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quinta-feira, agosto 02, 2012

Depois de uma viagem para dentro

Fui à Índia, saí de madrugada e depois de um voo de menos de 45 minutos eu estava lá. Eu conheci mais sobre a Índia em Salvador num fim de semana do que tudo que eu já li que o Google me direcionou. E foi pura entrega, foi incrível. Eu dava, recebia e me sentia inteira e sem lacunas novamente. Li, ouvi, vi, comi e bebi chá boa parte do tempo. Calma e vivendo tudo num mundo muito sutil. Fui a Salvador encontrar-me, eu já era aquela que foi lá, só que lá eu gostava de ser. 
Sei mais um bando de coisas sobre mim, esqueci o medo e vivenciei coisas incríveis. Não senti falta, saudades, angústia, vazio. Nada disso. Senti uma volta ao útero e uma outra oportunidade de estar no cuidado de gente de confiança. Tudo passou a se encaixar e fazer um sentido enorme e eu me calei e ouvi coisas valiosas. Quis chorar de alegria, mas é que anda difícil chorar até por tristeza. E tudo bem também. Tudo certo. Porque eu ouvi muito que tudo estava no lugar certo, se comportando do jeito certo porque os processos tem os seus momentos. E eu baixinho agradeci a vida por ter chegado tão longe. Pensei em mim, nas minhas coisas, nos meus dias sem ansiedade, sem angústia, porque lá estava tudo bem. Tudo certo. E eu precisava muito de uns dias como aqueles. 
Precisava muito daquela viagem, até mesmo dos pensamentos que rodopiavam a minha cabeça na volta foram necessários. E só por causa dessa experiência talvez eu esteja lidando com as coisas dessa forma tão positiva. Porque eu tinha esquecido o otimismo. Porque eu estava desacreditando muito e pensando só na tal semente que é pura vida e simboliza tudo. E lá de repente vendo aquelas pessoas, ouvindo aquelas histórias eu me dei conta que elas eram também produto da semente e aquilo me encheu de otimismo e fé. Caramba, fé depois de tanto tempo. 
Fui ali em Salvador conhecer uma casa que tinha passagem direta para Índia e gostei muito do que vi e vivi lá. Fui também tratar de dores antigas e angústia. Fui lembrar da minha pequenez e admirar a grandeza da semente. Era puro aqui e agora. Era incrível.

quinta-feira, março 08, 2012

E se...?

Se tudo tivesse sido diferente, terminado diferente o que seria a gente? Um tal casal? Depois de tanta intimidade e cotidiano será que daríamos conta de nos aventurar a ser um tal casal começando do zero? Ou pior, de onde estávamos que já era bem longe e estragaria o contexto irremediavelmente, eu sei, porque te conheço. Crescemos juntos. Não consigo me imaginar vivendo esse tal casal caprichoso, nunca senti vontade de correr ao seu encontro, viver cena de filme contigo de casal apaixonadinho. Cansa. Colecionamos tantos por-do-sóis visto de dentro do mar, madrugadas de conversa, sonhos e sonos juntos, confidências de pé de ouvido, de olho no olho, dividimos medos, conquistas, amores, paixões, comida no mesmo prato, vodca do mesmo copo, cama de solteiro, cama de casal, cigarros, férias e datas especiais. Porque tudo isso não foi suficiente? Porque o que eu dava para mim era tudo que tinha e para você sempre foi pouco?
E se conseguíssemos entender a gente, liberar o super ego e falar sem omissões sobre nós, será que algo sobraria de lembrança? Ou será que finalmente colocaríamos essa história em seu lugar? Nunca saberemos. O que eu sei é que não troco sexo pelo que tivemos, não troco o que construímos (principalmente os bons momentos sem brigas e DRs) para formar esse tal casal. Porque seria uma mentira, porque não seria recíproco, porque depois de um tempo esse joguinho ficou para mim indigesto, chatinho e cansativo. Porque - e isso pode ser até cruel - eu te conheço demais para cair no seu papo de vida a dois, nunca esqueça quanto tempo faz que nos conhecemos, principalmente o dia que passamos a conversar com olhares e gestos. Era o que eu podia te oferecer de mais audacioso e honesto, mas não, não era o suficiente, você ficou preso no e se... por anos, confabulando o e se..., guardando seus planos para ele. Planos que não foram compartilhados comigo, logo nós dois que compartilhávamos a vida a tanto tempo.
Como eu fico sem o abraço de urso, sem o cacho enrolado no dedo e um filme no cinema? Como eu fico se eu não posso me obrigar, principalmente por que eu não quero, a viver do seu e se...? Sabe... eu quero um e se... diferente pra nós. Mais ou menos assim: e se você fosse franco, e se você esperasse menos, e se você tivesse sido compreensivo e respeitado meu querer, e se você não fosse possessivo e se não criasse a obrigatoriedade de ter sempre razão, e se não brigássemos tanto, e se esse contrato de amizade fosse melhor redigido, e se eu não conhecesse seus defeitos tão bem, e se você quisesse ser alguém melhor, e se a gente não tivesse tentando ficar junto há muito tempo atrás. E se eu precisasse tanto de você e nem você de mim, e se conseguíssemos construir algo mais saudável e até mais sólido. Porque teve uma época que foi pesado, cansativo e sem expectativa de melhoras, e um dia qualquer por volta das três da tarde você me desencantou, não fez nada grave não, foi sutil você nem percebeu, porém eu olhei pra você e pensei para que e por que a gente ainda tá nessa? E eu não tinha mais motivo para estar lá, só a certeza da saudade irracional que eu sentiria se tudo aquilo acabasse, mas sim meu querido eu tinha desistido de você, e você até pensa que foi sem tentar, porém saiba que teve uma época que eu tentei, que eu questionei a possibilidade do tal casal e você não me contagiou com seu projeto. Não me deu vontade de largar o status de amiga, porque só isso que você queria trocar o meu status, saliva e secreções e eu achei pouco o que você oferecia para trocar por tudo que eu dava e não aceitei, tudo foi bem rápido mas aconteceu e você nem notou que aquela era sua chance. Talvez ainda estava confabulando o e se...? Apanhei minhas bolinhas de gude e mesmo triste decidi não mais brincar com você, por mais que você fosse um pessoa que eu ame tanto sem nem saber direito de onde isso vem. E eu estou assim agora aposentada do nosso joguinho.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Aceito a responsabilidade de amadurecer ou ganha-se aqui, perde-se ali

