se apaixonou por mim, em um final de tarde na reunião que havíamos marcado para formar um grupo para passar o legado do que havíamos conquistado todos juntos no grêmio, já não estudávamos na mesma sala e nos conhecíamos há mais de dois anos, eu entrei usando óculos pela primeira vez na frente dos amigos, um óculos de grau de armação grossa e com formato engraçado, a minha cara. Sentei no birô e peguei meus apontamentos ia falar pra os novatos e incentiva-los a levar o projeto do grêmio adiante e um tempo depois você me contou que olhou para mim ali sentada, falando e balançou a cabeça como se estivesse zonzo sem acreditar que me via diferente. Seriam os óculos?? Acho que não, realmente ali eu já era outra mesmo, bem diferente da menina que você havia conhecido lá atrás, tantos namoros, tantas leituras, festas, amigos e lutas me transformaram, e sim meu querido amigo você naquele dia se apaixonou por mim a primeira vista, ainda bem. E eu? Bem, para variar eu estava noutra. E fiquei nesse outro por um tempo ainda, porque eu precisava e você sabia disso. Uns meses depois, você me contou tenso, ansioso que a amizade era diferente, que você havia se apaixonado e eu? Estava pronta para vê-lo diferente e passei a ver. Assim fácil. Acho que a gente foi construindo esse novo olhar. sabe há quanto tempo isso aconteceu? quase sete anos. Onde estamos hoje? no nosso apertamento um no quarto estudando e o outro no PC escrevendo. Casados, apaixonados, cúmplices, grandes amigos ainda, ainda bem.
Tanta água passou por esse rio. Foi tanta água e a gente já teve que dar boas braçadas juntos para não se separar, para virar adulto e não perder o freio. E aqui estamos juntos, muitos anos depois daquela tarde e dos meus óculos que nem existem mais. Não importa quanto tempo já passou, mas quanto ainda há de vir e é claro que a gente continue existindo e que ainda sejamos grandes companheiros.
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sábado, março 10, 2012
terça-feira, agosto 31, 2010
No casulo.
Estou aprendendo, através das consequências das minhas decisões, coisas que a vida nunca me daria de graça, sem a obrigação do ganhar aqui-perder ali mais adiante. Tranquei a universidade, ou melhor, - fui verdadeira comigo mesma e parei de passar a noite sentada no banco em baixo da árvore em frente a didática II - porque eu já nem conseguia mais acompanhar as aulas. E essa decisão me levou a muitas conversas acaloradas, julgamentos de pessoas muito queridas, broncas e ameaças. Na verdade a ninguém que eu conto que tranquei a informação passa sem um comentário pesado e cheio de máximas ridículas sobre seguir com a maré.
Engraçado isso vir de pessoas que me conhecem tanto e que sabem que eu não sei fazer isso. Não sou capaz de simplesmente seguir a fila. Mesmo que eu um dia eu me arrependa, que eu esteja perdendo a "oportunidade de me formar com a galera" - que galera mesmo? Se eu não consigo me ver fazendo parte daquilo! - essa decisão foi a mais acertada dos últimos tempos. Consegui restabelecer uma conexão comigo mesma que a tempos estava perdida, isso de me sentir in, não out, tem me feito TÃO bem.
Ficar sozinha em casa a noite lendo um livro, dormindo, comendo, lavando roupa, sonhando, planejando, ruminando passados distantes tem sido tão agradável quanto. Na verdade nem se compara.
Já ouvi tantas coisas sobre isso, tipo: "A mulher moderna FLávia estuda, faz graduação, pra ter grana pra pagar alguém pra tomar conta da casa e dos guris". Já ouvi gente que eu respeito muito enfiar o pé na jaca falando com um preconceito burro de quem nem para pra pensar no que acredita de vez em quando. Essa decisão que já foi tomada só diz respeito a mim, ao que eu preciso no momento.
Cada dia que passa onde eu aprendo a ficar mais tempo calada, apenas ouvindo meus pensamentos, meus desejos mais íntimos, meus sonhos reprimidos, o meu ideal de vida eu aprendo mais sobre mim, sobre o meu lugar no mundo e principalmente de qual grupo de pessoas eu não faço parte.
Esse tipo de amadurecimento não vem com a idade não. É necessidade para alguns.
Pra um bando de gente eu sei que é.
Engraçado isso vir de pessoas que me conhecem tanto e que sabem que eu não sei fazer isso. Não sou capaz de simplesmente seguir a fila. Mesmo que eu um dia eu me arrependa, que eu esteja perdendo a "oportunidade de me formar com a galera" - que galera mesmo? Se eu não consigo me ver fazendo parte daquilo! - essa decisão foi a mais acertada dos últimos tempos. Consegui restabelecer uma conexão comigo mesma que a tempos estava perdida, isso de me sentir in, não out, tem me feito TÃO bem.
