quinta-feira, maio 21, 2009

Insegurança.

Sinto que é como se uma plantinha, uma plantinha muito especial que libera mais oxigênio que as outras, que é mais bonita que as outras, mais cheirosa, só que infelizmente é mais fraca também, fosse de minha responsabilidade. Sendo assim, todo cuidado é pouco. E como eu tenho cuidado. Respeito o espaço dela, os horários de colocar água e expor ao sol, a protejo do sol forte, da chuva pesada e, ainda sim, a vejo muchinha, triste, e fico muito assustada, como será se um dia todos os meus esforços não adiantarem?! Se um dia ela se for de vez?! Tenho muito medo dessa coisa de ir de vez, do fim, do não existir mais.
Coitada, é só uma plantinha frágil, que só tem a mim preocupada com ela, cuidadora dela, e eu não cuido bem nem de mim, e eu que não tenho disciplina para nada, faço das tripas coração para lembrar de não esquecer nada que a minha plantinha querida necessite.
Mas eu não sou suficiente para ela, ela sempre precisa de mais, quer mais, e eu lembro do pequeno príncipe, e eu me espelho nele. Como ela é frágil, como eu finjo não ser. Eu sei que ela e eu precisamos de mais uma porção de coisas, cada uma com as suas necessidades, e eu não posso fazer mais do que já faço, que já não tenho forças para carregar mais terra para adubá-la, nem tenho como arrumar um vaso maior, mais confortavél, não posso. Não tenho forças nem pra mim, nem para me livrar das minhas próprias pragas, entende? Sou alguém que precisa se desfazer desse compromisso de manter essa plantinha tão especial.

quarta-feira, maio 13, 2009

Não há talvez...

"Que bom, ai, que bom, que nunca vai haver talvez
Pra quem tudo na vida sentiu, disse e fez
Prefiro ficar só com a minha ilusão
Que matar a esperança de amar no meu coração"*

A manuh me pediu para ouvir essa música. Que bom! Ela me disse muito viu? Linda mesmo e com o cazuza cantando junto ficou uma coisa. É pelo nós, pelo que nós somos que posto ela aqui hoje.
Para a gente sempre lembrar que vale a pena.

*(ângela Rô Rô - Não há cabeça)

segunda-feira, maio 11, 2009

Comemorando o aniversário da irmã distante.

Quando a gente se conheceu não senti que aquela seria uma das mais importantes relações da minha vida. Os sinos não tocaram, o sol não brilhou diferente, nos conhecemos no banheiro.
No banheiro feminino da Escola técnica onde ambas estudavam, eu caloura, ela já concluindo o 3º ano. Conversa de banheiro mesmo, não era para dar em nada.
Essas entregas...
E a conversa foi rendendo, de repente eu já era o bicho dela (bicho: como se chama calouro por aqui), e coisas em comum vieram a tona, diferenças também. Ela era da Igreja Batista desde de pequenininha e eu não consiga acreditar muito que deus podia ter alguma coisa haver com a minha vida. Eu era filha de pais separados e era cheia de problemas familiares insolucionáveis, ela tinha uma família bastante acolhedora e unida que respeitava diferenças.
Com o tempo fomos dividindo estórias, vivencias, roupas, lanches, brincos, segredos e tudo que dava para tirar de mim e colocar nela e vice-e-versa. Choramos juntas de tristeza muitas vezes, morremos de rir até chorar juntas idem, passamos a noite em claro com medo juntas um dia. Durmimos tantas outras vezes juntas... E viramos irmãs. Num processo muito lendo de aceitação e respeito ao outro, e como ela era difícil. Mimada! E eu também não era fácil não, já dizia minha mãe. Ainda sim conseguimos transpor as diferenças, e as pessoas até ousavam confundir a gente de tão parecidas que nós tinhamos ficado. Não uma imitando a outra, isso não, era uma internalizando a outra. Gestos, expressões, caras e bocas, roupas, estilos.
Porque era fácil viver quando eu era um pouco ela, porque ela gostava de ser um pouco de mim.
Brigamos claro, muitas vezes. Por comida, por atitudes, por amigos, por ciúmes e manias, mas no fim sempre conseguimos voltar ao nós felizes-para-sempre.
A Isa, minha irmã de alma, me fez estudar política, a Isa me emprestou o pai dela pr'eu guardar para mim como se fosse meu para sempre. Ela divide até hoje os pais comigo, e a gente nem lembra mais quando eles me adotaram. Porque foi a família da Isa que tomou conta de mim quando eu estava doente, foi a família da Isa que deu sentido a palavra família para mim.
Hoje vivo sem a minha irmã viajante, um dia após o outro, que já nem lembro mais das nossas brigas mais sérias, só sinto uma saudade enorme. Sei que cada um vai para onde o mundo chama, sei que para ela ir foi a realização de um sonho, sei que doí em mim tanto quando doí nela. Hoje é o aniversário dela e eu não posso dar um abraço.

