Creio que tudo possui várias perspectivas, tudo. E por isso me dou ao luxo de pensar em tudo um milhão de vezes ou até não conseguir extrair mais nada da tal vivência em questão. É óbvio que tem coisas que eu já dediquei horas e que ainda não entendi, e talvez nunca entenderei e não me importa isso, o que importa mesmo é ter pensando, dedicado horas da minha vida a questionar, entender e construir o que é opinião minha e não consenso coletivo.
Vendo tv, acabei numa entrevista de João Carlos Martins, pianista e hoje regente, que desde sempre só olhar pra ele em qualquer lugar enche meus olhos de lágrimas, gera um choro engasgado uma dor na espinha, porque só quem já viveu pelo menos um dia na vida com a mão atrofiada consegue ter a dimensão do que é aquilo, principalmente para um pianista por exemplo. Sei que não sou como escritora nem de muito longe o pianista que ele foi, porém, talvez eu já tenha chorado as mesmas lágrimas. Lágrimas de quem conversa com as mãos e tem que reaprender a falar com o resto do corpo, a dor de não poder mais ser a única coisa que você tinha certeza que era, não mais poder fazer o que te move, e o pior de tudo porque visívelmente e existem provas médicas que você não pode mais. Não há um não querer, é um não poder.
É quando a vida te nega uma esmola, você precisa daquilo pra viver, pelo menos é assim pra você - é o seu alimento, a sua essência vital - mas a vida diz olhando nos teus olhos sem piedade, perdoe. Vivi algumas vezes esse momento, um cara de branco olhando nos meus olhos dizendo você tem que parar, não era definitivo (ainda), porém não deixava de ser cruel por não ser.
E sobre não poder escrever, levantar um copo para beber água, tomar banho e trocar de roupa eu já pensei horas a fio, já chorei um mar de lágrimas e já consegui contaminar algumas coisas aqui dentro com um pesar, talvez, irreparável. Você não sai de uma lesão, de um imobilização, você não engole um não como esse fácil. Você tem que enlutar, pensar e sofrer horrores questionar a vida e acabar pensando na morte, como coisa boa, como coisa ruim. Ruminar a sentença do não poder, eu transcritora braille há tanto tempo, que conheço tantas pessoas sentenciadas, que nunca poderam ver nada na vida, ou nunca mais poderam ver nada para o resto da vida. Eu, que poderia ser tão mais calejada, mais forte, choro o meu não poder e as minhas dores como se não tivesse experiência nenhuma, porque realmente não tenho. Depois de muito pensar entendi que existe a minha dor, e principalmente a minha perspectiva da dor, e quem me enxerga possui uma visão diferente sobre a minha dor. E essa dor de perder algo individual não pode ser encarrada como uma vivência coletiva. Os meus amigos, meu marido e o resto da família tem visões diferentes da minha dor e a minha dor causa neles dores que eu desconheço. Mas aquele tal João Carlos Martins ainda me comove, e eu tenho que entender porque me comove tanto assim.
Amo arte e pessoas, amo a humanidade que existe nas duas. Uma das minhas certezas na vida. Amo as palavras e suas eternizações profundamente, amo as palavras que dançam na minha cabeça 24 horas por dia. Eu sou palavra, me apresento as pessoas através delas, me exponho através delas, me componho através delas e sinceramente, não vivo sem elas. E gosto do poder de ser regente das minhas palavras, de possuí-las nas pontas dos meus dedos, as palavras estão aqui nas minhas mãos, o problema são as minhas mãos, que não são de boa qualidade eu diria, tentando amenizar o tom do papo, são as dores cotidianas que as palavras me causam e o que escrever já interfiriu na minha vida para ruim. Mesmo que o que escrever me deu de bom na vida sobresaia eu não posso deixar de perceber o óbvio que me é demostrado todos os dias, quase em doses homeopáticas (as vezes não) que as palavras vão ter que encontrar um novo jeito de sair de dentro de mim, porque por algum motivo caprichoso as mãos um dia não mais poderão regê-las, assim como um dia João Carlos Martins deixou de fazer música atráves das suas mãos nos pianos, eu reles eu que como já disse não sou de escritora nem de muito longe o pianista que ele foi, um dia - espero que ainda distante - quando não mais poderei escrever palavras num papel, num computador ou nas paredes da minha casa e tudo for passodo não tão distante, deverei me lembrar que o que me mantém confiante é que elas nunca poderão sair da minha cabeça e isso me conforta mesmo que meu corpo inteiro esteja atrofiado eu ainda serei palavra em essência, porque no mais profundo de mim é só isso que existe.
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domingo, fevereiro 26, 2012
terça-feira, fevereiro 21, 2012
QUERO FAZER COCÔ NA CASA DO PEDRINHO!
Seria bom poder cometer meus erros, dar meus chiliques e testar minhas novas atitudes na vida de alguém, no corpo de alguém, se existisse na vida a possibilidade de fazer merda na casa do Pedrinho. Ando cansada de testar a minha capacidade de lidar com dores emocionais no meu próprio corpo. Exausta. Ando de um jeito que um apertãozinho qualquer e eu me desfaço em lágrimas de dores emocionais, físicas, que eu não sei lidar sem remédios e pessoas por perto.
Não acredito que deus só da a cruz que a gente pode carregar, a merda que a gente pode por para fora e lá vai. Não acredito em deus e sua incrível misericórdia. Queria acreditar que existe essa tal casa do Pedrinho onde cocô não fede e é tudo limpinho, onde há a tal mãe do pedrinho que é solicita e gentil como deveriam ser todas as mães e abre a porta sorridente pra gente cagar lá, porque cagar na casa (vida) da gente anda difícil. Quero encontrar esse lugar onde despejar merda, vivências ruins e cheias de dores que eu carrego aqui dentro, seja aceitável. Quero sair da casa do Pedrinho feliz, sentindo o cheirinho bom de casa limpa fora do banheiro por mim tão desejado, quero me sentir acolhida e ando tão afetada emocionalmente que a casa do Pedrinho pra mim já é de bom tamanho.
Colocar pra fora os meus medos guardados, as minhas dores, essas responsabilidades que carrego que não são minhas, os meus lutos, o que eu não entendo, o que eu não aceito mesmo entendendo. Eu tenho um mundo pra descarregar na casa do Pedrinho, resta saber onde é esse lugar e se a mãe dele vai abrir a porta pra mim.