Ficar sozinha em casa a noite lendo um livro, dormindo, comendo, lavando roupa, sonhando, planejando, ruminando passados distantes tem sido tão agradável quanto. Na verdade nem se compara.
Já ouvi tantas coisas sobre isso, tipo: "A mulher moderna FLávia estuda, faz graduação, pra ter grana pra pagar alguém pra tomar conta da casa e dos guris". Já ouvi gente que eu respeito muito enfiar o pé na jaca falando com um preconceito burro de quem nem para pra pensar no que acredita de vez em quando. Essa decisão que já foi tomada só diz respeito a mim, ao que eu preciso no momento.
Cada dia que passa onde eu aprendo a ficar mais tempo calada, apenas ouvindo meus pensamentos, meus desejos mais íntimos, meus sonhos reprimidos, o meu ideal de vida eu aprendo mais sobre mim, sobre o meu lugar no mundo e principalmente de qual grupo de pessoas eu não faço parte.
Esse tipo de amadurecimento não vem com a idade não. É necessidade para alguns.
Pra um bando de gente eu sei que é.
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sexta-feira, abril 23, 2010
Tentado colocar ordem aqui dentro.
Sinceramente, não pretendo ficar me desculpando pela minha racionalidade. É desse jeito que 'momentaneamente' eu estou vendo o mundo. Não quero pedir desculpas a ninguém no momento, e não é porque eu tenho dificuldade de pedir desculpas, porque eu não tenho MESMO, só não acho que devo no momento fazer isso. As vezes tenho a sensação que as pessoas me apontam, falam sobre mim pelas costas, estão me olhando e julgando. Pessoas que me conhecem, claro, não estou 'ainda' tendo um surto psicótico, sinto que os meus amigos tem me omitido coisas. E eu não gosto de omissão.
Eu sei que ando por aí me arrastando pelos cantos, sei que tenho ficado sozinha demais, que quando falo muitas vezes devaneio e sou cruel, sei também que eu tenho racionalizado tudo e que as emoções - meio que tiraram férias -, porém vejam bem, no meu último tombo feio (do qual ainda me recupero) eu não estava racionalizando as coisas - puta-que-pariu foi um tropeço do caralho - e tudo isso aconteceu porque eu estava muito envolvida 'como-só-eu-sou-capaz-de-fazer' sem calcular em que altura exatamente eu estava rodopiando de olhos vendados.
Não sou de defender a frieza, não acho que é o melhor caminho calcular tudo, ponderar sempre, quem me conhece sabe, gosto das coisas feitas por impulso, me apaixono sempre e por quase todo mundo que tem brilho no olhar, só que o tempo não está bom pra sair e tomar banho de chuva, não está bom pra se apaixonar pelo brilho de ninguém.
Eu estou organizando as coisas aqui dentro novamente, estou tentando achar um cantinho estratégico onde eu possa colocar uma jaula pra trancar essa minha mania de ir tão fundo nas pessoas, de deixar que elas entrem em mim e me conheçam a ponto de me sabotar. Eu preciso me proteger de mim, colocar essas minhas emoções intensas de castigo até segunda ordem.
Preciso digerir e ao mesmo tempo de algo que me entretenha durante esse período. Preciso também não enlouquecer remoendo essas coisas que me doem tanto.
A verdade mesmo é que preciso dar um tempo nesse livro que ainda me deprimindo assim.
Eu sei que ando por aí me arrastando pelos cantos, sei que tenho ficado sozinha demais, que quando falo muitas vezes devaneio e sou cruel, sei também que eu tenho racionalizado tudo e que as emoções - meio que tiraram férias -, porém vejam bem, no meu último tombo feio (do qual ainda me recupero) eu não estava racionalizando as coisas - puta-que-pariu foi um tropeço do caralho - e tudo isso aconteceu porque eu estava muito envolvida 'como-só-eu-sou-capaz-de-fazer' sem calcular em que altura exatamente eu estava rodopiando de olhos vendados.
Não sou de defender a frieza, não acho que é o melhor caminho calcular tudo, ponderar sempre, quem me conhece sabe, gosto das coisas feitas por impulso, me apaixono sempre e por quase todo mundo que tem brilho no olhar, só que o tempo não está bom pra sair e tomar banho de chuva, não está bom pra se apaixonar pelo brilho de ninguém.
Eu estou organizando as coisas aqui dentro novamente, estou tentando achar um cantinho estratégico onde eu possa colocar uma jaula pra trancar essa minha mania de ir tão fundo nas pessoas, de deixar que elas entrem em mim e me conheçam a ponto de me sabotar. Eu preciso me proteger de mim, colocar essas minhas emoções intensas de castigo até segunda ordem.
