terça-feira, outubro 02, 2012
Uma nova viagem.
Eu entrei num trem, não sei porque, acho que me vi naquelas cenas de filme, numa daquelas estações bem cheias de gente, muitas pessoas se empurrando e indo de lá pra cá. Eu acho que eu estive sentada nessa estação durante muito tempo puxando papo com as pessoas que sentavam ao meu lado meu Forrest Gump, porque eu não sabia qual o horário e o destino do trem que deveria pegar, ou usava isso como desculpa. E do nada algum impulso me fez levantar olhar ao redor e chorar como se fosse uma despedida. E eu fechei ciclos, vi além de espelhos, fiz escolhas impossíveis, aceitei os empurrões e quando dei por mim estava num trem, que eu não vi para onde ia, nem que horas chegaria, mas finalmente eu estava no trem e o frio na barriga da descoberta de ir em frente e deixar uma cidade possível para trás me deu fôlego novo.
Nunca fui ligada ao destino e sim as descobertas do caminho, não saber para onde o meu trem vai não me assusta, sair da zona de conforto não me assusta, momentaneamente estar tão longe de gente tão querida não me assusta. Porque eu estou num trem que me levará a aventuras novas, a viagens novas e tantas outras descobertas. Sempre que se cresce, se ganha ou se perde é uma escolha e eu instintivamente fiz algumas nos últimos tempos.
Sei bem o quanto era confortável permanecer sentada no banco da estação acompanhando as histórias das pessoas e conversando sem tempo de pensar sobre o porque de estar ali, sei o quanto revelei-me aos outros fazendo isso e principalmente sei o quanto conheci de mim sentada naquela estação e tudo foi válido. Doeu, diversas vezes decepcionou, criou algumas cascas, porém me deu uma ótima bagagem para embarcar. Deve ser uma viagem de aventura porque eu tenho sentido isso no meu íntimo. Deve ser mais uma daquelas coisas que mudam o trajeto da vida sem que a gente se dê conta, vai exigir muito de mim, como sempre, mas vai me levar além de alguma forma. E não há essa coisa boba de se estar pronta ou não o trem tem seu próprio tempo e não sou eu que digo a hora certa de seguir, é mais energético do que se imagina é um estar disposto, disponível, é ser atraído por essa força que muda o mundo. os mundos. Não há estrategia nem rota de viagem, nem lugares que eu não posso deixar de conhecer, é tudo muito solto, vago. Não, é tudo muito preso, muito bem marcado. Mentira, é como água de rio, é livre para decidir e ousar no caminho e segura para saber que nada vai mudar o rumo necessário que se deve seguir. E no fim da viagem, do curso do rio sei lá, nem o rio, nem trem, nem eu seria mais a mesma. Que bom.
segunda-feira, abril 30, 2012
No meu jardim-presente que já foi muito ignorado.
Estou cuidando bem de mim*
Acredito no agora com mais força
Consigo ver o agora como ele é
um presente que eu recebo para viver
e não há idiotice maior do que ignorar isso.
E eu ignorava
Não queria ver.
Estava ligada ao passado,
aos meus ressentimentos,
as lembranças ruins...
Tenho me policiado me ensinado a lidar com isso de outra forma.
Não quero o futuro hoje porque estou vivendo o presente que ganhei.
Não viverei de passado ignorando o meu presente porque não quero mais.
A consequência da decisão,
o querer respeitado e defendido.
O hoje que me apaixona e me refaz.
O que cabe na minha mão
e o que eu não carrego mais.
Vazia de expectativas inúteis feliz por isso.
Sentindo e vendo só o que divide comigo o agora
Querendo internalizar o tal bambu que ouvi por aí
que balança com o vento forte, que se entorta,
mas quando o ambiente descansa volta a estar de pé contemplando o sol.
Sem fugas
Sem apego
Sem ansiedade (tentando)
Sem excessos assim me misturo com o cotidiano
ouço mais vejo mais aprendo mais e vivo melhor.
Estou aprendendo, sem correria, eu chego lá.