Não acredito que deus só da a cruz que a gente pode carregar, a merda que a gente pode por para fora e lá vai. Não acredito em deus e sua incrível misericórdia. Queria acreditar que existe essa tal casa do Pedrinho onde cocô não fede e é tudo limpinho, onde há a tal mãe do pedrinho que é solicita e gentil como deveriam ser todas as mães e abre a porta sorridente pra gente cagar lá, porque cagar na casa (vida) da gente anda difícil. Quero encontrar esse lugar onde despejar merda, vivências ruins e cheias de dores que eu carrego aqui dentro, seja aceitável. Quero sair da casa do Pedrinho feliz, sentindo o cheirinho bom de casa limpa fora do banheiro por mim tão desejado, quero me sentir acolhida e ando tão afetada emocionalmente que a casa do Pedrinho pra mim já é de bom tamanho.
Colocar pra fora os meus medos guardados, as minhas dores, essas responsabilidades que carrego que não são minhas, os meus lutos, o que eu não entendo, o que eu não aceito mesmo entendendo. Eu tenho um mundo pra descarregar na casa do Pedrinho, resta saber onde é esse lugar e se a mãe dele vai abrir a porta pra mim.
sexta-feira, dezembro 23, 2011
O medo de amar é o medo de ser livre* ou Para uma avenca que ainda vai partir
Não que exista algo normal entre nós, longe disso. Mas por esses dias vamos conversar e romper, você ainda não sabe, eu tenho adiado o dia, prolongado as horas e ignorado o inevitável. A gente vai ter que acabar.
O quê? Não me faça por favor perguntas difíceis. Eu também não sei exatamente o que temos. Por quê? Eu até sei sabe, mas isso é papo de horas inteiras reunidas em noite longa e nós não devemos mexer nisso. Vai ser lindo você vai ver, colocaremos um ponto final depois de umas meias verdades, algumas lágrimas e abraços, eu pretendo posicionar esse ponto atrás de uma palavra bem bonita que dê a dimensão do que estamos acabando e de como acabaremos. Mas eu ainda não sei. Estou tentando ver a situação de cima, tentando não procura desculpas ou respostas, pretendo te encontrar num lugar legal, falar de amenidades e depois de alguns silêncios começar mesmo que sem sentido com um 'não quero mais, isso que a gente é, isso que a gente tem que eu não sei definir e tão pouco explicar, não quero mais essa amizade confusa e cheia de sentimentos revirados, eu não posso mais desculpa' seguido de acabou. Esse a gente construído por sentimentos e lágrimas não vai mais existir a partir de hoje. Esse é o grande dia diz tudo, ou se preferir diz nada e só divide o teu silêncio comigo, as minhas lágrimas.
Tenho medo, estou de luto há dias, veio junto com a ideia do ponto final. Fico pensando nas coisas que a gente adora dividir, como elas vão ficar?
Não vai ser fácil porque você sabe né, foram tantas conversas, brigas, músicas, livros, filmes, noites, madrugadas, loucuras, intervalos, praias, almoços, jantares... Foi uma vida mesmo, a vida que existia quando a gente largava a vida de sempre e virava a gente. E que a gente lindo nós fomos, bonito de ver, gostoso de recordar. Mas acabou.
Porque eu preciso. porque você idem. Cortar o laço e ver como a gente funciona efetivamente separado. O amor? Redimensiona. A saudade? se aprende a viver com ela. Só sei que não dá mais para viver em prestações. Não dá pra sangrar junto, nem separado, e o pior, ver o outro sangrar. Não dá, para fingir que é sem importância, que eu não sei que muito é omissão, quando não é mentira. Sentimentos meus. Sentimentos seus. Nossos.
Pode deixar que quando a saudade bater vou cantarolar aquela música baixinho como sempre. Que o que compramos junto, vimos juntos, o que oferecemos ou recebemos do outro vira guardado, lembrança palpável, pelo menos para mim.
Claro que vai doer, que vai demorar pra digerir, engolir e parar de ruminar. A gente é muito um do outro pra simplesmente deixar de ser. Algumas coisas na vida são inexplicáveis, a gente é uma dessas coisas só isso.
Foi mesmo muito importante manter essa coisa que tivemos, que foi tão camaleônica ao longo dos anos. Aprendi muito sobre mim vendo você seguir a sua vida. Cresci nos seus palpites de como fazer melhor do que você, ri horrores da passionalidade de sempre, odeie muitos dos nossos intervalos, quis matar, quis morrer um milhão de vezes mas passou e daqui há alguns dias será lembrança. Passado gostoso de rememorar sentada balançando na rede em tarde quente. Página virada e daqui para frente livro em branco, uma nova caixa de giz, pincel e aquarela, página em branco para desenho livre, poema torto.
Tenho que tirar essa amizade que fura a carne e vive de entranhas das minhas costelas, preciso de espaço pro meu pulmão, de mais um pouquinho de ar. Preciso ver como eu existo sem você e esse elo, preciso te presentear com essa oportunidade também. Estou tentando enfrentar os meus dragões de olhos abertos, sei que vai doer muito, algo beirando o insuportável, mas é que eu quero saber como é não ter os dedos entrelaçados como os nossos. Quero um amor-amigo de caber no peito e esse não cabe mais.
Amo principalmente porque coexiste.
*Música de Beto Guedes.
O quê? Não me faça por favor perguntas difíceis. Eu também não sei exatamente o que temos. Por quê? Eu até sei sabe, mas isso é papo de horas inteiras reunidas em noite longa e nós não devemos mexer nisso. Vai ser lindo você vai ver, colocaremos um ponto final depois de umas meias verdades, algumas lágrimas e abraços, eu pretendo posicionar esse ponto atrás de uma palavra bem bonita que dê a dimensão do que estamos acabando e de como acabaremos. Mas eu ainda não sei. Estou tentando ver a situação de cima, tentando não procura desculpas ou respostas, pretendo te encontrar num lugar legal, falar de amenidades e depois de alguns silêncios começar mesmo que sem sentido com um 'não quero mais, isso que a gente é, isso que a gente tem que eu não sei definir e tão pouco explicar, não quero mais essa amizade confusa e cheia de sentimentos revirados, eu não posso mais desculpa' seguido de acabou. Esse a gente construído por sentimentos e lágrimas não vai mais existir a partir de hoje. Esse é o grande dia diz tudo, ou se preferir diz nada e só divide o teu silêncio comigo, as minhas lágrimas.