Preciso digerir e ao mesmo tempo de algo que me entretenha durante esse período. Preciso também não enlouquecer remoendo essas coisas que me doem tanto.
A verdade mesmo é que preciso dar um tempo nesse livro que ainda me deprimindo assim.
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quarta-feira, janeiro 13, 2010
Considerações sobre a liberdade
Sempre tive a sorte de ser livre, e só quem é livre sabe como a liberdade mete medo na gente. Ela nos transporta para um lugar tão instável, que as vezes por exemplo, num relacionamento a liberdade de ir e vir te faz pensar em só por um momento não querer ficar, e no instante seguinte te lembra que se for não há volta, que não é correto usar ao bel prazer o direito de ser livre e acabar destruindo o certeza dos outros.
Isso porque a liberdade acarreta ainda mais responsabilidade do que a "não liberdade", por um motivo lógico, quando não há direito de tomar decisões e só simplesmente acatá-las, não há a responsabilidade da decisão tomada. Não há o que pensar, o que antever, o que analisar, o que proteger, até porque a atitude tomada não dependia da pessoa que a tomou, porém, quando a atitude depende só de você para ser tomada e principalmente quando ela não muda o rumo só da sua vida, quando o direito de escolha e seu e ainda sim envolve a vida do outro, aí sim, a liberdade é posta a prova. A verdadeira liberdade, a liberdade de coexistir em harmonia, a de tomar decisões sábias e preocupadas com o rumo do que há de vir e com as pessoas envolvidas. E é sobre este tipo de liberdade que estou falando, e essa liberdade que agora eu tento entender, a tempos vejo essa liberdade sendo corrompida, usada com maus propósitos e contra as pessoas e não a favor.
Isso de ser livre que até parece coisa bem sutil nos dias de hoje, onde não existe repressão política e AI5, é uma coisa tão poderosa, tão definitiva e porque não dizer engajada se fosse usada da maneira certa.
Não é porque você tem o direito de tomar suas próprias decisões que você pode simplesmente ignorar o que é o melhor a se fazer para todas as pessoas que estão envolvidas nelas.
Não é porque você pode decidir em acatar ou burlar uma lei que você tem o direito de atingir o outro com essa decisão.
É por causa de pensamentos como esses que ainda hoje há acidentes terríveis por causa de motoristas alcoolizados, que cesáreas são marcadas sem levar em conta a mãe e nem o que é melhor pro bebê, que crianças não são amamentadas e que crianças cada vez mais novas são alfabetizadas sem maturação para isso. Isso acontece porque a responsabilidade com o outro não foi levada a sério, quando se toma uma decisão isso de "ser responsável pelo outro" vem em primeiro lugar.
Principalmente em dias como esses onde a liberdade já deveria ter sido internalizada com consciência.
Isso porque a liberdade acarreta ainda mais responsabilidade do que a "não liberdade", por um motivo lógico, quando não há direito de tomar decisões e só simplesmente acatá-las, não há a responsabilidade da decisão tomada. Não há o que pensar, o que antever, o que analisar, o que proteger, até porque a atitude tomada não dependia da pessoa que a tomou, porém, quando a atitude depende só de você para ser tomada e principalmente quando ela não muda o rumo só da sua vida, quando o direito de escolha e seu e ainda sim envolve a vida do outro, aí sim, a liberdade é posta a prova. A verdadeira liberdade, a liberdade de coexistir em harmonia, a de tomar decisões sábias e preocupadas com o rumo do que há de vir e com as pessoas envolvidas. E é sobre este tipo de liberdade que estou falando, e essa liberdade que agora eu tento entender, a tempos vejo essa liberdade sendo corrompida, usada com maus propósitos e contra as pessoas e não a favor.
Isso de ser livre que até parece coisa bem sutil nos dias de hoje, onde não existe repressão política e AI5, é uma coisa tão poderosa, tão definitiva e porque não dizer engajada se fosse usada da maneira certa.
Não é porque você tem o direito de tomar suas próprias decisões que você pode simplesmente ignorar o que é o melhor a se fazer para todas as pessoas que estão envolvidas nelas.
Não é porque você pode decidir em acatar ou burlar uma lei que você tem o direito de atingir o outro com essa decisão.
É por causa de pensamentos como esses que ainda hoje há acidentes terríveis por causa de motoristas alcoolizados, que cesáreas são marcadas sem levar em conta a mãe e nem o que é melhor pro bebê, que crianças não são amamentadas e que crianças cada vez mais novas são alfabetizadas sem maturação para isso. Isso acontece porque a responsabilidade com o outro não foi levada a sério, quando se toma uma decisão isso de "ser responsável pelo outro" vem em primeiro lugar.