Não foi a coisa mais fácil que fiz na vida, nem de longe. E não seria eu se ao falar sobre isso fosse hipócrita dizendo que foi normal. Não foi. Doeu. Sangrou a carne, me tirou o ar e todas aquelas coisas. Mas era exatamente assim que eu esperava se não fosse não seria crescimento, amadurecimento e página virada. Eu preciso crescer de um jeito ou de outro. E eu sempre escolho o jeito que doí, que sai de dentro levando tudo.
Mas eu preciso ser verdade. Preciso olhar no espelho e dizer baixinho com o coração cheio de felicidade: eu sou o melhor que posso ser, sou responsável pelas decisões da minha vida e em momento algum fui apatia, omissão e paralisia. Não aceitaria dizer esse contrário fitando os meus olhos no espelho. Tão pouco aceitaria viver esse contrário, e manter as coisas como estavam era quase isso. Claro que como toda decisão, essa teve consequências, acho que esse amor não vai saber se reinventar e ser pleno, vai se tornar com o tempo um oi, um tchau no meio do calçadão, no corredor do shopping, na fila do cinema. Porém penso que pior não seria se ele envelhecesse esperançoso, cheio de expectativas? Ninguém saberá. Só sei que eu tinha o direito de direcioná-lo como fosse confortável para mim e foi o que eu fiz.
Foi difícil fitar os olho dele, eu não vou negar que foi, não corresponder instintivamente as suas mãos como sempre fiz, puxar o assunto, me posicionar e defender o oposto ao esperado. Mas quem disse que eu sou obrigada a viver do previsível? Sei que pela lógica dos grandes romances esse foi um fim meio torto.
Quero declarar que isso não era um romance. Era uma amizade confusa, revirada, cheia de intensões,eram doses cavalares de afeto, cumplicidade era ser mais que amigo, mais que próximo era a relação bonita e cheia de efeitos românticos da nossa vida. Mas não era romance, nunca quis romance na vida.
Gosto de ler histórias que contem a vida de gente de carne e osso, e mesmo que esses personagens sejam pura ficção necessito que se assemelhem com o humano. Nunca aceitei bem príncipes destemidos que andaram quilômetros, abandonaram a boa vida, enfrentaram dragões e despertaram mulheres com um beijo. Também não levei a sério história de filme de sessão da tarde onde todos os personagens conhecem o amor da mesma forma e se alimentam de respostas prontas.
Gosto do que eu fiz com essa relação, como trabalhei o sentimento. Compartilhando a vida com ele, choro, dor, risadas,crises,carinhos e planos reais. Quais eram os planos? Resta saber quais:os meus? os dele? os nossos? Acho que essa relação foi bombardeada por queres omitidos. Essa coisa de romance de achar que o outro espera o mesmo que você, que prevê o passo seguinte, que sonha o mesmo sonho e espera da vida o mesmo. Eu prefiro quando tudo está as claras como já disse um milhão de vezes, quando doí de tão verdade que é, quando ensina, quando se ganha, quando se perde, quando cai uma lágrima vez ou outra, quando se ri gostoso até aquele ai ai inevitável.
Eu quero me recuperar desse baque. Dessa dor de perda e seguir em frente esperando dessa história alguns outros momentos de risada gostosa mesmo que por acaso numa fila de cinema qualquer.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

O medo de amar é o medo de ser livre* ou Para uma avenca que ainda vai partir

Não que exista algo normal entre nós, longe disso. Mas por esses dias vamos conversar e romper, você ainda não sabe, eu tenho adiado o dia, prolongado as horas e ignorado o inevitável. A gente vai ter que acabar.
O quê? Não me faça por favor perguntas difíceis. Eu também não sei exatamente o que temos. Por quê? Eu até sei sabe, mas isso é papo de horas inteiras reunidas em noite longa e nós não devemos mexer nisso. Vai ser lindo você vai ver, colocaremos um ponto final depois de umas meias verdades, algumas lágrimas e abraços, eu pretendo posicionar esse ponto atrás de uma palavra bem bonita que dê a dimensão do que estamos acabando e de como acabaremos. Mas eu ainda não sei. Estou tentando ver a situação de cima, tentando não procura desculpas ou respostas, pretendo te encontrar num lugar legal, falar de amenidades e depois de alguns silêncios começar mesmo que sem sentido com um 'não quero mais, isso que a gente é, isso que a gente tem que eu não sei definir e tão pouco explicar, não quero mais essa amizade confusa e cheia de sentimentos revirados, eu não posso mais desculpa' seguido de acabou. Esse a gente construído por sentimentos e lágrimas não vai mais existir a partir de hoje. Esse é o grande dia diz tudo, ou se preferir diz nada e só divide o teu silêncio comigo, as minhas lágrimas.
Tenho medo, estou de luto há dias, veio junto com a ideia do ponto final. Fico pensando nas coisas que a gente adora dividir, como elas vão ficar?
Não vai ser fácil porque você sabe né, foram tantas conversas, brigas, músicas, livros, filmes, noites, madrugadas, loucuras, intervalos, praias, almoços, jantares... Foi uma vida mesmo, a vida que existia quando a gente largava a vida de sempre e virava a gente. E que a gente lindo nós fomos, bonito de ver, gostoso de recordar. Mas acabou.
Porque eu preciso. porque você idem. Cortar o laço e ver como a gente funciona efetivamente separado. O amor? Redimensiona. A saudade? se aprende a viver com ela. Só sei que não dá mais para viver em prestações. Não dá pra sangrar junto, nem separado, e o pior, ver o outro sangrar. Não dá, para fingir que é sem importância, que eu não sei que muito é omissão, quando não é mentira. Sentimentos meus. Sentimentos seus. Nossos.
Pode deixar que quando a saudade bater vou cantarolar aquela música baixinho como sempre. Que o que compramos junto, vimos juntos, o que oferecemos ou recebemos do outro vira guardado, lembrança palpável, pelo menos para mim.
Claro que vai doer, que vai demorar pra digerir, engolir e parar de ruminar. A gente é muito um do outro pra simplesmente deixar de ser. Algumas coisas na vida são inexplicáveis, a gente é uma dessas coisas só isso.
Foi mesmo muito importante manter essa coisa que tivemos, que foi tão camaleônica ao longo dos anos. Aprendi muito sobre mim vendo você seguir a sua vida. Cresci nos seus palpites de como fazer melhor do que você, ri horrores da passionalidade de sempre, odeie muitos dos nossos intervalos, quis matar, quis morrer um milhão de vezes mas passou e daqui há alguns dias será lembrança. Passado gostoso de rememorar sentada balançando na rede em tarde quente. Página virada e daqui para frente livro em branco, uma nova caixa de giz, pincel e aquarela, página em branco para desenho livre, poema torto.
Tenho que tirar essa amizade que fura a carne e vive de entranhas das minhas costelas, preciso de espaço pro meu pulmão, de mais um pouquinho de ar. Preciso ver como eu existo sem você e esse elo, preciso te presentear com essa oportunidade também. Estou tentando enfrentar os meus dragões de olhos abertos, sei que vai doer muito, algo beirando o insuportável, mas é que eu quero saber como é não ter os dedos entrelaçados como os nossos. Quero um amor-amigo de caber no peito e esse não cabe mais.
Amo principalmente porque coexiste.