Tenho medo, estou de luto há dias, veio junto com a ideia do ponto final. Fico pensando nas coisas que a gente adora dividir, como elas vão ficar?
Não vai ser fácil porque você sabe né, foram tantas conversas, brigas, músicas, livros, filmes, noites, madrugadas, loucuras, intervalos, praias, almoços, jantares... Foi uma vida mesmo, a vida que existia quando a gente largava a vida de sempre e virava a gente. E que a gente lindo nós fomos, bonito de ver, gostoso de recordar. Mas acabou.
Porque eu preciso. porque você idem. Cortar o laço e ver como a gente funciona efetivamente separado. O amor? Redimensiona. A saudade? se aprende a viver com ela. Só sei que não dá mais para viver em prestações. Não dá pra sangrar junto, nem separado, e o pior, ver o outro sangrar. Não dá, para fingir que é sem importância, que eu não sei que muito é omissão, quando não é mentira. Sentimentos meus. Sentimentos seus. Nossos.
Pode deixar que quando a saudade bater vou cantarolar aquela música baixinho como sempre. Que o que compramos junto, vimos juntos, o que oferecemos ou recebemos do outro vira guardado, lembrança palpável, pelo menos para mim.
Claro que vai doer, que vai demorar pra digerir, engolir e parar de ruminar. A gente é muito um do outro pra simplesmente deixar de ser. Algumas coisas na vida são inexplicáveis, a gente é uma dessas coisas só isso.
Foi mesmo muito importante manter essa coisa que tivemos, que foi tão camaleônica ao longo dos anos. Aprendi muito sobre mim vendo você seguir a sua vida. Cresci nos seus palpites de como fazer melhor do que você, ri horrores da passionalidade de sempre, odeie muitos dos nossos intervalos, quis matar, quis morrer um milhão de vezes mas passou e daqui há alguns dias será lembrança. Passado gostoso de rememorar sentada balançando na rede em tarde quente. Página virada e daqui para frente livro em branco, uma nova caixa de giz, pincel e aquarela, página em branco para desenho livre, poema torto.
Tenho que tirar essa amizade que fura a carne e vive de entranhas das minhas costelas, preciso de espaço pro meu pulmão, de mais um pouquinho de ar. Preciso ver como eu existo sem você e esse elo, preciso te presentear com essa oportunidade também. Estou tentando enfrentar os meus dragões de olhos abertos, sei que vai doer muito, algo beirando o insuportável, mas é que eu quero saber como é não ter os dedos entrelaçados como os nossos. Quero um amor-amigo de caber no peito e esse não cabe mais.
Amo principalmente porque coexiste.
*Música de Beto Guedes.
sexta-feira, julho 15, 2011
Sentindo sem controle
Tenho alma de menina sapeca, acredito e espero mesmo que a minha alma não envelheça. Mas o meu rosto, meu corpo vem dando sinais. Não de uma velhice próxima, mas sim de sua construção. Ninguém fica velho da noite para o dia, as pessoas envelhecem cotidianamente.
Não tenho medo de envelhecer, nem tenho vaidade o suficiente para me importar com isso. Só não quero ficar cansada da vida, cheia de achismos e arrotando vivências, não quero usar a frase 'sei bem como é', odeio quando usam comigo, sei que por mais que você se esforce, cada pessoa vive de um jeito, internaliza como sabe e entende como quer, então ninguém sabe como é que as coisas acontecem comigo ou o quanto significam para mim.
Ando fraca novamente, sinto que estou entrando numa crise, que sabe-se lá quanto vai durar, depois da última confesso que não tenho mais medo, só espero que eu aprenda o mais rápido possível o que ela quer me ensinar e que passe.
Tenho vivido dias bons, encontrando amigos queridos sempre, o que ainda mantem o vínculo com o mundo exterior. Gostaria de conseguir tecer comentários sobre o que eu tenho pensado ultimamente, mas não sou capaz, estou sentindo sem controle, sem me poupar. Sempre foi assim... Doando, doando tudo sempre.
Lembrando sempre que 'se eu tivesse mais alma para dar eu daria, isso para mim é viver'.
Não tenho medo de envelhecer, nem tenho vaidade o suficiente para me importar com isso. Só não quero ficar cansada da vida, cheia de achismos e arrotando vivências, não quero usar a frase 'sei bem como é', odeio quando usam comigo, sei que por mais que você se esforce, cada pessoa vive de um jeito, internaliza como sabe e entende como quer, então ninguém sabe como é que as coisas acontecem comigo ou o quanto significam para mim.
Ando fraca novamente, sinto que estou entrando numa crise, que sabe-se lá quanto vai durar, depois da última confesso que não tenho mais medo, só espero que eu aprenda o mais rápido possível o que ela quer me ensinar e que passe.
Tenho vivido dias bons, encontrando amigos queridos sempre, o que ainda mantem o vínculo com o mundo exterior. Gostaria de conseguir tecer comentários sobre o que eu tenho pensado ultimamente, mas não sou capaz, estou sentindo sem controle, sem me poupar. Sempre foi assim... Doando, doando tudo sempre.
Lembrando sempre que 'se eu tivesse mais alma para dar eu daria, isso para mim é viver'.
segunda-feira, junho 27, 2011
Precisa-se.
Como posso sentir saudades do que não vivi, nem vi acontecer? Como me prender a planos e sonhos de tantos anos atrás? A vida é feita de fases não é? Então me diz em que fase me encontro? Estou com medo de parar de ver o lado bom do presente e começar a viver de passado, pior, passado que não existiu. Futuro desejado, planejado, porém não concretizado, ou seja, também inexistente.
O que eu tenho? Além do presente e do ausente? O que sou além de sonho e dúvida? Para onde ir se não consegui escolher o caminho ainda?
Olhos nos olhos, conversa baixinha, segredos, sonhos, planos, amor, carinho, leveza, afeto que escapa pelos poros, estou precisando de doses cavalares de tudo isso. Doses que substituam o frontal e o tilex de outrora. Quero sanar a dor com amor, dá pra ser?
Franco, honesto, sem reservas.
SEM RESERVAS, prometo. Torço para que eu consiga e se você puder torce por mim também que eu estou precisando.
Demostração de afeto na veia, now.
O que eu tenho? Além do presente e do ausente? O que sou além de sonho e dúvida? Para onde ir se não consegui escolher o caminho ainda?