Principalmente em dias como esses onde a liberdade já deveria ter sido internalizada com consciência.
terça-feira, setembro 29, 2009
Sobre porque eu não consigo acabar a faculdade.
Eu sinto uma falta daquelas tardes inteiras de aulas cabuladas, de bate-papo, debates políticos, sonhos e ideais. Não que eu ainda não os tenha, só estão aqui guardados embaixo de um pesado medo de me mexer. Saudades daquele vento no rosto, sol a qualquer hora sem protetor solar, cara limpa, ou melhor, cara suja de tinta e palavras de ordem. Sinto falta da "menina eu" que sempre tinha algo a dizer sobre tudo, que pensava enquanto falava (ainda faço isso, mas não do mesmo jeito), que sabia quem era e acreditava muito nisso. Da menina sempre de havaianas que nunca engoliu seco preconceito, ignorância e descaso.
Aquela menina que eu era que não tinha medo de policial nenhum, camburão, gente metida a besta, político corrupto e alienados em geral, que não tinha medo de não ter futuro, vivendo aquele presente intensamente. Dessa eu sinto falta. Porque vezemquando liga um amigo perguntando como anda a universidade, quando eu termino e então eu conto que desisti de mais uma matéria porque o professor(a) não era compromissado, que falava asneira, alienado mesmo. Que eu vou tentar pegar um melhor no próximo período, porque eu não pretendo fazer um curso capenga e etc. E só escuto críticas...
Ultimamente tenho tido muito medo, como se estivesse num barquinho apenas seguindo a corrente, me esticando para tentar ver o que há mais adiante e não há nenhuma terra a vista no momento. Claro que eu não ando me omitindo das decisões da minha vida, não essa não seria eu, só acho que no momento eu não estou sendo tudo que sou, tudo que posso ser. As vezes culpo o mundo e seus meios burrocráticos de fazer as coisas, as vezes eu saio apontando meu dedo durinho por aí colocando a culpa na metodologia de ensino atual, nos professores de merda, nos colegas de universidade alheios. E eu bem sei o quanto é errado sair julgando por aí. Mas eu sou essa e não posso, nem sei ser, compassiva com o defeito alheio, principalmente quando afeta tanto outras pessoas. Eu realmente não tolero e não acho que tenho que aprender a tolerar: Professor omisso, aluno apático, movimento de classe sem legitimidade.
Eu tenho andado por aí me perguntando será que nenhum universitário sentado naquela sala as nove da noite depois de um dia de trabalho duro se pergunta se aquele monte de loucuras que a lunática professora doutora terce não são verdades, que são reflexões bastante preconceituosas e de mal gosto. Será que ninguém quer pensar junto comigo, será que ninguém quer se juntar a mim e retirá-la daquele pedestal onde ela pensa estar e corrigí-la e repreendê-la?
As vezes eu me vejo tão pequenininha encostadinha num canto qualquer sendo apontada por tantas pessoas que me julgam com o dedo tão durinho quanto o meu. Dizendo-me: você precisa se formar, não interessa o que ela diz.; vão pra aula faz uma cara blasé e pronto.
E eu me lembro de um texto que eu li a algum tempo atrás no blog da Rê Penna sobre ser radical. E é exatamente como ela diz se ser radical é ser tudo que sou e fazer as coisas do jeito que eu acho que eu acho certo e melhor pra mim, eu sou.
Sabe de uma? Comigo não rola blasé e pronto.
Aquela menina que eu era que não tinha medo de policial nenhum, camburão, gente metida a besta, político corrupto e alienados em geral, que não tinha medo de não ter futuro, vivendo aquele presente intensamente. Dessa eu sinto falta. Porque vezemquando liga um amigo perguntando como anda a universidade, quando eu termino e então eu conto que desisti de mais uma matéria porque o professor(a) não era compromissado, que falava asneira, alienado mesmo. Que eu vou tentar pegar um melhor no próximo período, porque eu não pretendo fazer um curso capenga e etc. E só escuto críticas...
Ultimamente tenho tido muito medo, como se estivesse num barquinho apenas seguindo a corrente, me esticando para tentar ver o que há mais adiante e não há nenhuma terra a vista no momento. Claro que eu não ando me omitindo das decisões da minha vida, não essa não seria eu, só acho que no momento eu não estou sendo tudo que sou, tudo que posso ser. As vezes culpo o mundo e seus meios burrocráticos de fazer as coisas, as vezes eu saio apontando meu dedo durinho por aí colocando a culpa na metodologia de ensino atual, nos professores de merda, nos colegas de universidade alheios. E eu bem sei o quanto é errado sair julgando por aí. Mas eu sou essa e não posso, nem sei ser, compassiva com o defeito alheio, principalmente quando afeta tanto outras pessoas. Eu realmente não tolero e não acho que tenho que aprender a tolerar: Professor omisso, aluno apático, movimento de classe sem legitimidade.
