terça-feira, agosto 31, 2010

No casulo.

Estou aprendendo, através das consequências das minhas decisões, coisas que a vida nunca me daria de graça, sem a obrigação do ganhar aqui-perder ali mais adiante. Tranquei a universidade, ou melhor, - fui verdadeira comigo mesma e parei de passar a noite sentada no banco em baixo da árvore em frente a didática II - porque eu já nem conseguia mais acompanhar as aulas. E essa decisão me levou a muitas conversas acaloradas, julgamentos de pessoas muito queridas, broncas e ameaças. Na verdade a ninguém que eu conto que tranquei a informação passa sem um comentário pesado e cheio de máximas ridículas sobre seguir com a maré.
Engraçado isso vir de pessoas que me conhecem tanto e que sabem que eu não sei fazer isso. Não sou capaz de simplesmente seguir a fila. Mesmo que eu um dia eu me arrependa, que eu esteja perdendo a "oportunidade de me formar com a galera" - que galera mesmo? Se eu não consigo me ver fazendo parte daquilo! - essa decisão foi a mais acertada dos últimos tempos. Consegui restabelecer uma conexão comigo mesma que a tempos estava perdida, isso de me sentir in, não out, tem me feito TÃO bem.
Ficar sozinha em casa a noite lendo um livro, dormindo, comendo, lavando roupa, sonhando, planejando, ruminando passados distantes tem sido tão agradável quanto. Na verdade nem se compara.
Já ouvi tantas coisas sobre isso, tipo: "A mulher moderna FLávia estuda, faz graduação, pra ter grana pra pagar alguém pra tomar conta da casa e dos guris". Já ouvi gente que eu respeito muito enfiar o pé na jaca falando com um preconceito burro de quem nem para pra pensar no que acredita de vez em quando. Essa decisão que já foi tomada só diz respeito a mim, ao que eu preciso no momento.
Cada dia que passa onde eu aprendo a ficar mais tempo calada, apenas ouvindo meus pensamentos, meus desejos mais íntimos, meus sonhos reprimidos, o meu ideal de vida eu aprendo mais sobre mim, sobre o meu lugar no mundo e principalmente de qual grupo de pessoas eu não faço parte.
Esse tipo de amadurecimento não vem com a idade não. É necessidade para alguns.
Pra um bando de gente eu sei que é.

2 comentários:

Diego Couto disse...

Pois é, pois é, pois é...

Daniela Lapa disse...

Nossas escolhas são sempre muito difíceis, mas sei que nada é pra sempre. Sorte em sua jornada!