Olhos nos olhos, conversa baixinha, segredos, sonhos, planos, amor, carinho, leveza, afeto que escapa pelos poros, estou precisando de doses cavalares de tudo isso. Doses que substituam o frontal e o tilex de outrora. Quero sanar a dor com amor, dá pra ser?
Franco, honesto, sem reservas.
SEM RESERVAS, prometo. Torço para que eu consiga e se você puder torce por mim também que eu estou precisando.
Demostração de afeto na veia, now.
quarta-feira, outubro 27, 2010
Como se grita?
Eu esqueci como se grita. Estou tentando desde o início desse dia atípico, onde estou só eu e minha querida filha felina em casa com o maridão viajando a trabalho, tentando gritar sem motivo o que não faço há um tempo. Eu gritava de alegria, de raiva, de dor, de amor, de ódio, de amoreódio, não aquele grito nojento de ataque de narcisismo, não, era aquele grito de delírio onde nenhuma palavra cai bem só o grito. E eu estou tentando gritar, um misto de sentimentos que estão aqui guardados. Quero gritar de alegria porque mesmo odiando dormir sozinha e com todas os devaneios sobre casas silenciosas estou conseguindo dormir sozinha e segura, sem neuras, sem medos. Gritar também de raiva pelo que foi e não é mais, pela amigo-amor que foi de vez, dessa vez pra nunca mais e com todas as decepções possíveis de brinde no combo. Gritar a paz que eu estou sentindo por finalmente ter me encontrado no meu novo trabalho, por estar gostando da adrenalina que é prestar serviço lá. Assim como adoraria gritar o meu inferno astral por não aguentar mais o meu antigo emprego de meio período que se estende até hoje por medo de virar a página e encarar o incerto e tomar decisões.
GRITAR, Gritar a vida, e todas as realizações desse ano, tudo o que aprendi e que está sendo decisivo nessa minha nova crise de dores-fortes-diárias-insuportaveis. Gritar essa dor que não passa, que não decide onde fica, e que não diz ao que veio. Gritar o meu novo jeito de encará-la com menos lágrimas e mais concentração. A resposta está in não out. E é só minha. Só eu preciso aprender a domá-la, aceitá-la e quando puder mandá-la para longe de vez. A dor sempre vem pra gente lembrar da força que há dentro de nós. Do que somos capazes de suportar e das coisas mais secretas, dos traumas mais poderosos que ainda possuímos.
Eu voltei a viver com a dor diárias de antes. Estou no meio de uma crise dela. Só que mais sábia, mais forte e com mais controle sobre o meu corpo e isso já é por si só um grande feito. Não há cura, e dessa vez sem alopatia e fugas, a dor será vivida, combatida e aniquilada um dia por vez.
GRITAR, Gritar a vida, e todas as realizações desse ano, tudo o que aprendi e que está sendo decisivo nessa minha nova crise de dores-fortes-diárias-insuportaveis. Gritar essa dor que não passa, que não decide onde fica, e que não diz ao que veio. Gritar o meu novo jeito de encará-la com menos lágrimas e mais concentração. A resposta está in não out. E é só minha. Só eu preciso aprender a domá-la, aceitá-la e quando puder mandá-la para longe de vez. A dor sempre vem pra gente lembrar da força que há dentro de nós. Do que somos capazes de suportar e das coisas mais secretas, dos traumas mais poderosos que ainda possuímos.
Eu voltei a viver com a dor diárias de antes. Estou no meio de uma crise dela. Só que mais sábia, mais forte e com mais controle sobre o meu corpo e isso já é por si só um grande feito. Não há cura, e dessa vez sem alopatia e fugas, a dor será vivida, combatida e aniquilada um dia por vez.
quarta-feira, janeiro 27, 2010
Prefiro não rotular
Eu tinha o que alguns chamam de amizade perfeita. Eu prefiro chamar de completude. Graças a uma força maior que desconheço, tenho algumas amizades perfeitas parecidas com essa que perdi, porém, nenhuma dessas me faz sentir menos a falta que ela me faz. Quais os motivos para o fim? A sociedade. Estranho né? Mas nesse caso foi. Essa mania besta que as pessoas tem de generalizar para achar o nome certo para as coisas, levou meu amigo embora. Quero deixar bem claro que eu nunca - principalmente agora depois que ele se foi - eu nunca tentei achar um nome para o que a gente tinha. Porque qualquer palavra já existente não caberia para o que tinhamos, nem se eu inventasse uma nova palavra para conceituar, ela ainda não diria tudo que essa amizade me disse com: troca de olhares, cumplicidade, amor (porque não dizer?), sinceridade e aquela magia que liga pessoas por aí - todos os dias que ela existiu. Eu tinha um amigo (um ex-namorado muito próximo e meio estranho como preferiram rotular) mas ele foi embora. Mudou-se da minha vida, da vida que a gente dividia quando estavamos juntos, para um outro lugar provavelmente sem o mesmo brilho que eu não sei onde é. Eu tinha um amigo cheio de defeitos; cheio de manias que me enlouqueciam, de cobranças sem lógica e ciúmes de irmão que me fez perder a cabeça e discutir feio várias vezes, mas nunca em nenhuma de nossas conversas acalorodas me fez esquecer o carinho sem pedidos, daquele abraço de urso, do ouvido que adorava minhas abobrinhas - e o mais incrível, que entendia todas elas - que só ele tinha. Das conversas da madrugada, dos passeios não programados de qualquer hora, das risadas e daquela cumplicidade que nem se comenta. Sim ele tinha defeitos que me enlouqueciam e me faziam gostar mais ainda deste "não-saber-porque-tanto-gostar-de-alguém-tão-irritante" que me deixava maravilhada em todos os dias. Mas esse meu amigo não quer mais dividir coisas comigo. Porque em algum momento que eu não sei bem precisar, eu ou ele, até os dois, ficamos meio assustados com a pressão do mundo com suas nomeclaturas e talvez tenhamos desistido. De quê? De defender o direito de amar e ainda sim não ter necessidade sexual alguma pelo outro. Como em o conto Os sobreviventes de Caio Fernando Abreu, nós tentamos algo mais a algum tempo atrás e não era bem isso que a gente precisava pra ficar junto. Faço-me clara? Nós só queriamos viver, compartilhando momentos algumas vezes, nos divertindo como amigas mulheres "não lésbicas" fazem. Ter o direito de não ouvir piadinhas, indiretas e até broncas mesmo de quem nem tem noção como amizade perfeita pode ser. Mas infelizmente nessa vida, essa minha alma-irmã tão querida e eu desistimos por puro cansaço de lutar contra essa tortura cultural desumana de rotular tudo e todos sempre. E olha que eu não fujo de briga.
quarta-feira, julho 15, 2009
Se eu tivesse mais alma pra dar eu daria...*
Dei. Apesar de todas as opiniões cedidas pelas pessoas mais inoportunas. Dei. Mesmo com tudo contra e a possibilidade da dúvida. Dei. Porque eu sou dessas que dá por aí. Porque não lembro de mim sem esse hábito incomum, não lembro da minha reclusão.