*Meu Jardim, Vander Lee
segunda-feira, setembro 26, 2011
Sobre o novo jeito de viver. Querendo ser a Leila Diniz
Há mil por hora minha mente vaga procurando verdades, desmentido coisas, destruindo certezas. E confesso que em alguns momentos, entre um crise de pânico e outra, eu me perdi por completo. Eu precisei desesperadamente de um cigarro, uns goles rum, é poucas palavras. Eu precisei dormir um dia inteiro como nunca fiz na vida. Precisei gritar e assustar pessoas. Estava sentindo sem controle, tinha palavras furando a carne, sentimentos revirados e uma ressaca de viver enorme. Precisei jogar cartas noites inteiras. Precisei pensar em sexo, falar de sexo, imaginar sexo, sem fazê-lo. Me apaixonei racionalmente como há muito tempo não fazia. Sentada num cadeira na varanda deixando o tempo passar. Comprei um relógio, e comecei a deter segundos.
Comi jujubas compulsivamente. Comi tudo compulsivamente. Fiz compulsivamente. E tive calma por mais paradoxo que isso possa parecer. Decidi coisas, revisitei memórias. E desde então quando estou entre pessoas só observo. Quando estou só, me concentro. A hiperatividade que se foda, eu quero viver um pouquinho sobre o meu controle.
Quero questionar algumas verdades absolutas e se elas não forem muito boas, desistir delas. Sem medo de ser punida. Sem falsa fé. Romper é o que eu pretendo. Mesmo que isso possa me levar ao pó. Romper é o meu novo desejo. Chega de procuras vazias. Escrever sobre a vida será minha nova meta e é por isso que eu vou acordar todos dias daqui pra frente.
domingo, agosto 14, 2011
Quase boa. Quase inteira. Quase sã.
Não lembro o dia que não senti dor, depois daquela primeira dor há 9 anos atrás. Não lembro de me sentir inteira por mais de um dia na vida e só aceitei a ideia de ser sã, quando entendi, que isso significava estar distante da máxima do ser normal, porém também não me sinto sã por muito tempo.
Pode-se dizer que sou um quase. Quase um erro para os meus pais, quase uma dor desconhecida para os meus médicos, quase um amor para os meus amigos-irmãos e quase uma mulher para o Dito (marido).
Não entendo nada no mundo. As vezes, sinto que exitem tantas pessoas, tantas certezas, tantas razões que desconheço, que eu não faço parte e por isso decido desbravar antes de fazer planos no desconhecido. Vivo de dias de descoberta e cansaço. Medos e alegrias constantes. E percebo que não dou conta, das pessoas, das certezas e de tantas razões. Que o lógico mesmo seria sentar numa cadeira de vime do lado do portão da casa que foi do meu avô e só observar o tempo passar, as pessoas e as nuvens passarem, e aceitar que eu só conhecerei as pessoas, as certezas e as razões que atravessarem meu caminho e que não é inteligente almejar nada além disso.
A dor para mim é um costume. As vezes me percebo tão imersa nas coisas da vida e atenta aos meus afazeres, que acabo nem sentindo a sua latência, acho estranho sento por dois minutos, diminuo meus movimentos, chamo a minha atenção, calo o meu corpo e lá está a dor caladinha como a minha gata quando chego em casa e a pego dormindo na minha cama, caladinha esperando que eu volte a minha atenção para ela para voltar a existir. E juntas continuarmos na nossa estrada da coexistência.
Tenho um sentimento engraçado cá dentro do peito, complicado de confessar, atrelado a uma certa vergonha de existir. Mas é preciso, é preciso me despir deste tecido puído que me recobre, é preciso tecer um novo manto. Não sou ainda o que gostaria de ser nessa vida, entenda-me, também não pergunte o que eu quero nessa vida, porque eu não sei. Só tenho a certeza de que há algo em mim que quer ser outra coisa, e não precisa ser maior ou menor que o que sou atualmente só de me tornar algo que acalme meu espírito já basta. São anseios de todos os tipos, profissionais, pessoais, femininos e artísticos. Então não há satisfação completa com tantas coisas em suspenso.
Não pretendo ser previsível, normal, aceitável. Assim como acredito que não sou exemplo para ninguém. Minha mente é o meu inferno e o meu céu. É onde eu existo plenamente e sem máscaras, é em mim o lugar mais inseguro para se estar e onde eu passo a maior parte do meu tempo.
Não sou um conceito. Não sou um definição. Sou um quase. Sou um talvez. Um alguém que acha que é maior do que realmente é, um ser sem paz, uma criatura que não sabe nenhuma das respostas das muitas perguntas que faz. Uma louca vivendo como se ninguém notasse que no fundo ela não pertence e não fica bem em lugar nenhum. Está mais para um filme feito para televisão que nunca passará no cinema, um texto de verso de página de um escritor iniciante que nunca será inserido num livro, um esboço de um dos primeiros desenhos de um cartunista perfeccionista que nunca o terminará.
