segunda-feira, maio 11, 2009

Comemorando o aniversário da irmã distante.

Quando a gente se conheceu não senti que aquela seria uma das mais importantes relações da minha vida. Os sinos não tocaram, o sol não brilhou diferente, nos conhecemos no banheiro.
No banheiro feminino da Escola técnica onde ambas estudavam, eu caloura, ela já concluindo o 3º ano. Conversa de banheiro mesmo, não era para dar em nada.
Essas entregas...
E a conversa foi rendendo, de repente eu já era o bicho dela (bicho: como se chama calouro por aqui), e coisas em comum vieram a tona, diferenças também. Ela era da Igreja Batista desde de pequenininha e eu não consiga acreditar muito que deus podia ter alguma coisa haver com a minha vida. Eu era filha de pais separados e era cheia de problemas familiares insolucionáveis, ela tinha uma família bastante acolhedora e unida que respeitava diferenças.
Com o tempo fomos dividindo estórias, vivencias, roupas, lanches, brincos, segredos e tudo que dava para tirar de mim e colocar nela e vice-e-versa. Choramos juntas de tristeza muitas vezes, morremos de rir até chorar juntas idem, passamos a noite em claro com medo juntas um dia. Durmimos tantas outras vezes juntas... E viramos irmãs. Num processo muito lendo de aceitação e respeito ao outro, e como ela era difícil. Mimada! E eu também não era fácil não, já dizia minha mãe. Ainda sim conseguimos transpor as diferenças, e as pessoas até ousavam confundir a gente de tão parecidas que nós tinhamos ficado. Não uma imitando a outra, isso não, era uma internalizando a outra. Gestos, expressões, caras e bocas, roupas, estilos.
Porque era fácil viver quando eu era um pouco ela, porque ela gostava de ser um pouco de mim.
Brigamos claro, muitas vezes. Por comida, por atitudes, por amigos, por ciúmes e manias, mas no fim sempre conseguimos voltar ao nós felizes-para-sempre.
A Isa, minha irmã de alma, me fez estudar política, a Isa me emprestou o pai dela pr'eu guardar para mim como se fosse meu para sempre. Ela divide até hoje os pais comigo, e a gente nem lembra mais quando eles me adotaram. Porque foi a família da Isa que tomou conta de mim quando eu estava doente, foi a família da Isa que deu sentido a palavra família para mim.
Hoje vivo sem a minha irmã viajante, um dia após o outro, que já nem lembro mais das nossas brigas mais sérias, só sinto uma saudade enorme. Sei que cada um vai para onde o mundo chama, sei que para ela ir foi a realização de um sonho, sei que doí em mim tanto quando doí nela. Hoje é o aniversário dela e eu não posso dar um abraço.

Esse amor que ela me ajudou a construir que é tão grande, tão intenso, faz de mim uma pessoa melhor, me faz querer ser uma pessoa melhor, pelo que fomos, pelo que somos. Principalmente, pela família que temos.

Feliz aniversário irmã...

2 comentários:

Anônimo disse...

oi irma querida!!!
Quase desabo de chorar aqui mesmo no ciber!!! mas n importa que esteja todo mundo me vendo chorar aqui...

eu te amo muito sabia??? acho q ja te disse isso outras vezes mas n importa repetir...

vc me faz muita falta aqui irmanzinha... me faz muita falata cada noite que dormimos ou melhor que quase nao dormimos naquele sofa cama velho...

em agosto to indo de novo e espero encontrar com vc igual da outra vez... pra ficar la em casa colocando todos os assuntos em dia!!


te beija e te abraca... sua irmazinha!!

Manuh Andrade disse...

me lembro do dia em que conheci...vocês estavam juntas..e eu acreditei por algumas semanas que vocês eram irmãs ...
mas vocês são!!
Saudade de Isa