*Música de Beto Guedes.

domingo, maio 29, 2011

É só sobre o amor.

Dedicado a Dani e François.

"E se o amor não nos quiser, então azar do amor, que não soube nos amar..."*

O tempo todo o amor é pauta de algumas das minhas conversas com amigos, sim eu tenho amigos passionais. Sim, eu sou passional também. Nós queremos entender o amor, pelo menos é o que eu quero, entender de onde vem a força das teias que nos prendem neste assunto. O que não nos faz esquecer. O amor domina a gente e não o contrário.
Porque o amor toma as rédeas da vida da gente, bagunça tudo, o que era certeza deixa de ser, o certo ou errado não existe, o bom ou o mal idem. Quando se ama acredita-se! Se faz promessas. Planeja-se. Sonha-se. E um dia, um tempo depois, ou nem tanto tempo assim, no sutil do de repente, pluft! Deixa de ser. E a gente odeia o amor quando isso acontece, os planos, os sonhos, as promessas?! Pra quê? Pra quem? É uma loucura, um distanciamento do real.
O príncipe morre, o amor da vida da gente não é mais a vida da gente, e os defeitos, putz os defeitos ganham neon e evidenciam-se, e é tão ridículo ver o quanto a gente é bobo. Vergonha alheia, sofrimento honesto. Dor mesmo.
A gente cresce e depois das primeiras decepções cria casca. Se entrega menos, acredita menos, finca os pés no chão, aprende a amar os defeitos, a ser mais flexível, a falar menos ou pensar um pouco mais antes, e vive o amor manipulado. Que nunca mais vai fazer nó na garganta, nunca mais vai transformar a gente em bobo da corte, nunca mais vai ser amor.
Porque o amor manipulado é consciente, é menos dolorido, mais confortável, mas nem de longe vai ser o amor que eu sonhava sentir quando era menina. Que eu senti nas primeiras vezes, e que eu guardo ainda hoje num lugar muito especial. Acho mesmo que o amor pode ficar assim mais careta e tem seu lado positivo, mas quando ele perde o jeito sapeca de dar olé na vida da gente também perde a graça. Queria o meio termo existe?
Queria que amar não fosse tão dolorido, mas é assim mesmo. Queria não ficar tão perdida e ameaçada com ele, mas eu fico. Queria não querê-lo tanto, mas eu o quero sempre. Porque se a gente não ama, faz o que da vida? Eu não sei.
Eu tenho grandes amores, amores que eu acumulei na vida, ex namorados, marido, amigos, irmãos-de-alma, e todos eles são doloridos, doces, ansiosos, indecisos, prazer, ódio e um pouquinho de tédio. Todos eles são ricos em experiências, todos eles aquecem a minha alma, todos eles me compõem.
O amor que eu não sei explicar mas que me move todos os dias, por muitas pessoas é o que me faz humana, é o que me iguala, é o que eu não sei deixar de sentir.
Mesmo que doa. Que fure a carne. Eu sou o amor da cabeça aos pés.

*Ouvindo Mesmo quando a boca cala, Bruna Caram e Vinicius Calderoni.

quinta-feira, maio 05, 2011

Porque você me deu a oportunidade de viver o novo

Passei a tarde com meu pai hoje, ele me pegou no trabalho, almoçamos juntos, ouvimos música e conversamos sobre elas, ele me mostrou canções antigas eu apresentei bandas novas a ele, conversamos também sobre conduta, princípios, religião, política, união homoafetiva, amizade, relações e casamentos. Porque a gente adora conversar, trocar histórias, dividir a vida e nessas horas finjo que esqueço (ou acabo realmente sem notar) que na verdade ele é o pai da Isadora (minha amiga-irmã-de-alma que mora na Venezuela)eu fui adotada pelo amor da família dela, pelas coisas em comum que gostamos, e pode não ser de verdade, porém eu não me imagino sem eles.
Porque na vida o que importa é amar, ser amado, e não importa que família tem mais haver com a gente se a biológica ou a afetiva, não importa o tamanho do sofrimento e das perdas paternas que eu tive não há remédio. O que importa que houve tempo e sorte para encontrar essa convivência agradável, essa família "emprestada" para aprender o que não pude, para viver o que não vivi, para amar sem medidas como nem sabia que podia. Eu amo e posso, acredite!