*imagem arquivo pessoal.
sexta-feira, julho 15, 2011
Sentindo sem controle
Não tenho medo de envelhecer, nem tenho vaidade o suficiente para me importar com isso. Só não quero ficar cansada da vida, cheia de achismos e arrotando vivências, não quero usar a frase 'sei bem como é', odeio quando usam comigo, sei que por mais que você se esforce, cada pessoa vive de um jeito, internaliza como sabe e entende como quer, então ninguém sabe como é que as coisas acontecem comigo ou o quanto significam para mim.
Ando fraca novamente, sinto que estou entrando numa crise, que sabe-se lá quanto vai durar, depois da última confesso que não tenho mais medo, só espero que eu aprenda o mais rápido possível o que ela quer me ensinar e que passe.
Tenho vivido dias bons, encontrando amigos queridos sempre, o que ainda mantem o vínculo com o mundo exterior. Gostaria de conseguir tecer comentários sobre o que eu tenho pensado ultimamente, mas não sou capaz, estou sentindo sem controle, sem me poupar. Sempre foi assim... Doando, doando tudo sempre.
Lembrando sempre que 'se eu tivesse mais alma para dar eu daria, isso para mim é viver'.
domingo, maio 29, 2011
É só sobre o amor.
"E se o amor não nos quiser, então azar do amor, que não soube nos amar..."*
O tempo todo o amor é pauta de algumas das minhas conversas com amigos, sim eu tenho amigos passionais. Sim, eu sou passional também. Nós queremos entender o amor, pelo menos é o que eu quero, entender de onde vem a força das teias que nos prendem neste assunto. O que não nos faz esquecer. O amor domina a gente e não o contrário.
Porque o amor toma as rédeas da vida da gente, bagunça tudo, o que era certeza deixa de ser, o certo ou errado não existe, o bom ou o mal idem. Quando se ama acredita-se! Se faz promessas. Planeja-se. Sonha-se. E um dia, um tempo depois, ou nem tanto tempo assim, no sutil do de repente, pluft! Deixa de ser. E a gente odeia o amor quando isso acontece, os planos, os sonhos, as promessas?! Pra quê? Pra quem? É uma loucura, um distanciamento do real.
O príncipe morre, o amor da vida da gente não é mais a vida da gente, e os defeitos, putz os defeitos ganham neon e evidenciam-se, e é tão ridículo ver o quanto a gente é bobo. Vergonha alheia, sofrimento honesto. Dor mesmo.
A gente cresce e depois das primeiras decepções cria casca. Se entrega menos, acredita menos, finca os pés no chão, aprende a amar os defeitos, a ser mais flexível, a falar menos ou pensar um pouco mais antes, e vive o amor manipulado. Que nunca mais vai fazer nó na garganta, nunca mais vai transformar a gente em bobo da corte, nunca mais vai ser amor.
Porque o amor manipulado é consciente, é menos dolorido, mais confortável, mas nem de longe vai ser o amor que eu sonhava sentir quando era menina. Que eu senti nas primeiras vezes, e que eu guardo ainda hoje num lugar muito especial. Acho mesmo que o amor pode ficar assim mais careta e tem seu lado positivo, mas quando ele perde o jeito sapeca de dar olé na vida da gente também perde a graça. Queria o meio termo existe?
Queria que amar não fosse tão dolorido, mas é assim mesmo. Queria não ficar tão perdida e ameaçada com ele, mas eu fico. Queria não querê-lo tanto, mas eu o quero sempre. Porque se a gente não ama, faz o que da vida? Eu não sei.
Eu tenho grandes amores, amores que eu acumulei na vida, ex namorados, marido, amigos, irmãos-de-alma, e todos eles são doloridos, doces, ansiosos, indecisos, prazer, ódio e um pouquinho de tédio. Todos eles são ricos em experiências, todos eles aquecem a minha alma, todos eles me compõem.
O amor que eu não sei explicar mas que me move todos os dias, por muitas pessoas é o que me faz humana, é o que me iguala, é o que eu não sei deixar de sentir.
Mesmo que doa. Que fure a carne. Eu sou o amor da cabeça aos pés.
*Ouvindo Mesmo quando a boca cala, Bruna Caram e Vinicius Calderoni.
quarta-feira, maio 25, 2011
Desistir as vezes é não ceder.