Eu tenho andado por aí me perguntando será que nenhum universitário sentado naquela sala as nove da noite depois de um dia de trabalho duro se pergunta se aquele monte de loucuras que a lunática professora doutora terce não são verdades, que são reflexões bastante preconceituosas e de mal gosto. Será que ninguém quer pensar junto comigo, será que ninguém quer se juntar a mim e retirá-la daquele pedestal onde ela pensa estar e corrigí-la e repreendê-la?
As vezes eu me vejo tão pequenininha encostadinha num canto qualquer sendo apontada por tantas pessoas que me julgam com o dedo tão durinho quanto o meu. Dizendo-me: você precisa se formar, não interessa o que ela diz.; vão pra aula faz uma cara blasé e pronto.
E eu me lembro de um texto que eu li a algum tempo atrás no blog da Rê Penna sobre ser radical. E é exatamente como ela diz se ser radical é ser tudo que sou e fazer as coisas do jeito que eu acho que eu acho certo e melhor pra mim, eu sou.
Sabe de uma? Comigo não rola blasé e pronto.
sexta-feira, agosto 07, 2009
A vida é isso mesmo não é? O que sempre esteve na minha cara e hoje se revela aos pouquinhos. É assim mesmo, existe o que se quer e o que se pode ter. Existe o sonho da gente e a realidade que a gente vive. Existem as relações que a gente acha que tem e as relações que a gente tem de verdade.
Existe o que poderia ser e o que é. Simples assim, e não adianta, tentar mudar, continuar sonhando, escrever sobre, convencer pessoas, criar palavra de ordem, ler livros, rever amigos, arrumar novos, tentar se explicar, porque as coisas são simplesmente como são.
E não adianta gritar por aí como tenho feito "estou seguindo sem fé alguma! Eu estou cansada..." ninguém vai me levar pr'um lugar bonito e feliz, ou até mesmo num auditório alugado por horas com muitos interessados a me ouvir tecer meus comentários sobre a minha falta de fé momentanea. É isso mesmo, nem eu acredito que essa minha falta de fé permaneça, porém ainda sim quero falar dela agora.
Eu acreditava que uma ideia, um ideal poderia mudar pessoas, governos, condutas. Eu acreditava que fazer parte de algo que fosse para o bem comum sem remuneração era obrigação social. Pra mim ainda é. Eu ainda faço isso, mesmo achando que não adianta, que o meu lado da corda está arrebentando, eu e essa minha mania besta de insistir me deixam aqui puxando essa corda sozinha. Eu acreditava, momentaneamente desacredito tanta coisa.
Hoje eu só queria falar sobre como é difícil seguir o conselho de uma amiga próxima: "Deixe ir...", Manuh como é difícil fazer isso apesar de saber que é o certo, o melhor a ser feito. Deixar ir. Aproveitar para deixar ir também tantos outros que venho mantendo a duras penas, talvez isso é que tenha esgotado a minha fé, a minha fé nas pessoas.
Essa coisa de ser diferente sempre me faz cutucar aquela ferida escondida lá no fundo, essa vontade boba de manter pessoas sempre em qualquer circunstância me levou pra tantos momentos... A vida é assim mesmo né? Isso que se revela aos poucos nesse momento. E eu tenho que entender que devo deixar ir, os amores, os amigos, a vida.
Existe o que poderia ser e o que é. Simples assim, e não adianta, tentar mudar, continuar sonhando, escrever sobre, convencer pessoas, criar palavra de ordem, ler livros, rever amigos, arrumar novos, tentar se explicar, porque as coisas são simplesmente como são.
E não adianta gritar por aí como tenho feito "estou seguindo sem fé alguma! Eu estou cansada..." ninguém vai me levar pr'um lugar bonito e feliz, ou até mesmo num auditório alugado por horas com muitos interessados a me ouvir tecer meus comentários sobre a minha falta de fé momentanea. É isso mesmo, nem eu acredito que essa minha falta de fé permaneça, porém ainda sim quero falar dela agora.
Eu acreditava que uma ideia, um ideal poderia mudar pessoas, governos, condutas. Eu acreditava que fazer parte de algo que fosse para o bem comum sem remuneração era obrigação social. Pra mim ainda é. Eu ainda faço isso, mesmo achando que não adianta, que o meu lado da corda está arrebentando, eu e essa minha mania besta de insistir me deixam aqui puxando essa corda sozinha. Eu acreditava, momentaneamente desacredito tanta coisa.