sábado, abril 30, 2011

O melhor de mim*

Gosto mesmo do turbilhão de sentimentos que se confundem dentro de mim. Gosto da ideia de não ser previsível. Gosto de não possuir certeza alguma, de querer sempre mais e mais, de acreditar que todo sentimento tem que ser honesto, que toda atitude tem sempre uma responsabilidade com o outro, gosto de saber que eu tenho amizades impossíveis, que todo os meus amigos verdadeiramente próximos me conhecem mais que a minha mãe. Gosto de tudo que faz com que os meus amigos continuem meus amigos, gosto quando eles aparecem em casa pra bater papo a noite inteira, dormem aqui, e como todos são bem vindos nas vidas uns dos outros, uma imensa bagunçada família de amor. E com eles os problemas parecem menores ou ficam ao menos suportáveis. Que cada um sabe que a perspectiva do outro faz parte das escolhas de cada um e sempre são respeitadas. Amo o respeito que os meus grandes amigos tem uns pelos outros. Amo muito os meus.

sexta-feira, abril 15, 2011

Todas as noites são iguais os meninos satisfeitos e as meninas querem mais*

Amigos Sorvete Calor Música RO RO Takai Conversas Confidências e a tarde de sexta se transforma e vai virando noite devagar, como uma menina e seus pequenos seios, seus finos pelos crescendo e sem ninguém prestar muita atenção vai virando mulher. O sol se pôs, fez-se noite e eu ainda fiquei engasgada sem conseguir dizer algumas coisas que queria ter dito, ando assim entalada, nunca tive muito medo de falar nada não, nunca fui de me preservar ou omitir, mas é que eu ando cheia de dedos com os meus sentires, cheia de medos, e ninguém enfrenta nada assim né? Ou enfrenta?
Não sei de nada só quero continuar à escrever as coisas que pretendo, preservar as coisas que ainda não consigo lidar e viver a fossa. Mesmo sem saber porque dessa vez, mesmo não fazendo sentido algum. Tá aí na cara, então é pra viver.
Foi só mais uma tarde que imendou na noite e me acalmou a alma com solidariedade amiga. Não resolveu até porque a questão esta se materializando ainda, mas que ajudou, ah ajudou.

*Capital Inicial

sexta-feira, novembro 05, 2010

Tenho um milhão de coisas pra conquistar e eu não posso ficar aqui parada.

Tenho vontade de aprender tanta coisa que ainda não sei e não tenho a mínima ideia se consigo mesmo aprender essas coisas. E daí? Eu tenho um mundo inteiro baby, depois de você e de suas crises melodramáticas, tenho o mundo inteiro. Tenho tantas pessoas e coisas a conhecer, tantos sabores a provar.
Um mundo que se remonta todos os dias diante dos meus olhos, do lado de fora do meu apartamento minúsculo entulhado de livros e histórias loucas do passado, sonhos pro futuro e um amor de muitas vidas, o meu companheiro amigo-urso. Eu hoje conheço o prazer de dividir-confundir a minha vida com tantas coisas e pessoas, entendo que não possuo ninguém e compreender isso é revelador para um bando de coisa que eu ainda pretendo na vida. E eu pretendo tanta coisa... Não faz ideia.
Infelizmente eu ainda não perdi essa mania besta de escrever sobre isso, sobre esse nós rasgado e sujo, que hoje é tão alheio a você como a cotação do dólar é a mim. Eu te aceito, ou melhor, não te esqueço, não te deixo ir embora porque mesmo sem ter ido definitivamente já me faz a maior falta. E você? Onde está no meio disso que vivemos e vivo? Você simplesmente não está. Se é que já esteve além do corpo presente, uma noite e outra e algumas meias verdades. Mania que eu vou tirar de mim um dia. Porque eu já disse pretendo viver umas outras coisas que estão por aí só aguardando esse espaço que você ocupa e não cuida, não trata e que se depender de você morre. Mas esse você em mim independe de você e é só por isso que existe.
Quero andar de bicicleta por aí sem me preocupar, quero tecer novos planos, organizar as ideias, continuo querendo gritar de dor-de-mundo, ler, ouvir, crer e há tão pouco tempo para fazer tudo isso. Mas eu quero, de algo jeito meio louco, eu vou fazer algumas ou todas essas coisas, no meu tempo, do meu jeito porque você não existe mais, porque você já está de dias contados a muito tempo, você vai de vez. Vai sim.
Até a saudade vai junto. Mesmo que da boca para fora.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Sobre o que me compõe