Isso é bom, doí pra cacete, mas é bom. Acho que me moldei para isso a vida inteira e não sei mais ser de outra forma. Foi estranho crescer como cresci, viver o que vivi e ficar do jeito que fiquei, pode ser só um estágio sabe, um momento que eu estou e não consigo sair (confesso que nem quero) só me cansa essa obrigação de defender meu ponto de vista para os outro, me cansam os olhares incrédulos, as piadinhas, a palavra omitida sobre a minha decisão.
Não, ninguém tem direito de dizer qual caminho devo seguir, ninguém pode me obrigar a fazer o que não quero, fazer o que eu não sou capaz. Estou crescendo agora de um jeito bem dolorido e cheio de sacrifícios e só peço aos meus poucos leitores e bons amigos que respeitem isso.
Tem tanta coisa dentro de mim que eu não entendo bem, tantos quereres inconfessáveis, tantas dúvidas, tantos caminhos. E sinceramente não tenho planos de me prender a essa questão que nunca fez muito sentido para mim da obrigação de concluir a universidade, de fazer parte do grupo.
Quero ler o que me toca a alma, quero compreender os textos que eu escolhi, quero criar grupos para discutir a literatura que gosto, não estou dizendo que isso não é ingênuo e utópico, não me dou tanto valor assim, mas é o mais honesto sobre isso que pode sair de mim nesse momento.
sexta-feira, abril 15, 2011
Todas as noites são iguais os meninos satisfeitos e as meninas querem mais*
Não sei de nada só quero continuar à escrever as coisas que pretendo, preservar as coisas que ainda não consigo lidar e viver a fossa. Mesmo sem saber porque dessa vez, mesmo não fazendo sentido algum. Tá aí na cara, então é pra viver.
Foi só mais uma tarde que imendou na noite e me acalmou a alma com solidariedade amiga. Não resolveu até porque a questão esta se materializando ainda, mas que ajudou, ah ajudou.
*Capital Inicial
sábado, março 26, 2011
Analisando.
Espero sentir, perceber, ver o amor em tudo, em todos. Suporto qualquer migalha e em qualquer esquina menos a ausência. As vezes eu sinto a ausência do amor, do afeto, da força que atraí as pessoas. E sinto um afastamento veloz e silencioso, pessoas indo, indo, não as incomode um dia elas hão de ir mesmo. Quanto mais consciente forem menos dolorido será.
Penso que as vezes sou um iceberg se separando do continente, almejando distâncias, um iceberg que sonha (já sonhou e quem sabe voltará a sonhar) viver a deriva, sem ter que manter relações com o continente, o continente é frio e opressivo, e grudado no continente eu só sou parte e nunca ser.
Queria não compreender, devanear tanto sobre as coisas. Quando pequena eu queria o contrário. Não sei mais muito bem o que eu quero, além de só ser.
Quero sentir que há uma ligação, ver os nós que juntam as vidas, quero vê-las entrelaçadas. As vezes abro os olhos devagarinho pra ninguém perceber que ando duvidando e vejo com a rabeta dos olhos o enlace se desfazendo, bem devagar, e tenho medo, de um dia sem querer ver a vida definitivamente desenlaçada, como um balão cheio de hélio voando por ai.
mas se assim for, assim será.
terça-feira, março 22, 2011
dia-a-dia
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma vida branca
e limpa à minha espera.
Ana Cristina Cesar
Leminski no braço, ainda um tanto ardido, quase um mantra do qual eu não pretendo me distanciar "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além...". E algumas margaridas, um pouquinho do Caio, algum desespero cercado de paz por todos os lados. Então eu me liberto ainda mais. Compreendo-me cada dia mais, e me perco na compreensão das coisas cotidianas.
Eu não sei como tudo mudou, não vi em que passo as coisas finalmente se assentaram. E nem quero me prender a isso. Quero mesmo comemorar a amizade próxima, os telefonemas diários, a serenidade momentânea, está certa alegria, a tatuagem nova, o amor desmedido, o encontro. Quero comemorar a vida que construo nas pequenas coisas, na raça, no dia-a-dia.
Mesmo que essa alegria seja silenciosa, que a Tiê ainda me comova, que ainda me faltem palavras eu tenho seguido. Um passo de cada vez, as vezes lentamente, as vezes rodopiando. Espero que esse ano eu tenha maturidade para enfrentar o meu aniversário que já bate à porta sem crises e tristezas. Páginas viradas Bin, páginas viradas. E boa parte de um livro imenso em branco, disponível para alguns poemas, algumas histórias e casos. E uma vida inteira para se refazer o quanto for necessário e/ou suficiente pra ser feliz.