Hoje eu só queria falar sobre como é difícil seguir o conselho de uma amiga próxima: "Deixe ir...", Manuh como é difícil fazer isso apesar de saber que é o certo, o melhor a ser feito. Deixar ir. Aproveitar para deixar ir também tantos outros que venho mantendo a duras penas, talvez isso é que tenha esgotado a minha fé, a minha fé nas pessoas.
Essa coisa de ser diferente sempre me faz cutucar aquela ferida escondida lá no fundo, essa vontade boba de manter pessoas sempre em qualquer circunstância me levou pra tantos momentos... A vida é assim mesmo né? Isso que se revela aos poucos nesse momento. E eu tenho que entender que devo deixar ir, os amores, os amigos, a vida.
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quarta-feira, abril 08, 2009
Ariana com ascendente em Áquario
Então, quem convive com ariano, e/ou é um, entende qual o meu tema. Mesmo que quem me lê agora não acredite numa vírgula sobre horóscopo, ainda sim vou lavar minh'alma, expondo-me mesmo que isso possa até parecer ridículo no fim. Colher de chá porque meu aniversário está chegando.
A ariana que eu sou fala sem parar, pensa enquanto fala mesmo numa briga, mesmo quando o assunto é delicado. Isso mesmo a ariana que eu sou respeita meu 'processo mental' e tira do forno as palavras (idéias, sentimentos, dor, raiva, amor) ainda quentinhas. Isso me fez lembrar o forno do Habbi's 'piada interna'.
A aquariana que existe em mim defende essa liberdade de idéias e defende a ariana que sou e a liberdade que isso me dá com unhas e dentes.
A ariana que eu sou é puro pathos. Acredita no amor e todos as possibilidades de vivenciá-lo. Nunca 'desamou' ninguém na vida e acredita que nunca conseguirá essa maluquice. Quer ser sincera com seus sentimentos sempre e vive declarando-se por aí.
A aquariana que existe em mim acha que eu poderia ser mais amor amando o mundo todo sem medidas, a ariana já falou com ela e hoje temos um acordo.
A ariana que eu sou é apaixonada pela convivência e acaba vendo poesia em tudo. Adora deitar junto, rir junto, comer junto, dormir junto, chorar junto, beber junto, etc... Mas sempre acaba necessitando fazer tudo isso sozinha um pouco. Acredita que esse é o melhor jeito de se viver compartilhando.
A aquariana que existe em mim não discorda muito não. Acha interessante o junto-as vezes separado. Pra recaregar um pouco dos dois jeitos.
A ariana que eu sou é idealista e tenta fazer o melhor pra todo mundo sempre, mesmo que no fim, isso acabe fazendo um mal interno irreparável. Luta. Tem sonhos. Briga e defende a causa desde que já tenha lido e discutido sobre "ad infinitum".
A aquariana que existe em mim é uma líder. Mandona. Visionária incompreendida e adora essa idealista aí.
A ariana que eu sou adora ser ariana e não se imaginaria uma outra nem no pior momento. Apesar de todas as crises internas e de toda a exposição, ainda sim, é o jeito que sei ser, e como me expresso e ainda é o meu melhor.
A aquariana que existe em mim acha meio estranho ser a liberdade duas vezes, acha que seria melhor um equilibrio, seria mais confortável. Porém, quando estamos só nós vivendo: rindo atoa, chorando, gritando, amando, e cutucando onça com vara curta é que tudo se encaixa e nisso até o desequilíbrio fica na medida.
A ariana que eu sou fala sem parar, pensa enquanto fala mesmo numa briga, mesmo quando o assunto é delicado. Isso mesmo a ariana que eu sou respeita meu 'processo mental' e tira do forno as palavras (idéias, sentimentos, dor, raiva, amor) ainda quentinhas. Isso me fez lembrar o forno do Habbi's 'piada interna'.
A aquariana que existe em mim defende essa liberdade de idéias e defende a ariana que sou e a liberdade que isso me dá com unhas e dentes.
A ariana que eu sou é puro pathos. Acredita no amor e todos as possibilidades de vivenciá-lo. Nunca 'desamou' ninguém na vida e acredita que nunca conseguirá essa maluquice. Quer ser sincera com seus sentimentos sempre e vive declarando-se por aí.
A aquariana que existe em mim acha que eu poderia ser mais amor amando o mundo todo sem medidas, a ariana já falou com ela e hoje temos um acordo.
A ariana que eu sou é apaixonada pela convivência e acaba vendo poesia em tudo. Adora deitar junto, rir junto, comer junto, dormir junto, chorar junto, beber junto, etc... Mas sempre acaba necessitando fazer tudo isso sozinha um pouco. Acredita que esse é o melhor jeito de se viver compartilhando.