Entendi depois de muito tempo que nem todo amor tem que ser vivido até o osso. Que alguns amores podem ser guardados, e até ficam melhores com tempo, desde que de vez em quando você o visite. Porque sempre tive problemas para distanciar-me, tornar-me inatingível ao encantamento que comove nos olhos dos que merecem amor. Sempre amei aos montes, mesmo ouvindo que isso não era possível. Que não haveria espaço dentro de mim para tanto. Consegui provar para mim mesma que eu posso alojar todo o amor que existe em mim nos meus cantos, mesmo que as vezes se misture com minhas entranhas, que eu me confunda um pouco com os espaços vazios que ainda existem. Mesmo que um dia eu me torne só amor, eu corro o risco e amontoou.
Amontoou pessoas, histórias, ex-namorados, irmãos, amigos e até um pouquinho mais, palavras, músicas, autores e livros. Amo a ideia de ser caixa vazia, de não possuir divisórias e poder suportar qualquer tamanho. Qualquer entrega. Quero continuar defendendo com atitudes e gestos - sutis-ou não - que o amor pode ser redimensionado.
Que o amor para ser vivido tem que ser compreendido em sua essência e tudo começa com o respeito. O respeito é a base de qualquer tipo de amor - mesmo que seja clichê é a grande verdade - que o amor redimensionado pode ser remédio para curar passado doído, pode ser alicerce pro futuro desconhecido. O amor nunca é à toa. O amado da gente (seja o que/quem for) é pra sempre da gente, daquele jeitinho particular que a gente criou, internalizou e desejou que fosse. Porque também há essa possibilidade: de o amor não ser o que a gente vê. Não é obrigação do outro, nem nós mesmos podemos ser coagidos a tornarmo-nos o que o outro espera da gente.
O amor veem dentro de um caminhão desenfreado, ou da sutileza da brisa da primavera e nunca do que a gente espera. Do que nós pensamos que o diferencia. O amor é alheio e ainda sim parte de nós de uma maneira inexplicavelmente intensa.
Não sei explicar como todas essas pessoas e coisas tão especiais e significativas vivem amontoadas dentro de mim, da mesma maneira que eu não saberia explicar porque não consigo viver sem todas elas. O amor guardado, o amor vivido até o osso, o amor de irmão, o amor interrompido, o redimensionado, todos eles se fundem e me compõem. Eu sou o amor, o resto são só ossos e entranhas. E claro, eu só existo sendo palavra mais aí é outra história.

sexta-feira, julho 23, 2010

Me aqueça. Me vira de ponta-cabeça...*


"Eu não quero ter vergonha de nada que eu seja capaz de sentir."*

Há algum tempo atrás compramos juntos um casaco pra mim. Adorávamos ir juntos comprar qualquer coisa. Andar, discutir, conversar, resolver... lembro que no mesmo dia eu passei 40 minutos tentando convencer-te que eu merecia aquele par de "pantufas arco-irís de cano-alto" para combinar com o meu jeito desleixado de rodar pela casa a noite por causa da insônia. Depois o chopp e o papo descompromissado de fim de tarde, e nenhum indício que aquela seria uma das nossas últimas conversas... Sinto tanta falta de ver-te, de conversar sobre qualquer coisa. Tenho recebido umas ligações desconhecidas, não dizem nada, seria tão bom se fosse você do outro lado da linha, se do nada falasse como se não houvesse todo esse tempo e distância entre nós. Porque para as minhas lembranças esse tempo realmente não há.
Mesmo que todos digam que acabou. Que não há mais a amizade de antes, que não faz sentido esperar, sabe, eu ainda espero, espero que o interfone toque avisando que você está na portaria e veio me fazer uma surpresa, mesmo que eu saiba que você não sabe meu novo endereço. Na verdade você ignora esse meu novo endereço, essa minha nova vida.
Eu espero um email longo contando novidades, mesmo que eu também saiba que você não é muito dado a emails e conversas virtuais. Eu fico esperando de você coisas que eu sei que não virão, é porque eu já cansei das suas obviedades, do seu "eu previssível" e queria tanto conhecer um novo você cheio de vontade de mim, quase como o você de antes o da compra do casaco, da discussão das pantufas, do chopp, o você que eu deixei dormindo num colchão no chão da casa da Manuh depois daquela noite de Rua da cultura.
Que aquele casaco não significa um adeus, um acalento concreto, um não a amizade que tinhamos, que não existam significados velados.


*Rita Lee
*Caio Fernando Abreu

sexta-feira, abril 23, 2010

Tentado colocar ordem aqui dentro.

Sinceramente, não pretendo ficar me desculpando pela minha racionalidade. É desse jeito que 'momentaneamente' eu estou vendo o mundo. Não quero pedir desculpas a ninguém no momento, e não é porque eu tenho dificuldade de pedir desculpas, porque eu não tenho MESMO, só não acho que devo no momento fazer isso. As vezes tenho a sensação que as pessoas me apontam, falam sobre mim pelas costas, estão me olhando e julgando. Pessoas que me conhecem, claro, não estou 'ainda' tendo um surto psicótico, sinto que os meus amigos tem me omitido coisas. E eu não gosto de omissão.
Eu sei que ando por aí me arrastando pelos cantos, sei que tenho ficado sozinha demais, que quando falo muitas vezes devaneio e sou cruel, sei também que eu tenho racionalizado tudo e que as emoções - meio que tiraram férias -, porém vejam bem, no meu último tombo feio (do qual ainda me recupero) eu não estava racionalizando as coisas - puta-que-pariu foi um tropeço do caralho - e tudo isso aconteceu porque eu estava muito envolvida 'como-só-eu-sou-capaz-de-fazer' sem calcular em que altura exatamente eu estava rodopiando de olhos vendados.
Não sou de defender a frieza, não acho que é o melhor caminho calcular tudo, ponderar sempre, quem me conhece sabe, gosto das coisas feitas por impulso, me apaixono sempre e por quase todo mundo que tem brilho no olhar, só que o tempo não está bom pra sair e tomar banho de chuva, não está bom pra se apaixonar pelo brilho de ninguém.
Eu estou organizando as coisas aqui dentro novamente, estou tentando achar um cantinho estratégico onde eu possa colocar uma jaula pra trancar essa minha mania de ir tão fundo nas pessoas, de deixar que elas entrem em mim e me conheçam a ponto de me sabotar. Eu preciso me proteger de mim, colocar essas minhas emoções intensas de castigo até segunda ordem.
Preciso digerir e ao mesmo tempo de algo que me entretenha durante esse período. Preciso também não enlouquecer remoendo essas coisas que me doem tanto.