E eu sou. Ou pelo menos estou.
segunda-feira, setembro 13, 2010
Sobre o encantamento e até a falta dele
Sou feira dia de sábado, chão sujo, gritos, cheiros e sabores. Sou a intensidade do que eu vivo, do que leio. Das minhas observações tiro as minhas felicidades cotidianas. Meu jeito de ver a vida muda todos os dias dependendo do humor que tenho quando acordo, isso me mantém no pique para suportar a vida que levo atribulada com tanto trabalho. Tenho dias de pânico, onde o sofrimento alheio me doí muito e eu me sinto pequena e fraca. Tive isso no ônibus outro dia, chorei copiosamente por não possui as minhas próprias respostas, quanto mais o que faz tanta gente sofrer de tantas formas. As vezes acordo boba admirando o silêncio que eu quase nunca me permito vivenciar, saio de casa com raiva da chuva, me irrito com o ônibus cheio, chego no trabalho e faço todo mundo rir pra não enlouquecer de tédio. Almoço na rua. Vou para o segundo emprego e tento não dá com a cara no monitor de tanto sono. Volto pra casa num outro ônibus cheio ouvindo música e cantando baixinho. Visto o casaco, fecho o guarda-chuva e desço do ônibus uma quadra antes de casa pra aproveitar a chuva.Tem horas que me pego pensando que eu não tenho a mínima ideia de onde essa inquietação e esse encantamento vai dar, ou o quanto ele vai durar.
quarta-feira, setembro 08, 2010
Sobre o que me compõe
Amontoou pessoas, histórias, ex-namorados, irmãos, amigos e até um pouquinho mais, palavras, músicas, autores e livros. Amo a ideia de ser caixa vazia, de não possuir divisórias e poder suportar qualquer tamanho. Qualquer entrega. Quero continuar defendendo com atitudes e gestos - sutis-ou não - que o amor pode ser redimensionado.
Que o amor para ser vivido tem que ser compreendido em sua essência e tudo começa com o respeito. O respeito é a base de qualquer tipo de amor - mesmo que seja clichê é a grande verdade - que o amor redimensionado pode ser remédio para curar passado doído, pode ser alicerce pro futuro desconhecido. O amor nunca é à toa. O amado da gente (seja o que/quem for) é pra sempre da gente, daquele jeitinho particular que a gente criou, internalizou e desejou que fosse. Porque também há essa possibilidade: de o amor não ser o que a gente vê. Não é obrigação do outro, nem nós mesmos podemos ser coagidos a tornarmo-nos o que o outro espera da gente.
O amor veem dentro de um caminhão desenfreado, ou da sutileza da brisa da primavera e nunca do que a gente espera. Do que nós pensamos que o diferencia. O amor é alheio e ainda sim parte de nós de uma maneira inexplicavelmente intensa.
Não sei explicar como todas essas pessoas e coisas tão especiais e significativas vivem amontoadas dentro de mim, da mesma maneira que eu não saberia explicar porque não consigo viver sem todas elas. O amor guardado, o amor vivido até o osso, o amor de irmão, o amor interrompido, o redimensionado, todos eles se fundem e me compõem. Eu sou o amor, o resto são só ossos e entranhas. E claro, eu só existo sendo palavra mais aí é outra história.
terça-feira, agosto 31, 2010
No casulo.
Engraçado isso vir de pessoas que me conhecem tanto e que sabem que eu não sei fazer isso. Não sou capaz de simplesmente seguir a fila. Mesmo que eu um dia eu me arrependa, que eu esteja perdendo a "oportunidade de me formar com a galera" - que galera mesmo? Se eu não consigo me ver fazendo parte daquilo! - essa decisão foi a mais acertada dos últimos tempos. Consegui restabelecer uma conexão comigo mesma que a tempos estava perdida, isso de me sentir in, não out, tem me feito TÃO bem.
Ficar sozinha em casa a noite lendo um livro, dormindo, comendo, lavando roupa, sonhando, planejando, ruminando passados distantes tem sido tão agradável quanto. Na verdade nem se compara.
Já ouvi tantas coisas sobre isso, tipo: "A mulher moderna FLávia estuda, faz graduação, pra ter grana pra pagar alguém pra tomar conta da casa e dos guris". Já ouvi gente que eu respeito muito enfiar o pé na jaca falando com um preconceito burro de quem nem para pra pensar no que acredita de vez em quando. Essa decisão que já foi tomada só diz respeito a mim, ao que eu preciso no momento.