Dei amizade. amor. afeto. rotina. tédio. conversas. bagunça. espaço. tempo. alegrias. risadas. bebedeiras. conselhos. E perdi. Perdi tudo que ainda p0deria se repetir. Pensei, chorei muito ontem sentindo-me miudinha, que no fundo, o doar-me faz bem a mim também. Não dou a quem precisa, dou porque preciso mesmo. E algumas vezes (por exemplo essa em especial) eu dei porque quis, acabei criando a fantasia que ele precisava, porém no fundo, no fundo quem precisava era eu. E disso só me dei conta no fim.
Eu estava fazendo bem a mim. E por tabela o meu interlocutor recebia algumas alegrias também. Essas minhas relações são intensas demais. Essas minhas relações de entrega na maioria das vezes só tiram de mim, pedacinho por pedacinho um sentimento bonito e nobre aqui e ali.
Eu achei de verdade que dessa vez o sentimento era sincero, que não haveria amizade mais pura que a nossa. Acreditei não estar alimentando mentiras, esperas, segredos. E fui dando, dando, recebendo, exigindo e retribuindo até o dia que... Pow! The end. Do nada. O fim sem dar o devido crédito a tudo que foi vivido. um tchau entre dentes. um tapinha nas costas e nunca mais olhares cúmplices, abraços sufocantes, confidências, jogar conversa fora, nunca mais.
Eita costume besta esse. Distanciar pra resolver. Nunca foi fácil pra mim respeitar esse direito do outro de distanciar. Pra mim sempre foi abraço, conversa, respeito ao passado e esperança de muita cumplicidade no que há de vir. Pra mim relações não acabam. Se redimensionam.
Mas agora é respeitar mesmo o direito do outro de distanciar. Infelizmente. Mesmo sem saber o porque do fim. Mesmo sem espaço pra perguntar. É mais uma boa história jogada no fundo do poço.
Mesmo assim, ontem, antes de dormir, eu me perguntei se não era melhor dar menos, esperar menos, se não era mais seguro me esconder um pouquinho (distanciar). E logo limpei as lágrimas com um sorriso meio bobo. Não! Eu continuarei dando um pouco de mim. Continuarei recebendo um pouco do outro. Continuarei construindo relações, descobrindo pessoas e amores. Continuarei porque quando eu penso nessa coisa toda de entrega a frase "se eu tivesse mais alma pra dar eu daria" me inunda o peito de esperança e eu volto a acreditar, e a dar a cara e alma pra bater e cair muitas outras vezes mais.
Dei amizade. amor. afeto. rotina. tédio. conversas. bagunça. espaço. tempo. alegrias. risadas. bebedeiras. conselhos. E perdi. Perdi tudo que ainda p0deria se repetir. Pensei, chorei muito ontem sentindo-me miudinha, que no fundo, o doar-me faz bem a mim também. Não dou a quem precisa, dou porque preciso mesmo. E algumas vezes (por exemplo essa em especial) eu dei porque quis, acabei criando a fantasia que ele precisava, porém no fundo, no fundo quem precisava era eu. E disso só me dei conta no fim.
Eu estava fazendo bem a mim. E por tabela o meu interlocutor recebia algumas alegrias também. Essas minhas relações são intensas demais. Essas minhas relações de entrega na maioria das vezes só tiram de mim, pedacinho por pedacinho um sentimento bonito e nobre aqui e ali.
Eu achei de verdade que dessa vez o sentimento era sincero, que não haveria amizade mais pura que a nossa. Acreditei não estar alimentando mentiras, esperas, segredos. E fui dando, dando, recebendo, exigindo e retribuindo até o dia que... Pow! The end. Do nada. O fim sem dar o devido crédito a tudo que foi vivido. um tchau entre dentes. um tapinha nas costas e nunca mais olhares cúmplices, abraços sufocantes, confidências, jogar conversa fora, nunca mais.
Eita costume besta esse. Distanciar pra resolver. Nunca foi fácil pra mim respeitar esse direito do outro de distanciar. Pra mim sempre foi abraço, conversa, respeito ao passado e esperança de muita cumplicidade no que há de vir. Pra mim relações não acabam. Se redimensionam.
Mas agora é respeitar mesmo o direito do outro de distanciar. Infelizmente. Mesmo sem saber o porque do fim. Mesmo sem espaço pra perguntar. É mais uma boa história jogada no fundo do poço.
Mesmo assim, ontem, antes de dormir, eu me perguntei se não era melhor dar menos, esperar menos, se não era mais seguro me esconder um pouquinho (distanciar). E logo limpei as lágrimas com um sorriso meio bobo. Não! Eu continuarei dando um pouco de mim. Continuarei recebendo um pouco do outro. Continuarei construindo relações, descobrindo pessoas e amores. Continuarei porque quando eu penso nessa coisa toda de entrega a frase "se eu tivesse mais alma pra dar eu daria" me inunda o peito de esperança e eu volto a acreditar, e a dar a cara e alma pra bater e cair muitas outras vezes mais.
terça-feira, junho 09, 2009
segunda-feira, maio 25, 2009
Insisto.
Se você me perguntar eu respondo que tenho. Tenho um monte de problemas na sacola, tá a fim de dividir comigo é?! Eu normalmente negaria, mas ando por demais desesperada para me dar esse luxo. Se quer mesmo saber ando aflita com todas as mudanças que estão para acontecer, e aquela sensação de vazio bateu a porta novamente. O seu objetivo é me ajudar?! Então tenha paciência porque teremos que separar os problemas em graus de necessidade. São muitos. Intensos problemas. Mas por favor não se assuste, fique mesmo que no fim não me ajude em nada, ainda sim fique, a sua presença já me conforta.
A vida sempre foi assim, não me importo mais, criei casca.