A verdade mesmo é que preciso dar um tempo nesse livro que ainda me deprimindo assim.

quinta-feira, março 11, 2010

Sobre o pseudorelacionamento com o menino-bobo-dos-sonhos ou Vivendo e aprendendo a jogar

Uma vez eu conheci um cara, amigo dos amigos de anos, no lugar de sempre. Mas naquele dia ele era diferente, como se nunca eu estivesse ido lá, visto aquelas pessoas e sentido aquelas coisas. Porque quando eu me iludo, dou um olê em mim mesma. Porque quando eu começo achar alguma coisa, eu devaneio.
Então aquele menino com cara de sujo, de poucos amigos e esquisitão, ficou tão lindo refletindo nos meus olhos e tudo que deveria ter feito com que em me afastasse acabou virando charme. E uns amigos diziam, não se mete com ele, ele é mais problématico que você. E eu quase suspirava alto.
Eu sonhei dias, noites, muito muito tempo com ele. E se dividi horas com ele foi muito. Claro que pra mim foram eternas, claro que eu via estrelas no céu, parecia feriado, festa na praça central era o que eu queria sentir. E era o que sentia.
Eu amei sozinha, achei que nunca mais aquelas lembranças se tornariam brandas, eu que nunca consegui gravar muito dos outros tinha a imagem dele tatuada na minha retina. Como esse amor não correspondido me ensinou. Muito mais que os vividos intensamente antes dele. Lições para a vida toda.
Aprendi que o amor nasce em mim, pode crescer e enraizar no outro ou não. Que ninguém é obrigado a amar o outro por pena. Que mesmo que o encontro seja lindo e pareça final de filme de sessão da tarde o outro alguém pode não se comover como você. E o principal, aprendi que a felicidade não depende da realização de um sonho lindo de amor-eterno-com-um-desconhecido-bem-posicionado, a felicidade a dois surge depois que a pessoa envolvida e conhecida, internalizada, compreendida e respeitada. E na minha relação com esse menino-bobo-dos-sonhos nunca existiu respeito.
Demorou muito pr'eu poder visualizar esse pseudorelacionamento desse modo. Precisei de experiências concretas que derrubaram aquelas paredes tão fortes que eu crie em volta dele. De alguém que trouxesse algumas sementes e plantasse um imenso e lindo jardim.

terça-feira, março 02, 2010

Percebi.

Eu sou feliz. Dei-me conta disso às quatro da tarde de um dia chuvoso, por ter amado a todos com tudo que podia, por ter ido até onde nem os meus olhos alcançavam, por ter dado até aqueles restinhos de amor que ficam nos cantos. Hoje sei que dei o que era necessário. Nem mais, nem menos, nem.

Amei cada um como se fizesse uma oração por todos juntos. Em cada pôr-do-sol de tirar o fôlego. Em cada amanhecer na praia. Todas as vezes que inesperadamente quase pisei numa flor que surgiu no meio do caminho como uma espécie de presente, agradeci os instantes divididos e inesquecíveis.

Desde pequena, sempre que eu me sinto muito feliz, sempre que sinto aquele cheiro mágico de momento único no ar, faço uma panorâmica. Tento reter tudo que pode me fazer lembrar dali a muitos e muitos anos aquele instante que não viverei mais. Eu nunca consegui aceitar sem queixas que um dia eu esquecerei tudo. Como minha avó que no fim da vida não era capaz de pronunciar palavra alguma nem lembrava de ter feito isso um dia ou a importância que isso tinha.

Como poderia esquecer todas as conversas reveladoras que tive, todos os amigos-irmãos de alma, todos os amores inesquecíveis. Como?

Como poderia ter vivido essa vida sem ter amado a todos que amei, sem ter vivido tudo que ela tinha para me oferecer. Dos presentes que essa vida me proporcionou o que foi mais delicioso viver foi o amor. Todos os tipos. Aqueles que surgiram da admiração mútua. Aqueles que transbordaram da amizade. Aqueles que só tinham explicação na carne. Aqueles que só existiram nos sonhos. Os que surgiram sutilmente. Os avassaladores. Aqueles que sem os quais a vida não faria sentido. Aqueles que depois de tudo deram sentido a minha vida. Eu fui o amor. Eu sou.

Principalmente o amor que dedico à palavra. E toda a emoção que ela me dedicou por toda a vida. A minha maior devoção. A única.

Amei. Amigos. Idéias. Livros. Telas. Filmes. Fotografias. Movimento. Dança. Música e músicos. Autores. Completos Desconhecidos. Noites. Dias. Tardes. Segundos. Amei quase sem querer tudo que passou pelos meus olhos, tudo que por mim foi pronunciado. Tudo que faz com que o amor ainda exista em mim.

Peço à força que movimenta o mundo e proporciona tudo, que eu não perca as minhas lembranças quando a velhice me encontrar. Que as lembranças que as pessoas que convivi possui de mim não sejam descartadas quando desaparecer, elas são a minha própria vida. Que as palavras não me abandonem nunca. Que os amigos-irmãos-de-alma sejam eternos. Que a alma para sempre transborde de amor, para que cada dia eu ame mais e mais mesmo que isso me deixe um pouco zonza, confusa, e com os olhos cheios d’água. Mesmo que...