A aquariana que existe em mim não discorda muito não. Acha interessante o junto-as vezes separado. Pra recaregar um pouco dos dois jeitos.
A ariana que eu sou é idealista e tenta fazer o melhor pra todo mundo sempre, mesmo que no fim, isso acabe fazendo um mal interno irreparável. Luta. Tem sonhos. Briga e defende a causa desde que já tenha lido e discutido sobre "ad infinitum".
A aquariana que existe em mim é uma líder. Mandona. Visionária incompreendida e adora essa idealista aí.
A ariana que eu sou adora ser ariana e não se imaginaria uma outra nem no pior momento. Apesar de todas as crises internas e de toda a exposição, ainda sim, é o jeito que sei ser, e como me expresso e ainda é o meu melhor.
A aquariana que existe em mim acha meio estranho ser a liberdade duas vezes, acha que seria melhor um equilibrio, seria mais confortável. Porém, quando estamos só nós vivendo: rindo atoa, chorando, gritando, amando, e cutucando onça com vara curta é que tudo se encaixa e nisso até o desequilíbrio fica na medida.
sexta-feira, abril 03, 2009
Eu sou um EU composta de uns OUTROS
Nunca foi muito fácil dormir para mim não. Talvez seja o peso das outras vidas, porque eu não vivi o suficiente nessa para pesar tanto assim. Só que ultimamente dormir ficou tranquilo, sem crises e é melhor nem comentar muito sobre isso pra canoa não virar...
...
Sinto saudades... Uma saudade irracional de uns outros tempos, onde amigos que agora estão distantes eram exageradamente próximos. Saudades de quando nós juntos em consenso decidimos viver uns para os outros. Um casamento de 14 pessoas. Uma ideologia. Um pretexto. Algumas consequências e o amor. Decidimos conhecer política juntos, e acabamos fazendo política algumas vezes.
Animais políticos apaixonadamente unidos. Servindo ao mundo mesmo que em pequenos gestos. Cumprindo o papel de ser humano "usando a racionalidade para o bem comum". Pena que não fomos racionais todo o tempo... Afundamos uns nos outros furando a carne, reorganizamos órgãos para que existíssemos todos uns nos outros. E agora, ando um tanto dolorida, revirada, sempre sinto que tem alguém saindo sem avisar, saindo de mim pra sempre, sem lembrar do compromisso que temos do pacto que fizemos.
Feridas abertas, algumas cicatrizes e um vazio no lado esquerdo entre as costelas de onde saiu o último viajante levando um pouco do fomos. E eu vejo sangrar, sinto arder, porém, não acredito que esse partir tenha acontecido mesmo. Não acredito que esse pra sempre possa ser nunca mais...
Revivo momentos, nas minhas sessões nostalgia antes de ir dormir e sempre tenho a certeza que ser composta por pessoas que a vida me permitiu escolher vale muito a pena. Até me faz acreditar que o deserto que existe entre meus pais e eu não faz a menor diferença.
...
Sinto saudades... Uma saudade irracional de uns outros tempos, onde amigos que agora estão distantes eram exageradamente próximos. Saudades de quando nós juntos em consenso decidimos viver uns para os outros. Um casamento de 14 pessoas. Uma ideologia. Um pretexto. Algumas consequências e o amor. Decidimos conhecer política juntos, e acabamos fazendo política algumas vezes.
Animais políticos apaixonadamente unidos. Servindo ao mundo mesmo que em pequenos gestos. Cumprindo o papel de ser humano "usando a racionalidade para o bem comum". Pena que não fomos racionais todo o tempo... Afundamos uns nos outros furando a carne, reorganizamos órgãos para que existíssemos todos uns nos outros. E agora, ando um tanto dolorida, revirada, sempre sinto que tem alguém saindo sem avisar, saindo de mim pra sempre, sem lembrar do compromisso que temos do pacto que fizemos.
Feridas abertas, algumas cicatrizes e um vazio no lado esquerdo entre as costelas de onde saiu o último viajante levando um pouco do fomos. E eu vejo sangrar, sinto arder, porém, não acredito que esse partir tenha acontecido mesmo. Não acredito que esse pra sempre possa ser nunca mais...
Revivo momentos, nas minhas sessões nostalgia antes de ir dormir e sempre tenho a certeza que ser composta por pessoas que a vida me permitiu escolher vale muito a pena. Até me faz acreditar que o deserto que existe entre meus pais e eu não faz a menor diferença.
terça-feira, março 31, 2009
45 anos depois...
Hoje completa exatos 45 anos do golpe de 64. Diria que hoje eu consigo relembrar de um tempo que não vivi. Quando entrei no movimento estudantil li fascinada a história de tantos outros estudantes que como eu lutaram pelo direto de expor suas crenças, suas idéias de melhoria.