Não sei até que ponto sou forte. Porém devo ser muito, muito forte mesmo, pelo menos para suportar a dor dos outros sou um rocha. Tenho nesses anos sido muito útil aos que me rodeiam, não dando tanta importância aos grandes erros cometidos pela minha mãe, ignorando todos as terriveis cenas que presenciei, respeitando o direito de ser livre e se envolver com quem quiser, terminando e começando relacionamentos sem se importar muito se eu gostava ou não dos que iam embora, respeitando o direito de permanecer no erro, mesmo que isso me afetasse. Para continuar sendo justa, respeitei o direito do meu pai de não ter me querido, perdoei o seu desejo a minha morte - ou melhor não dei tanta importância-, também respeito o seu sonho maluco de construir um "haren", tento suprir a necessidade dos meus irmãos para que ele não se sinta tão responsável.
Sei que não posso ser o alicerce sozinha, sei que não há justiça nisso, sei que um dia a casa cai. Sei que eu posso não resistir. Mas insisto. Resisto, pelo menos por enquanto. Enquanto houver forças, enquanto não houver vontade de chorar.
Persisto. Insisto. Resisto.
Mas o que importa?!
"...nada é tão triste assim"
A vida sempre foi assim, não me importo mais, criei casca.
Não sei até que ponto sou forte. Porém devo ser muito, muito forte mesmo, pelo menos para suportar a dor dos outros sou um rocha. Tenho nesses anos sido muito útil aos que me rodeiam, não dando tanta importância aos grandes erros cometidos pela minha mãe, ignorando todos as terriveis cenas que presenciei, respeitando o direito de ser livre e se envolver com quem quiser, terminando e começando relacionamentos sem se importar muito se eu gostava ou não dos que iam embora, respeitando o direito de permanecer no erro, mesmo que isso me afetasse. Para continuar sendo justa, respeitei o direito do meu pai de não ter me querido, perdoei o seu desejo a minha morte - ou melhor não dei tanta importância-, também respeito o seu sonho maluco de construir um "haren", tento suprir a necessidade dos meus irmãos para que ele não se sinta tão responsável.
Sei que não posso ser o alicerce sozinha, sei que não há justiça nisso, sei que um dia a casa cai. Sei que eu posso não resistir. Mas insisto. Resisto, pelo menos por enquanto. Enquanto houver forças, enquanto não houver vontade de chorar.
Persisto. Insisto. Resisto.
Mas o que importa?!
"...nada é tão triste assim"
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quarta-feira, abril 22, 2009
Uma pausa para sentir...
Fiquei doente esses dias. Tive febre alta, dor de cabeça alucinante, uma agonia no peito. Há quem diga que foi virose, eu vou além, foi a minha alma que me pediu um tempinho para pensar em mim e no rumo das coisas, vezemquando essas coisas acontecem. Mas nunca nas proporções desse fim de semana-feriadão. Eu quis tudo ao mesmo tempo morrer-viver-ficar-quietinha-sair-correndo-dormir-acordar...
E como sempre esse tempinho de cama ensinou-me um montão de coisas, jogou tantas outras verdades na minha cara e acabou dando-me mais alguns dias de alguma lucidez. Mostrou-me a verdade sangrenta que vivo na minha casa, a qual vivo todos os dias fingindo não importar-me, de uma outra forma e como doeu vê-la assim. Ensinou-me de quem eu posso esperar coisas e de quem nem vale apena mais esperar coisa alguma. E que chorar mesmo parecendo ser bem ridículo, já que não leva a lugar algum, ajuda a amenizar a dor insistente. Que chorar ainda é um jeito de dizer. Chorar ainda é um meio.
Que as entregas são muito importantes para mim, todas elas, todas as formas de entrega. Todas as possibilidades de escolha para se entregar. E mesmo tendo chorado todas as minhas entregas mal interpretadas, difíceis, ácidas, ardidas, apaixonadas, intensas e mansas, mesmo depois de ter avaliado que algumas não foram tão bem, ainda sim me entregarei. Esse é o único jeito, entende?! Esse é o meu meio. O meio que eu mais gosto de usar. E que novas amizades venham. E que os antigos amigos retornem. Que os novos problemas se abrandem. Que os velhos adormeçam.
Fiz um trato com a dor, o que der pr'eu resolver, já está resolvido! Sem pretextos para protelar. Mas o que for dolorido demais, o que eu ainda não posso lidar, o que machuca só de ser aberto. Adormeça. Esqueça. Aguarde. Estou compondo-me de força, coragem, certezas e escolhas para superar esses monstros.
Ainda não estou pronta.
E como sempre esse tempinho de cama ensinou-me um montão de coisas, jogou tantas outras verdades na minha cara e acabou dando-me mais alguns dias de alguma lucidez. Mostrou-me a verdade sangrenta que vivo na minha casa, a qual vivo todos os dias fingindo não importar-me, de uma outra forma e como doeu vê-la assim. Ensinou-me de quem eu posso esperar coisas e de quem nem vale apena mais esperar coisa alguma. E que chorar mesmo parecendo ser bem ridículo, já que não leva a lugar algum, ajuda a amenizar a dor insistente. Que chorar ainda é um jeito de dizer. Chorar ainda é um meio.
Que as entregas são muito importantes para mim, todas elas, todas as formas de entrega. Todas as possibilidades de escolha para se entregar. E mesmo tendo chorado todas as minhas entregas mal interpretadas, difíceis, ácidas, ardidas, apaixonadas, intensas e mansas, mesmo depois de ter avaliado que algumas não foram tão bem, ainda sim me entregarei. Esse é o único jeito, entende?! Esse é o meu meio. O meio que eu mais gosto de usar. E que novas amizades venham. E que os antigos amigos retornem. Que os novos problemas se abrandem. Que os velhos adormeçam.
Fiz um trato com a dor, o que der pr'eu resolver, já está resolvido! Sem pretextos para protelar. Mas o que for dolorido demais, o que eu ainda não posso lidar, o que machuca só de ser aberto. Adormeça. Esqueça. Aguarde. Estou compondo-me de força, coragem, certezas e escolhas para superar esses monstros.
Ainda não estou pronta.
sexta-feira, abril 17, 2009
essa passionalidade toda...
Sem muita concentração para fazer nada integralmente. Estou por aqui hoje, fazendo as mesmas coisas de sempre, sem o ânimo de sempre.
Ontem as aulas foram ótimas me deram um up enorme. Ando necessitada de uns outros papos, uns outros problemas para discutir. Pois a passionalidade nas atuais conversar beiram o incompreensível.