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Prefiro não rotular

Eu tinha o que alguns chamam de amizade perfeita. Eu prefiro chamar de completude. Graças a uma força maior que desconheço, tenho algumas amizades perfeitas parecidas com essa que perdi, porém, nenhuma dessas me faz sentir menos a falta que ela me faz. Quais os motivos para o fim? A sociedade. Estranho né? Mas nesse caso foi. Essa mania besta que as pessoas tem de generalizar para achar o nome certo para as coisas, levou meu amigo embora. Quero deixar bem claro que eu nunca - principalmente agora depois que ele se foi - eu nunca tentei achar um nome para o que a gente tinha. Porque qualquer palavra já existente não caberia para o que tinhamos, nem se eu inventasse uma nova palavra para conceituar, ela ainda não diria tudo que essa amizade me disse com: troca de olhares, cumplicidade, amor (porque não dizer?), sinceridade e aquela magia que liga pessoas por aí - todos os dias que ela existiu. Eu tinha um amigo (um ex-namorado muito próximo e meio estranho como preferiram rotular) mas ele foi embora. Mudou-se da minha vida, da vida que a gente dividia quando estavamos juntos, para um outro lugar provavelmente sem o mesmo brilho que eu não sei onde é. Eu tinha um amigo cheio de defeitos; cheio de manias que me enlouqueciam, de cobranças sem lógica e ciúmes de irmão que me fez perder a cabeça e discutir feio várias vezes, mas nunca em nenhuma de nossas conversas acalorodas me fez esquecer o carinho sem pedidos, daquele abraço de urso, do ouvido que adorava minhas abobrinhas - e o mais incrível, que entendia todas elas - que só ele tinha. Das conversas da madrugada, dos passeios não programados de qualquer hora, das risadas e daquela cumplicidade que nem se comenta. Sim ele tinha defeitos que me enlouqueciam e me faziam gostar mais ainda deste "não-saber-porque-tanto-gostar-de-alguém-tão-irritante" que me deixava maravilhada em todos os dias. Mas esse meu amigo não quer mais dividir coisas comigo. Porque em algum momento que eu não sei bem precisar, eu ou ele, até os dois, ficamos meio assustados com a pressão do mundo com suas nomeclaturas e talvez tenhamos desistido. De quê? De defender o direito de amar e ainda sim não ter necessidade sexual alguma pelo outro. Como em o conto Os sobreviventes de Caio Fernando Abreu, nós tentamos algo mais a algum tempo atrás e não era bem isso que a gente precisava pra ficar junto. Faço-me clara? Nós só queriamos viver, compartilhando momentos algumas vezes, nos divertindo como amigas mulheres "não lésbicas" fazem. Ter o direito de não ouvir piadinhas, indiretas e até broncas mesmo de quem nem tem noção como amizade perfeita pode ser. Mas infelizmente nessa vida, essa minha alma-irmã tão querida e eu desistimos por puro cansaço de lutar contra essa tortura cultural desumana de rotular tudo e todos sempre. E olha que eu não fujo de briga.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Puta medo do mar

Eu tenho um puta medo do mar daquela imensidão toda... As vezes tenho um puta medo de mim quando me vejo assim tão imensa. Tenho um puta medo de tudo que eu me reservo, tudo que há dentro da minha imensidão que eu não posso controlar... e eu quase não controlo nada.

Cabe em mim um maracanã para cada amigo querido distante, alguns muros de Berlin que coleciono com medo de ver o que há do outro lado, uma árvore de natal imensa de más recordações da infância e um daqueles edifícios gigantescos de Dubai de recordações de coisas boas que já vivi nessa vida. Eu só não sei onde exatamente cada coisa fica, não sei como organizar tudo, manter limpo e calmo esse lugar que eu nem sei direito onde fica dentro de mim.

E com tantas coisas para pensar, eu ainda tenho que me preocupar por que eu não consigo me livrar dessa saudade de você, não consigo explicar pra mim que não vale a pena que é melhor mesmo "deixar ir" que você não sente o mesmo nem pretende entender o que acontece com a gente. Sabe eu sinto uma puta falta da sua companhia, das conversas e dos passeios mesmo que alguns amigos digam pra mim que eu posso ter companhias melhores, mesmo assim, eu acredito no que acontece quando a gente divide momentos.

Eu tive que aprender tanto de você para conviver, e no momento, -bem nesse lugar onde estou para você- percebo que não aprendi o suficiente, entendo que não há nada mais para ensinar a você sobre como manter pessoas queridas por perto porque definitivamente você não é capaz de aprender.

Eu queria tecer novos momentos, eu queria compreender cada dia mais porque essa amizade é tão importante para mim, porque eu faço tanta questão de preservar você...

Eu queria entender porque eu gosto tanto do mar e ao mesmo tempo tenho tanto medo de não saber lidar com ele, de não entender onde ele quer me levar e de não conseguir pisar no chão.
Porque as coisas não podem ser menores, as imensidões transformadas em caixinhas de fósforo só por alguns dias, porque talvez assim eu consiga percorrer todos os caminhos que existem em mim e que infelizmente no momento é impossível chegar.

sexta-feira, novembro 27, 2009

Planos e Certezas

Eu tenho novos planos, eu sei que meus planos não são lá grandes coisas - porque sempre mudam - porém, pelo menos são MEUS. É, tem umas outras possibilidades batendo na porta e eu estou bastante tentada a abrir, você diria agora: Então abra essa porra logo caralho! Mas eu estou pensando, que dessa vez talvez eu devesse ir devagar. Nem sei como se faz alguma coisa devagarinho...
Mas é isso. Eu quero tentar desabrochar esse plano, pelo menos esse, devagarinho, pétala por pétala, sentir desabrochar aos poucos na hora dele, no tempo certo. Pela primeira vez esperar e não forçar que as coisas aconteçam no meu tempo. Tenho que fazer valer essa possibilidade, dar condições para que ela aconteça por mérito. Essa é a melhor alternativa para focar no momento.
É a vida ainda anda bagunçada, isso mesmo, sempre os mesmos problemas cada vez mais velhos e mais fracos - pelo menos -, queria muito dar uma volta com você de bicicleta, vamos? Sem destino, sem motivo, sem planos, nesse momento só seguir um caminho qualquer com você já seria grande coisa, é que as vezes, mesmo tudo me dizendo que não, as vezes eu sinto que caminhamos em caminhos diferentes... Penso e não tem problema se for mesmo assim, só queria que fosse as claras.
Só queria um papo, aquela passionalidade toda e um pouco de certezas, mesmo que momentaneas...

quarta-feira, novembro 04, 2009

Sobre os meus ex-namorados e eternos amigos. Sim eu sou amiga dos meus!