Cada dia que passa onde eu aprendo a ficar mais tempo calada, apenas ouvindo meus pensamentos, meus desejos mais íntimos, meus sonhos reprimidos, o meu ideal de vida eu aprendo mais sobre mim, sobre o meu lugar no mundo e principalmente de qual grupo de pessoas eu não faço parte.
Esse tipo de amadurecimento não vem com a idade não. É necessidade para alguns.
Pra um bando de gente eu sei que é.
sexta-feira, abril 23, 2010
Tentado colocar ordem aqui dentro.
Eu sei que ando por aí me arrastando pelos cantos, sei que tenho ficado sozinha demais, que quando falo muitas vezes devaneio e sou cruel, sei também que eu tenho racionalizado tudo e que as emoções - meio que tiraram férias -, porém vejam bem, no meu último tombo feio (do qual ainda me recupero) eu não estava racionalizando as coisas - puta-que-pariu foi um tropeço do caralho - e tudo isso aconteceu porque eu estava muito envolvida 'como-só-eu-sou-capaz-de-fazer' sem calcular em que altura exatamente eu estava rodopiando de olhos vendados.
Não sou de defender a frieza, não acho que é o melhor caminho calcular tudo, ponderar sempre, quem me conhece sabe, gosto das coisas feitas por impulso, me apaixono sempre e por quase todo mundo que tem brilho no olhar, só que o tempo não está bom pra sair e tomar banho de chuva, não está bom pra se apaixonar pelo brilho de ninguém.
Eu estou organizando as coisas aqui dentro novamente, estou tentando achar um cantinho estratégico onde eu possa colocar uma jaula pra trancar essa minha mania de ir tão fundo nas pessoas, de deixar que elas entrem em mim e me conheçam a ponto de me sabotar. Eu preciso me proteger de mim, colocar essas minhas emoções intensas de castigo até segunda ordem.
Preciso digerir e ao mesmo tempo de algo que me entretenha durante esse período. Preciso também não enlouquecer remoendo essas coisas que me doem tanto.
A verdade mesmo é que preciso dar um tempo nesse livro que ainda me deprimindo assim.
terça-feira, março 02, 2010
Percebi.
Eu sou feliz. Dei-me conta disso às quatro da tarde de um dia chuvoso, por ter amado a todos com tudo que podia, por ter ido até onde nem os meus olhos alcançavam, por ter dado até aqueles restinhos de amor que ficam nos cantos. Hoje sei que dei o que era necessário. Nem mais, nem menos, nem.
Amei cada um como se fizesse uma oração por todos juntos. Em cada pôr-do-sol de tirar o fôlego. Em cada amanhecer na praia. Todas as vezes que inesperadamente quase pisei numa flor que surgiu no meio do caminho como uma espécie de presente, agradeci os instantes divididos e inesquecíveis.
Desde pequena, sempre que eu me sinto muito feliz, sempre que sinto aquele cheiro mágico de momento único no ar, faço uma panorâmica. Tento reter tudo que pode me fazer lembrar dali a muitos e muitos anos aquele instante que não viverei mais. Eu nunca consegui aceitar sem queixas que um dia eu esquecerei tudo. Como minha avó que no fim da vida não era capaz de pronunciar palavra alguma nem lembrava de ter feito isso um dia ou a importância que isso tinha.
Como poderia esquecer todas as conversas reveladoras que tive, todos os amigos-irmãos de alma, todos os amores inesquecíveis. Como?
Como poderia ter vivido essa vida sem ter amado a todos que amei, sem ter vivido tudo que ela tinha para me oferecer. Dos presentes que essa vida me proporcionou o que foi mais delicioso viver foi o amor. Todos os tipos. Aqueles que surgiram da admiração mútua. Aqueles que transbordaram da amizade. Aqueles que só tinham explicação na carne. Aqueles que só existiram nos sonhos. Os que surgiram sutilmente. Os avassaladores. Aqueles que sem os quais a vida não faria sentido. Aqueles que depois de tudo deram sentido a minha vida. Eu fui o amor. Eu sou.
Principalmente o amor que dedico à palavra. E toda a emoção que ela me dedicou por toda a vida. A minha maior devoção. A única.
Amei. Amigos. Idéias. Livros. Telas. Filmes. Fotografias. Movimento. Dança. Música e músicos. Autores. Completos Desconhecidos. Noites. Dias. Tardes. Segundos. Amei quase sem querer tudo que passou pelos meus olhos, tudo que por mim foi pronunciado. Tudo que faz com que o amor ainda exista em mim.
