quarta-feira, setembro 08, 2010

Sobre o que me compõe

Entendi depois de muito tempo que nem todo amor tem que ser vivido até o osso. Que alguns amores podem ser guardados, e até ficam melhores com tempo, desde que de vez em quando você o visite. Porque sempre tive problemas para distanciar-me, tornar-me inatingível ao encantamento que comove nos olhos dos que merecem amor. Sempre amei aos montes, mesmo ouvindo que isso não era possível. Que não haveria espaço dentro de mim para tanto. Consegui provar para mim mesma que eu posso alojar todo o amor que existe em mim nos meus cantos, mesmo que as vezes se misture com minhas entranhas, que eu me confunda um pouco com os espaços vazios que ainda existem. Mesmo que um dia eu me torne só amor, eu corro o risco e amontoou.
Amontoou pessoas, histórias, ex-namorados, irmãos, amigos e até um pouquinho mais, palavras, músicas, autores e livros. Amo a ideia de ser caixa vazia, de não possuir divisórias e poder suportar qualquer tamanho. Qualquer entrega. Quero continuar defendendo com atitudes e gestos - sutis-ou não - que o amor pode ser redimensionado.
Que o amor para ser vivido tem que ser compreendido em sua essência e tudo começa com o respeito. O respeito é a base de qualquer tipo de amor - mesmo que seja clichê é a grande verdade - que o amor redimensionado pode ser remédio para curar passado doído, pode ser alicerce pro futuro desconhecido. O amor nunca é à toa. O amado da gente (seja o que/quem for) é pra sempre da gente, daquele jeitinho particular que a gente criou, internalizou e desejou que fosse. Porque também há essa possibilidade: de o amor não ser o que a gente vê. Não é obrigação do outro, nem nós mesmos podemos ser coagidos a tornarmo-nos o que o outro espera da gente.
O amor veem dentro de um caminhão desenfreado, ou da sutileza da brisa da primavera e nunca do que a gente espera. Do que nós pensamos que o diferencia. O amor é alheio e ainda sim parte de nós de uma maneira inexplicavelmente intensa.
Não sei explicar como todas essas pessoas e coisas tão especiais e significativas vivem amontoadas dentro de mim, da mesma maneira que eu não saberia explicar porque não consigo viver sem todas elas. O amor guardado, o amor vivido até o osso, o amor de irmão, o amor interrompido, o redimensionado, todos eles se fundem e me compõem. Eu sou o amor, o resto são só ossos e entranhas. E claro, eu só existo sendo palavra mais aí é outra história.

4 comentários:

tiagosnta disse...

Putz...
realmente perdi tempo não lendo isso antes. :*

Daniela Lapa disse...

Ah, o amor...

ROÍDAS E CORROÍDAS disse...

Que lucidez!

Diego Couto disse...

Mas pra ser até o osso não é muito difícil. Tá certo que ganhei uns quilinhos de uns tempos pra cá, mas o osso ainda ganha em primeiro turno.