Estou procurando um bom título para esse post, espero que pelo menos até que eu o acabe encontre.
Tive - para algumas pessoas - muitos namorados, para mim, só o que era necessário ter. Todos eles são muito meus amigos, e eu os adoro. Sim, eu adoro os meus ex! Mesmo depois das brigas. Eu converso com eles, saiu com eles quando dá, aconselho e torço muito pela vida deles e eles pela minha. Estranho? Eu não acho, pelo contrário acho que não preservar a amizade é que é bem louco. Claro que alguns namoros realmente acabam muito mal e existem mesmo algum motivos que podem melar a amizade. No meu caso, aconteceram algumas vezes coisas ruins, que me decepcionaram muito, mas eu preferi encarar do melhor jeito. É, tá aí um campo da minha vida em que sou otimista.
Preferi conversar, ouvir, tentar entender e só terminar sempre que qualquer passo mais adiante acabe a amizade de vez. Prefiro que a amizade, o companheirismo e o amor permaneça. E é por isso que eu ainda os amo muito. Claro que o tipo de amor muda, mas não o interesse pelo bem estar, pela companhia e a cumplicidade. Alguns dos meus ex são as minhas ilhas, alguns deles são simplesmente o melhor lugar para entender algum problema, para chorar alguma mágoa ou para morrer de rir depois da maior merda inevitavelmente feita. São concerteza os melhores amigos para as melhores e piores horas.
Claro que isso confunde algumas pessoas um pouco, inclusive as suas respectivas namoradas (as vezes bastante ciumentas). Mas a gente acaba tirando de letra, porque é meio que impossível não acreditar numa amizade sem pretextos e meias verdades vinda da gente. E isso de ser boa e velha amiga dos ex é muito bom, porque mesmo o que foi mal acabado, perdido, dolorido e sofrido pra cacete se transforma num outro motivo pra fazer dar certo, pelo menos a amizade. Vira vontade de passar por cima e entender o que antes era impossível absorver, digerir, acompanhar, respeitar e principalmente aceitar.
Assim não apago com borracha ninguém da minha vida, até porque NÃO SE APAGA NINGUÉM DE VIDA ALGUMA, não preciso mentir pra mim internalizando o "desamor" e vivo sabendo que não passei por cima de nenhum sentimento bom, nenhum amor, mesmo o mais bobinho e imaturo porque concerteza todos eles me ajudaram a ser a pessoa que sou, ensinaram a tomar as atitudes que tomo e a viver o amor nessa atual relação como vivo. Sem cobranças inalcançáveis, com liberdade, com cumplicidade e respeito.
Sim, até o meu primeiro namorinho de portão faz parte desse meu casamento atual.

domingo, novembro 01, 2009

Sei lá se o que me deu foi dado, sei lá se o que me deu já é meu...*

E bum! Como se naquele exato momento tudo fizesse um sentido enorme a tempos, numa noite de insônia qualquer ouvindo as músicas deprê de sempre encontrei o que não me deixava entender o óbvio. É que eu ainda tenho algumas barreiras antigas, mas naquela noite, sim, aquela noite eram quase 4 da manhã, o teatro mágico ao fundo e eu entendi que não foi você que me deu esses meus rumpantes otimistas, o meu jeito bobo de fumar sentada na varanda vendo a madrugada passar me sentido a mais estranha das estranhas criaturas. Não, eu sempre fui assim mesmo antes de você, eu sempre fui a mais estranha das estranhas criaturas. E a única coisas que você fez foi me dar a possibilidade de ver isso em mim, dividir isso com você.
Porque o que eu achei que você tinha me dado já era meu, e agora eu estou muito mais tranquila por não te ter mais por perto, e finalmente entendi que não era você que me transformava nisso que eu tanto gosto de ser, era eu.

*teatro mágico.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Como você me doí vezemquando*

Sempre tive uma grande admiração por você, e não é difícil admirar você por tantos motivos. Sempre tive a certeza que o queria sempre perto, e fomos amigos próximos durante muitos anos. Um dia você me contou, depois de me fazer perder uns 3 ônibus para casa que você tinha se apaixonado por mim, e eu nunca tinha visto você tão desajeitado, tão sem palavras. E eu fiquei tão emocionada, apesar de já saber depois de uma fofoquinha amiga, mas ouvir de você deu um tom de verdade àquela dúvida.
Eu já tinha pensado na possibilidade de querer você, e eu mesma me convenci muito tempo antes da descoberta que eu era caótica e louca demais para alguém como você. Eu achava mesmo que tinha que rolar na lama dos poços que me ofereciam como possibilidade de amor pra achar alguém, eu achava que o meu caos só seria feliz quando se juntasse a um caos tão caótico quanto o meu. Mas eu me enganei.
Depois de muitas conversas, paciência e companheirismo, eu cedi, decidi tentar e estamos juntos desde de então, e esse mês faremos quatro anos. Quatro anos de amor, e porque não dizer quatro anos de luta. Pra mim, por muito tempo, você foi uma causa que valia a pena. Foi tão difícil ser inserida na sua vida, ser conhecida pela sua família tão comercial de margarina. E nela nunca fui aceita.
Hoje sou sua segunda família. Hoje moramos juntos e temos uma filha felina que nos dá muita felicidade. Depois de muita confusão pra você sair de casa e tentar a vida comigo, a ovelha negra.

É muito bom saber que você vai chegar em casa depois das sete, coisa boba né? Mas é sério, como a raposa do Pequeno Príncipe, eu começo a ficar feliz as seis da tarde só por saber que as sete você vem.
Mesmo nesse momento tão estranho que eu ando vivendo, mesmo você não entendendo nenhuma das minhas cobranças. meus medos ou atitudes. Eu queria dizer que hoje as 4 da tarde eu já fiquei feliz por saber que as sete estaremos em casa juntos. E mesmo com as minhas "brigas-monólogos que fazem todo o sentido pra mim e nenhuma lógica pra você", saiba que eu te amo desde que aceitei dividir esse sentimento com você, desde que deixei você entrar e habitar meu coração que vivia repleto de lama dos antigos poços.

Infelizmente estou tentando te dizer que ando infeliz, que você não tem me ouvido como eu queria, me querido como eu queria, me vivenciando como antes, e aguardo aquela conversa que só verdadeiros amigos-amores podem ter. Só não demora viu?


* Caio Fernando Abreu, Harriet.