Peço à força que movimenta o mundo e proporciona tudo, que eu não perca as minhas lembranças quando a velhice me encontrar. Que as lembranças que as pessoas que convivi possui de mim não sejam descartadas quando desaparecer, elas são a minha própria vida. Que as palavras não me abandonem nunca. Que os amigos-irmãos-de-alma sejam eternos. Que a alma para sempre transborde de amor, para que cada dia eu ame mais e mais mesmo que isso me deixe um pouco zonza, confusa, e com os olhos cheios d’água. Mesmo que...
sexta-feira, novembro 27, 2009
Planos e Certezas
Mas é isso. Eu quero tentar desabrochar esse plano, pelo menos esse, devagarinho, pétala por pétala, sentir desabrochar aos poucos na hora dele, no tempo certo. Pela primeira vez esperar e não forçar que as coisas aconteçam no meu tempo. Tenho que fazer valer essa possibilidade, dar condições para que ela aconteça por mérito. Essa é a melhor alternativa para focar no momento.
É a vida ainda anda bagunçada, isso mesmo, sempre os mesmos problemas cada vez mais velhos e mais fracos - pelo menos -, queria muito dar uma volta com você de bicicleta, vamos? Sem destino, sem motivo, sem planos, nesse momento só seguir um caminho qualquer com você já seria grande coisa, é que as vezes, mesmo tudo me dizendo que não, as vezes eu sinto que caminhamos em caminhos diferentes... Penso e não tem problema se for mesmo assim, só queria que fosse as claras.
Só queria um papo, aquela passionalidade toda e um pouco de certezas, mesmo que momentaneas...
terça-feira, setembro 29, 2009
Sobre porque eu não consigo acabar a faculdade.
Aquela menina que eu era que não tinha medo de policial nenhum, camburão, gente metida a besta, político corrupto e alienados em geral, que não tinha medo de não ter futuro, vivendo aquele presente intensamente. Dessa eu sinto falta. Porque vezemquando liga um amigo perguntando como anda a universidade, quando eu termino e então eu conto que desisti de mais uma matéria porque o professor(a) não era compromissado, que falava asneira, alienado mesmo. Que eu vou tentar pegar um melhor no próximo período, porque eu não pretendo fazer um curso capenga e etc. E só escuto críticas...
Ultimamente tenho tido muito medo, como se estivesse num barquinho apenas seguindo a corrente, me esticando para tentar ver o que há mais adiante e não há nenhuma terra a vista no momento. Claro que eu não ando me omitindo das decisões da minha vida, não essa não seria eu, só acho que no momento eu não estou sendo tudo que sou, tudo que posso ser. As vezes culpo o mundo e seus meios burrocráticos de fazer as coisas, as vezes eu saio apontando meu dedo durinho por aí colocando a culpa na metodologia de ensino atual, nos professores de merda, nos colegas de universidade alheios. E eu bem sei o quanto é errado sair julgando por aí. Mas eu sou essa e não posso, nem sei ser, compassiva com o defeito alheio, principalmente quando afeta tanto outras pessoas. Eu realmente não tolero e não acho que tenho que aprender a tolerar: Professor omisso, aluno apático, movimento de classe sem legitimidade.
Eu tenho andado por aí me perguntando será que nenhum universitário sentado naquela sala as nove da noite depois de um dia de trabalho duro se pergunta se aquele monte de loucuras que a lunática professora doutora terce não são verdades, que são reflexões bastante preconceituosas e de mal gosto. Será que ninguém quer pensar junto comigo, será que ninguém quer se juntar a mim e retirá-la daquele pedestal onde ela pensa estar e corrigí-la e repreendê-la?
As vezes eu me vejo tão pequenininha encostadinha num canto qualquer sendo apontada por tantas pessoas que me julgam com o dedo tão durinho quanto o meu. Dizendo-me: você precisa se formar, não interessa o que ela diz.; vão pra aula faz uma cara blasé e pronto.
E eu me lembro de um texto que eu li a algum tempo atrás no blog da Rê Penna sobre ser radical. E é exatamente como ela diz se ser radical é ser tudo que sou e fazer as coisas do jeito que eu acho que eu acho certo e melhor pra mim, eu sou.
Sabe de uma? Comigo não rola blasé e pronto.
sexta-feira, setembro 25, 2009
Sobre a minha dependência.