Sempre relacionamentos a serem discutidos. Sempre momentos alheios. Vontades alheias, que eu não sinto, que não compreendo muitas vezes. Quero ajudar, sei que ajudo em parte, mas no fundo, no fundo, uma vozinha diz aqui dentro é só procura...
Deixa ser, cada um tem um tempo, e discernir as vezes não é tão óbvio. Bem sei... Que doa se tiver que doer pra decidir, sofra-chore-grite eu vou estar por perto para ajudar a suportar porque amigos cumprem também esse papel. Só espero que não doa mais, que não chore tanto, que esse olhar desesperado se desfaça, que o grito realmente esvazie. Porque senão, não sei o que será de ti, não sei até onde posso suportar vendo-te sangrar, e permanecer calada tendo as respostas que procura, sei que você tem que conquistá-las. E é só por isso que permaneço calada.
Ontem as aulas foram ótimas me deram um up enorme. Ando necessitada de uns outros papos, uns outros problemas para discutir. Pois a passionalidade nas atuais conversar beiram o incompreensível.
Sempre relacionamentos a serem discutidos. Sempre momentos alheios. Vontades alheias, que eu não sinto, que não compreendo muitas vezes. Quero ajudar, sei que ajudo em parte, mas no fundo, no fundo, uma vozinha diz aqui dentro é só procura...
Deixa ser, cada um tem um tempo, e discernir as vezes não é tão óbvio. Bem sei... Que doa se tiver que doer pra decidir, sofra-chore-grite eu vou estar por perto para ajudar a suportar porque amigos cumprem também esse papel. Só espero que não doa mais, que não chore tanto, que esse olhar desesperado se desfaça, que o grito realmente esvazie. Porque senão, não sei o que será de ti, não sei até onde posso suportar vendo-te sangrar, e permanecer calada tendo as respostas que procura, sei que você tem que conquistá-las. E é só por isso que permaneço calada.
terça-feira, abril 07, 2009
Uma puta dor...
Há tempos não sentia o braço doer tão forte. Essa droga de L.E.R. acaba comigo, a dor afeta até o humor. É nessas horas que penso 'psicossomática um caralho!' será que eu consigo essa dor toda assim sozinha?
Estou procurando por aí um casulo. Um bom lugar para chorar minhas mágoas e dores. Ontem entrei em pânico, numa rua larga repleta de casarões bem pintados e perfeitos, um desespero de vida, um suspiro forçado. E uma dor insuportável, chorei um bom bocado, no meio da rua mesmo, as pessoas olhavam-me meio estranho, porém eu não estava nem aí o objetivo era sentir e eu estava sentindo. Minha cara não deveria estar das melhores mesmo. Encontrei o Di e chorei mais um bom bocado, encontrá-lo foi uma saída daquela dor toda. O Di é o meu porto, minha própria alma, a parte mais tranquila do que eu posso ser e não consigo sozinha.
Fui tomar uma massagem. E a moça da massagem disse 'pode ser da L.E.R mas eu acho que é stress' não diga!? Achei que você tinha sacado pela minha cara de lunática desesperada! Voltei pra casa com menos dor, menos, não inexistente, dormi um pouco e chorei a dor que nem sei de onde vêm, nem porque está aqui, só pra ver se ela ia embora mesmo e me deixava viver um pouquinho. Mas ela não deixa...
Fui trabalhar e encontrei uma flor branquinha no meu do caminho de sempre, e pensei, sou mais sortuda que o Drummond pelo menos no meu caminho tem uma flor! E isso acabou amenizando o fudido dia de hoje onde eu estou com uma puta dor que não sei de onde vêm, nem porque vêm. Mas a sinto e como sinto.
Estou procurando por aí um casulo. Um bom lugar para chorar minhas mágoas e dores. Ontem entrei em pânico, numa rua larga repleta de casarões bem pintados e perfeitos, um desespero de vida, um suspiro forçado. E uma dor insuportável, chorei um bom bocado, no meio da rua mesmo, as pessoas olhavam-me meio estranho, porém eu não estava nem aí o objetivo era sentir e eu estava sentindo. Minha cara não deveria estar das melhores mesmo. Encontrei o Di e chorei mais um bom bocado, encontrá-lo foi uma saída daquela dor toda. O Di é o meu porto, minha própria alma, a parte mais tranquila do que eu posso ser e não consigo sozinha.
Fui tomar uma massagem. E a moça da massagem disse 'pode ser da L.E.R mas eu acho que é stress' não diga!? Achei que você tinha sacado pela minha cara de lunática desesperada! Voltei pra casa com menos dor, menos, não inexistente, dormi um pouco e chorei a dor que nem sei de onde vêm, nem porque está aqui, só pra ver se ela ia embora mesmo e me deixava viver um pouquinho. Mas ela não deixa...
Fui trabalhar e encontrei uma flor branquinha no meu do caminho de sempre, e pensei, sou mais sortuda que o Drummond pelo menos no meu caminho tem uma flor! E isso acabou amenizando o fudido dia de hoje onde eu estou com uma puta dor que não sei de onde vêm, nem porque vêm. Mas a sinto e como sinto.
terça-feira, março 31, 2009
45 anos depois...
Hoje completa exatos 45 anos do golpe de 64. Diria que hoje eu consigo relembrar de um tempo que não vivi. Quando entrei no movimento estudantil li fascinada a história de tantos outros estudantes que como eu lutaram pelo direto de expor suas crenças, suas idéias de melhoria.
Eles Deram o suor e um pouquinho mais. Deram o sangue e um pouquinho mais. Os gritos, as dores, os medos, a coragem e a única coisa que acabavam com as próximas possibilidades de dar, a vida.
"Nos primeiros dias após o golpe, uma violenta repressão atingiu os setores politicamente mais mobilizados à esquerda no espectro político, como por exemplo o CGT, a União Nacional dos Estudantes (UNE), as Ligas Camponesas e grupos católicos como a Juventude Universitária Católica (JUC) e a Ação Popular (AP). Milhares de pessoas foram presas de modo irregular, e a ocorrência de casos de tortura foi comum, especialmente no Nordeste. O líder comunista Gregório Bezerra, por exemplo, foi amarrado e arrastado pelas ruas de Recife. "*
Estando eu no nordeste notícias como essa repercutiram muito dentro de mim. Claro que a conjuntura que vivi enquanto ME (movimento Estudantil) não representa nem de longe o que foi vivido em 64, mas acredito sim que a coisa no nordeste não mudou nada. Muitos nordestinos ainda resolvem seus problemas na bala, na pexeira e afins. Inclusive problemas políticos. Eu mesma sendo do ME fui ameaçada dezenas de vezes, perseguida por professores em sala de aula e fora dela, já jogaram o carro em cima de mim na rua, já depus para PF (Polícia Federal), já entrei em camburão e sai rapidinho por ser menor, já tomei advertência da PF, me meti em brigas em manifestações, tantas tantas coisas, que nem de longe representa o horror que foi a Ditadura Militar, mas que já me deram a noção de o quanto pode ser pesado querer defender-se, legitimar-se, expor idéias.
