terça-feira, março 20, 2007

Por favor que tudo isso seja mentira.

Sim choro, todos os dias sempre quando estou assistindo o jornal pela manhã. Uma vez por um menino de 6 anos que foi arrastado 7 Km preso pelo sinto de segurança, outra foi por uma menina de 13 anos eu acho, que levou um tiro e ficou paraplégica enquanto esperava um ônibus, hoje foi por um músico francês de uma banda que nunca ouvi que morreu na frente da mulher, do filho de 3 anos e dos amigos num assalto.
Amanhã adoraria não chorar, porém mesmo que não morra trágicamente ninguém, as vezes choro quando vejo um professor destruindo os sonhos dos alunos, as vezes não suporto o ônibus e os rostos cansados de pessoas que ganham pouco, e ainda sim trabalham dignamente.
O que há de errado? Será que é justo obrigar alunos a estudar em uma escola sem carteiras, sem água, e até mesmo em algumas salas sem teto. Será que é justo pagar um salário mínimo para um pai-provedor sustentar uma família inteira. Se for justo dizer a um aluno que ele não pode aprender, que ele não é capaz de compreender por não enxergar, não andar ou não ouvir. Se tudo isso for justo, se todas as mortes foram necessárias, se todas as minhas lágrimas matinais foram em vão. Porque ainda há essa dor no peito? Porque meu sangue ferve? Porquê?
Queria muito ter fé, queria muito acreditar na máxima que a fé move montanhas. Adoraria poder suportar tudo isso sem lágrimas, na verdade adoraria não ter que ver tudo isso, não ter que ouvir. Quando eu era pequena achava que as pessoas só morriam de doenças, só morriam velhas, só morriam quando era a hora certa. E foi sempre assim primeiro minha avó, depois meu avô, em seguida a minha babá e daí em diante. Todos na hora certa, todos doentes. Porque agora é diferente?
Porque agora existem tantas outras modalidades? Se quem toma conta de tudo é Deus até da morte, porque um homem pode matar o outro?
Errado, errado, está tudo errado! Toda essa dor no peito, todo esse desrespeito.
Onde tudo começou a dar errado?
Acho que começou na sala de aula sem teto, na escola sem água, na casa sem espaço, com o desespero do pai sem dinheiro, do choro do filho com fome, da falta de remédio para o bebê, da falta de vaga na maternidade, no esgoto que corre no meio da rua, no morro com casas de papelão, no operário mal remunerado, na política, na constituição, nas leis de papel, nos homens de terno, na farsa, na mentira, na falsa moral, nos partidos alucinados, na deturpação da causa.
Mas agora não é hora de discutir sobre nada que afeta a mim, nem a nenhum outro brasileiro diretamente, não estão atentendo casos de morte. O governo agora está tentando satisfazer os ministros só depois dara comida e remédio aos cães.

Um comentário:

Diego disse...

sem palavras...
só queria deixar registrado que essa sua veia política nunca fora tão bem expressada em um texto...
ainda tá ecoando aqui em minha cabeça...
ser cão não é nada bom...