Comecei a brincar sozinha e não era tão ruim, sair sozinha e voltar até contente, e assim acabei acreditando que era independente. Tola. Como se a solidão fosse me dar isso, mas foi essa a definição de independência que a minha mãe me deu. "Ser independente filha é não ter ninguém pra dar satisfações ou para ter que ceder". Veio o mundo e as mudanças e quebraram minhas pernas de garota-independente-de-meia-tigela.
Mudei de escola, e troquei de casco, mais ou menos como um caracol. E eu acredito que foi aí que tudo mudou. Conheci pessoas, me apaixonei por elas, suas ideias e seus ideais, e eles se tornaram amigos, daquele tipo que eu não conhecia dos que furam a carne da gente e se instalam. Daqueles que a gente acaba amando tanto que até doí. Eu tive/tenho amigos assim. E eles eram bem diferentes dos meus amigos de menina, não estavam a fim de dinheiro ou brinquedos, estavam a fim de dividir a vida e os sonhos comigo, em partes iguais. E aí dentro das definições da minha mãe, descobri o que era ser dependente, e eu era.
Dependia e ainda dependo de alguns daqueles amores muito, muito do que sou se deve aqueles momentos intensos e eternos que vivemos. E mesmo que a minha mãe inundada de todo seu rancor a vida pelo que aconteceu com ela, me diga, que ser dependente é ruim, que faz mal, que não é certo e chega até ser burro. Mesmo assim, eu fui, eu sou e eu continuarem sendo dependente daquilo que vale a pena ser, como sou daqueles amigos.
*Esse foi um dos temas do blog que tenho com uns amigos, para saber mais acesse: http://tudoetodosaomesmotempoagora.blogspot.com
domingo, setembro 06, 2009
Deixo você ir...
Eu andei abandonando pessoas e relações, queridas e intensas. Eu precisei abandoná-las por mim, por elas. Antes que tudo desse errado, antes que tudo deixasse de ser. Espero que entendam. Por mais que eu não quisesse, e eu não queria mesmo, eu tinha que fazer isso. E fiz e estou sofrendo as consequências disso. Sinto saudades... De algumas vozes ao telefone, de algumas visitas e pitadas de amor aqui e ali.
Mas infelizmente só o meu amor era puro o suficiente. Só o meu amor no fim de tudo existia. E novamente me dou conta que só existia do jeito que eu sentia para mim. Como uma criança que sai de casa aos 11 anos é sequestrada, tem duas filhas com o sequestrador e é libertada 18 anos depois (li reportagens demais hoje) após ter constituído "uma família" e até "afeto". Para o resto do mundo foi tortura, crime e violência, para ela e para as meninas já perdeu essa conotação.
Para mim também é quase isso (em outras proporções é claro) há quem dia que é joguinho, manipulação das boas, que é errado, que não vai dar noutra. Porém, para mim, são amigos que amo que vão embora, amigos que sinto saudades, pessoas que eu adoraria manter por perto por causa do "afeto" da "relação" que tinhamos. Eu nunca soube lidar muito bem com essa coisa de distanciamento. Pra mim sempre foi, olho no olho, dedo na cara quando necessário, um bate boca aqui e ali, conversas intermináveis, abraço e risadinha boba dias depois.
Mas eu cresci não foi? Tenho que começar a agir como um adulto bobo que é incapaz de resolver problemas e por isso foge deles.
obs: não generalizo.
quarta-feira, setembro 02, 2009
Não deixe que o "pensamento da boiada" faça você perder o rumo
Porém, e nisso sou bastante rígida, não deixo de saber nem por um momento o que não quero ser ou acabar sendo, o que não concordo e o que não apoio. Não sei onde estou indo, só sei que não estou perdido, acho que essa frase é bem batida, porém é bem assim que me sinto.
Tenho muitos amigos e muita coragem pra afirmar isso, e nós, mesmo com tantas coisas em comum somos muito diferentes. Escolhemos as vezes caminhos bastante distantes e acaba ficando até difícil de marcar um papinho. Essa possibilidade, ou melhor, essa realidade de não ser o outro me conforta. Mas é claro que ando por aí encontrando boiadas, que seguem o rumo do outro a tanto tempo que nunca foram capazes de perceber isso. Difícil né? Imaginar-se nessa posição, essa submissão toda. Mas acontece...
Pois é, o que importa mesmo é o que a gente é, os objetivos que a gente tem. Cada cabeça um mundo, e comigo é assim: cada mundo com seu guia.