Eles Deram o suor e um pouquinho mais. Deram o sangue e um pouquinho mais. Os gritos, as dores, os medos, a coragem e a única coisa que acabavam com as próximas possibilidades de dar, a vida.
"Nos primeiros dias após o golpe, uma violenta repressão atingiu os setores politicamente mais mobilizados à esquerda no espectro político, como por exemplo o CGT, a União Nacional dos Estudantes (UNE), as Ligas Camponesas e grupos católicos como a Juventude Universitária Católica (JUC) e a Ação Popular (AP). Milhares de pessoas foram presas de modo irregular, e a ocorrência de casos de tortura foi comum, especialmente no Nordeste. O líder comunista Gregório Bezerra, por exemplo, foi amarrado e arrastado pelas ruas de Recife. "*
Estando eu no nordeste notícias como essa repercutiram muito dentro de mim. Claro que a conjuntura que vivi enquanto ME (movimento Estudantil) não representa nem de longe o que foi vivido em 64, mas acredito sim que a coisa no nordeste não mudou nada. Muitos nordestinos ainda resolvem seus problemas na bala, na pexeira e afins. Inclusive problemas políticos. Eu mesma sendo do ME fui ameaçada dezenas de vezes, perseguida por professores em sala de aula e fora dela, já jogaram o carro em cima de mim na rua, já depus para PF (Polícia Federal), já entrei em camburão e sai rapidinho por ser menor, já tomei advertência da PF, me meti em brigas em manifestações, tantas tantas coisas, que nem de longe representa o horror que foi a Ditadura Militar, mas que já me deram a noção de o quanto pode ser pesado querer defender-se, legitimar-se, expor idéias.
Essa não é uma homenagem ao golpe longe disso, é só uma lembrança 45 anos depois, relembrar os mortos, os torturados, os desaparecidos. Serve também para relembrar a impunidade aos torturadores anistiados, os mandantes-políticos torturadores, os médicos legistas inventores de atestado de óbito suicida. Ao momento da nossa história que repercute até hoje o que somos, e/ou o que sou por exemplo.
Talvez seja só mais um grito, só mais uma recordação de quem não viveu esses 21 anos de dor e muita luta, que seja, mas ainda sim é um grito e os gritos por aqui ecoam...
*fonte:ttp://www.cpdoc.fgv.br/nav_fatos_imagens/htm/fatos/golpe64.htm
Eles Deram o suor e um pouquinho mais. Deram o sangue e um pouquinho mais. Os gritos, as dores, os medos, a coragem e a única coisa que acabavam com as próximas possibilidades de dar, a vida.
"Nos primeiros dias após o golpe, uma violenta repressão atingiu os setores politicamente mais mobilizados à esquerda no espectro político, como por exemplo o CGT, a União Nacional dos Estudantes (UNE), as Ligas Camponesas e grupos católicos como a Juventude Universitária Católica (JUC) e a Ação Popular (AP). Milhares de pessoas foram presas de modo irregular, e a ocorrência de casos de tortura foi comum, especialmente no Nordeste. O líder comunista Gregório Bezerra, por exemplo, foi amarrado e arrastado pelas ruas de Recife. "*
Estando eu no nordeste notícias como essa repercutiram muito dentro de mim. Claro que a conjuntura que vivi enquanto ME (movimento Estudantil) não representa nem de longe o que foi vivido em 64, mas acredito sim que a coisa no nordeste não mudou nada. Muitos nordestinos ainda resolvem seus problemas na bala, na pexeira e afins. Inclusive problemas políticos. Eu mesma sendo do ME fui ameaçada dezenas de vezes, perseguida por professores em sala de aula e fora dela, já jogaram o carro em cima de mim na rua, já depus para PF (Polícia Federal), já entrei em camburão e sai rapidinho por ser menor, já tomei advertência da PF, me meti em brigas em manifestações, tantas tantas coisas, que nem de longe representa o horror que foi a Ditadura Militar, mas que já me deram a noção de o quanto pode ser pesado querer defender-se, legitimar-se, expor idéias.
Essa não é uma homenagem ao golpe longe disso, é só uma lembrança 45 anos depois, relembrar os mortos, os torturados, os desaparecidos. Serve também para relembrar a impunidade aos torturadores anistiados, os mandantes-políticos torturadores, os médicos legistas inventores de atestado de óbito suicida. Ao momento da nossa história que repercute até hoje o que somos, e/ou o que sou por exemplo.
Talvez seja só mais um grito, só mais uma recordação de quem não viveu esses 21 anos de dor e muita luta, que seja, mas ainda sim é um grito e os gritos por aqui ecoam...
*fonte:ttp://www.cpdoc.fgv.br/nav_fatos_imagens/htm/fatos/golpe64.htm
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