terça-feira, março 22, 2011

dia-a-dia

Tenho uma folha branca
e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma vida branca
e limpa à minha espera.

Ana Cristina Cesar


Leminski no braço, ainda um tanto ardido, quase um mantra do qual eu não pretendo me distanciar "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além...". E algumas margaridas, um pouquinho do Caio, algum desespero cercado de paz por todos os lados. Então eu me liberto ainda mais. Compreendo-me cada dia mais, e me perco na compreensão das coisas cotidianas.
Eu não sei como tudo mudou, não vi em que passo as coisas finalmente se assentaram. E nem quero me prender a isso. Quero mesmo comemorar a amizade próxima, os telefonemas diários, a serenidade momentânea, está certa alegria, a tatuagem nova, o amor desmedido, o encontro. Quero comemorar a vida que construo nas pequenas coisas, na raça, no dia-a-dia.
Mesmo que essa alegria seja silenciosa, que a Tiê ainda me comova, que ainda me faltem palavras eu tenho seguido. Um passo de cada vez, as vezes lentamente, as vezes rodopiando. Espero que esse ano eu tenha maturidade para enfrentar o meu aniversário que já bate à porta sem crises e tristezas. Páginas viradas Bin, páginas viradas. E boa parte de um livro imenso em branco, disponível para alguns poemas, algumas histórias e casos. E uma vida inteira para se refazer o quanto for necessário e/ou suficiente pra ser feliz.

E eu sou. Ou pelo menos estou.

2 comentários:

Daniela Lapa disse...

Que esse livro tenha palavras felizes...

ROÍDAS E CORROÍDAS disse...

Ah! A Josalba!!!!
A Ana C. mudou minha vida, minha literariedade, espero que ela mova com você

"Eu faço viagens movida a ódio"