Essa não é uma homenagem ao golpe longe disso, é só uma lembrança 45 anos depois, relembrar os mortos, os torturados, os desaparecidos. Serve também para relembrar a impunidade aos torturadores anistiados, os mandantes-políticos torturadores, os médicos legistas inventores de atestado de óbito suicida. Ao momento da nossa história que repercute até hoje o que somos, e/ou o que sou por exemplo.
Talvez seja só mais um grito, só mais uma recordação de quem não viveu esses 21 anos de dor e muita luta, que seja, mas ainda sim é um grito e os gritos por aqui ecoam...
*fonte:ttp://www.cpdoc.fgv.br/nav_fatos_imagens/htm/fatos/golpe64.htm
Eles Deram o suor e um pouquinho mais. Deram o sangue e um pouquinho mais. Os gritos, as dores, os medos, a coragem e a única coisa que acabavam com as próximas possibilidades de dar, a vida.
"Nos primeiros dias após o golpe, uma violenta repressão atingiu os setores politicamente mais mobilizados à esquerda no espectro político, como por exemplo o CGT, a União Nacional dos Estudantes (UNE), as Ligas Camponesas e grupos católicos como a Juventude Universitária Católica (JUC) e a Ação Popular (AP). Milhares de pessoas foram presas de modo irregular, e a ocorrência de casos de tortura foi comum, especialmente no Nordeste. O líder comunista Gregório Bezerra, por exemplo, foi amarrado e arrastado pelas ruas de Recife. "*
Estando eu no nordeste notícias como essa repercutiram muito dentro de mim. Claro que a conjuntura que vivi enquanto ME (movimento Estudantil) não representa nem de longe o que foi vivido em 64, mas acredito sim que a coisa no nordeste não mudou nada. Muitos nordestinos ainda resolvem seus problemas na bala, na pexeira e afins. Inclusive problemas políticos. Eu mesma sendo do ME fui ameaçada dezenas de vezes, perseguida por professores em sala de aula e fora dela, já jogaram o carro em cima de mim na rua, já depus para PF (Polícia Federal), já entrei em camburão e sai rapidinho por ser menor, já tomei advertência da PF, me meti em brigas em manifestações, tantas tantas coisas, que nem de longe representa o horror que foi a Ditadura Militar, mas que já me deram a noção de o quanto pode ser pesado querer defender-se, legitimar-se, expor idéias.
Essa não é uma homenagem ao golpe longe disso, é só uma lembrança 45 anos depois, relembrar os mortos, os torturados, os desaparecidos. Serve também para relembrar a impunidade aos torturadores anistiados, os mandantes-políticos torturadores, os médicos legistas inventores de atestado de óbito suicida. Ao momento da nossa história que repercute até hoje o que somos, e/ou o que sou por exemplo.
Talvez seja só mais um grito, só mais uma recordação de quem não viveu esses 21 anos de dor e muita luta, que seja, mas ainda sim é um grito e os gritos por aqui ecoam...
*fonte:ttp://www.cpdoc.fgv.br/nav_fatos_imagens/htm/fatos/golpe64.htm
segunda-feira, março 02, 2009
Sobre coisas que ardem e são boas...
Outro dia tive a oportunidade de desfrutar de uma madrugada das boas, papo bom, companhia idem. Conversamos muito aquela noite sobre tudo, inclusive sobre coisas que ardem e são boas, cada um tem uma opinião sobre. Óbvio! E algumas são muito malucas, mas puxei esse assunto porque desde então fico pensando sobre coisas ardidas e a minha compulsão por elas.
Não sou tão estranha assim, como imaginava, sempre correndo atrás do ardido de tudo, a Manuh é fascinada pelo ardido também, mas quero ampliar o tema da conversa me refiro a tudo que é ardido, dolorido, incomodo e eu insisto em fazer. Onde isso irá me levar??? Não muito longe daqui bem sei.
Tudo acaba em ardido na vida, na minha vida. Conversas maravilhosas e bem engraçadas no fim acabam revelando verdades ardidas em mim, relacionamentos maravilhosos, cultivados com muito carinho, defendidos com unhas e dentes, são difíceis de entender e acabam muitas vezes ardidos.
Ardido. Dolorido. Amargo. Ainda sim são bons.
"Tudo vale a pena quando a alma..., você acredita nisso mesmo???"
Acredito no amor. No meu jeito de amar tão confuso. Acredito no querer, e até onde isso pode me levar... Quero continuar mesmo que doa, que sangre que arda e se não arder o suficiente para ser bom, algumas pitadas de sal para chegar lá.
Se precisa doer e no meu caso precisa sim. Que doa. No fim, coisas que ardem são boas mesmo...
Não sou tão estranha assim, como imaginava, sempre correndo atrás do ardido de tudo, a Manuh é fascinada pelo ardido também, mas quero ampliar o tema da conversa me refiro a tudo que é ardido, dolorido, incomodo e eu insisto em fazer. Onde isso irá me levar??? Não muito longe daqui bem sei.
Tudo acaba em ardido na vida, na minha vida. Conversas maravilhosas e bem engraçadas no fim acabam revelando verdades ardidas em mim, relacionamentos maravilhosos, cultivados com muito carinho, defendidos com unhas e dentes, são difíceis de entender e acabam muitas vezes ardidos.
Ardido. Dolorido. Amargo. Ainda sim são bons.
"Tudo vale a pena quando a alma..., você acredita nisso mesmo???"
Acredito no amor. No meu jeito de amar tão confuso. Acredito no querer, e até onde isso pode me levar... Quero continuar mesmo que doa, que sangre que arda e se não arder o suficiente para ser bom, algumas pitadas de sal para chegar lá.
Se precisa doer e no meu caso precisa sim. Que doa. No fim, coisas que ardem são boas mesmo...
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