Esse amor que ela me ajudou a construir que é tão grande, tão intenso, faz de mim uma pessoa melhor, me faz querer ser uma pessoa melhor, pelo que fomos, pelo que somos. Principalmente, pela família que temos.

Feliz aniversário irmã...

quinta-feira, maio 07, 2009

A morte do patinho feio

Um vez me apaixonei por um cara. Um amigo em comum de um bando de amigos meus, numa festa, sendo mais exata num show. E olha que comigo isso aconteceu tantas vezes, mas dessa vez teve consequências.
Ele era bonito, tá bom esquisito (meu padrão de beleza), ele era sério (outro motivo), calado (interessante, enigimático). E aos poucos, alguns dias pensando sobre, como seria bom apaixonar-me de novo, que já era tempo, consegui sozinha convencer-me que era o cara e o momento certo.
Joguei-me num precipício. Já não dava mais para voltar, já tinha imaginado momentos bons demais com ele. Tolinha. Coitada, não tinha vivido nenhum.
Para encurtar a história, claro que a gente ficou junto algum tempo, claro que houveram momentos bons, claro que eu inventei tantos outros, retive como verdade e me apaixonei ainda mais como só eu sou capaz de fazer. Entrei de cabeça, sem medo da profundidade que a joça tinha, sem vestir roupa de banho, sem tirar os sapatos, sem estar preparada.
E foi a minha época mais deplorável. Quando a gente tem pena da gente, é osso. Eu sabia que não valia a pena, sabia que era dar para quem não quer receber, mas ainda sim eu dava, com todas as forças, com tudo que eu era capaz de dar. Entregas... Quis fazer dar certo. E no fim foi o mesmo que subir numa bicicleta de olhos vendados e pedalar até o muro mais próximo.
E ele foi o cara "a mulher da minha vida" de tão dócil, mais traiçoeiro que minha gata num carinho entre as pernas dela. E para piorar consegui uma boa história que nos ligava, uma daquelas bem boas para contar pros filhos e netos. Eu já não tinha mais dúvidas. Pisava em cacos de vidro, olhando sempre para frente e pensando 'são flores, são flores'.
E o calado, disse-me coisas cruéis, e o interessante virou um patinho feio, um boneco que eu fiquei mudando de lugar para ver onde ele ficava mais bonito para mim, eu o beijava e ele não retribuia, eu o amava e ele-boneco era incapaz de me amar de volta.
Um dia eu desisti daquele amor. Um dia o devaneio acabou, e eu só queria minha casa, minha cama e jogar aquele maldito boneco no baú para sempre. Já estava na hora de parar de brincar com bonecos que não interagem.

Hoje vivo um outro amor, bem real. Hoje só lembro do boneco as vezes, só vejo o boneco as vezes sentado no colo de uma outra menina, e riu sozinha, pensando como fui infeliz com aquele boneco, como fui infeliz.
Acho que esse é o momento, sei já o ensaiei várias vezes, mas agora é como se eu o expulssasse das minhas entranhas. Não quero mais nenhum sentimento, saudosismo ou lembranças daquele boneco. Nem palavras.
Quero esquecer que um dia investi num patinho feio esperando achar um cisnei. Quero não lembrar da minha imaturidade daquela época, menininha... Hoje sei bem que aquele maldito show que acontece todo ano, que me faz reviver aquilo todos os anos, esse ano será diferente, porque tomarei uma atitude. Vou pegar aquela droga de baú onde guardei aquele cara-mentira e jogar no mar.

terça-feira, maio 05, 2009

O que não sou e o quanto sou feliz mesmo não sendo

Posso não ganhar muito bem, nem ter certeza do curso que eu quero terminar na universidade já que faço dois concumitantemente. Posso não ter ido à Alemanha como planejado, não ter mudado de cidade, não conseguir deixar o cabelo crescer, nem fazê-lo ficar liso e de uma cor só. Posso não ter formado a mulher que sonhei ser, posso não ter mudado como queria, mesmo cometendo alguns mesmos erros, mesmo amando o que não deve ser amado, querendo o que não deve ser querido. Mesmo não sendo, ainda sou. Existo. Mesmo que não realizando todos os meus sonhos de menina.
Ontem rodopiando com amigos tão amados "ao som de uma banda qualquer", tá bom, da Banda Naurea que eu já estou cansada de ouvir, eu lembrei de tudo isso, tudo que não sou, do que não fiz, do que quis e não tive. E ao mesmo tempo pensei em tudo que tenho, o que construí, o que formei, o que mudei - as vezes naturalmente, as vezes sangrando a carne-, lembrei do que não sou mais, e principalmente e esse me deu um prazer enorme: o que eu não quero ser. O que felizmente não me tornei.
Onde e como sou feliz. E como eu-nós-o-povo-todo, como somos felizes simplesmente deixando-nos ser.