E eu estou lendo sobre pessoas que se assemelham as minhas vivências, das quais eu sou herdeira de características de personalidade, que são boas e más. E nessa leitura eu já me perdi diversas vezes pensando sobre mim, sobre tantos nós e pessoas, fazendo anotações de canto de página que mais tem haver com o que me causa a leitura do que sobre a leitura em si. E é sobre ela que eu quero fazer considerações pessoais.
Ninguém é uma parte de um todo que só se forma quando se juntam, o amor não pode ser isso. Também não se pode apropriar-se das buscas alheias, toda mulher e homem interessante só são assim por causa dos suas próprias buscas. Nenhuma relação pode se basear no deslumbramento, pelo corpo, pelas ideias, pelas buscas, pelo temperamento, ou seja pela vida do outro, sabe, ninguém merece um fardo tão pesado. As decisões pessoais não podem ser coletivas, não devem gerar uma onda de atitudes iguais e vazias. E outra, devemos desistir dos rótulos ou então (e eu sigo desse jeito), usá-los com muito humor, transformando amigos em irmão, amores em amigos, amigos em companheiros até que essa coisa poderosa e cheia de amarras antigas perca a força e a importância que a gente ainda dá a coisas tão mesquinhas. Ouse, ouse tudo, o que vier do seu mais íntimo e aceite com coragem e honra as consequências disso sem se colocar como vítima de si mesmo, porque é pobre não viver por motivos como esse e é ainda mais ridículo não assumir tudo que a ousadia gera. Sinto que o outro, que convive comigo em todas as possibilidades de rótulos devolve-me a consciência do meu aqui-agora, lembrando-me da responsabilidade dos meus atos e isso não me paralisa, apenas me adverte que os meus atos aqui-agora interferem no outro de igual maneira e faz parte da minha humanidade respeitar isso e responsabilizar-me. Não, a opinião dos outros não se agrega a essa ideia, ela sempre é maledicente, e para mim é só uma ideia alheia e cabe a mim levá-la a sério ou não, e é de muito imaturidade se deixar levar pela imobilização alheia. São opiniões e opiniões nem sempre podem ser caracterizadas como verdades, relativo as pessoas quase nunca o são. Seja forte, proteja-se do que pode negar os teus impulsos mais íntimos, porque só eles valem a vida. Relacione-se, sinceramente penso que essa é a forma mais natural de crescer, aprender e conhecer a si mesmo. Mantenha-se aberto a tudo e todos, mas por segurança faça um seleção do que merece ficar em você, de quem vale a pena frequentar e lembre-se é sempre bastante honesto e corajoso tomar as rédeas da sua vida antes de oferece-la para alguém. 'Então vá, faça o que tu queres há de ser tudo da lei' (não é referência ao texto que tenho lido, mas para mim faz um sentido enorme) Sim é isso aí siga os seus impulsos, defenda suas verdades e isso por si só legitimará o que você se tornou ou pretende tornar-se não é essa nossa busca individual? Então vá!
terça-feira, julho 03, 2012
terça-feira, junho 26, 2012
Sobre não comer e não acolher. (ou acolhendo a mim de jeito novo)
E se eu confessar para você que eu não sei mais nada, se eu admitir que tudo tem me cansado e que de novo eu ando focando nas coisas erradas, que eu ando dando aquela atenção exagerada ao que nunca precisa da minha atenção, você jura que só me ouve e deixa as coisas como estão? Porque eu estou bem. Tem paz nisso tudo e muito acolhimento, sou eu e meus processos. Tive vontade de comprar duas passagens para Minas e não comprei, sabe aquela coisa do contexto né? Estou lendo um livro que tem me deixado a flor da pele, mentira, eu ando assim desde da coisa de focar no Zen Budismo. Não importa mesmo o que me deixou assim. Mas sabe, o livro é delicioso, é sobre aquela mulher que me encantou e me lembra a Leila, a Pagú e diversas vezes me pega sem esperar nas mesmas dúvidas. É azedo e doce do jeito exato do tipo de leitura que me detém. Não consigo fazer yoga e meditar, não consigo responder emails, fazer ligações, pensar novos planos é que ando focada no meu umbigo. Isso aí no meu umbigo. Sinto uma dor nova ultimamente, nada do que se preocupar faz parte do meu jeito torto de desenrolar as coisas. E então Minas? É fica difícil. Um monte de coisas são difíceis comigo nesse exato momento. Tenho lembrado do saguão do aeroporto de Sampa e das 12 horas que passei lá sentada e das resoluções que fiz e no que falhei. É o meu melhor exemplo de solidão sabia? Saguão de Aeroporto é a imagem perfeita de solidão urbana. Ando sem fome, ou melhor sem vontade de comida, comer com prazer, preparar, desejar comida, acho que é porque estou tentando experimentar o diferente e nada me acolhe mais do que comer, e quando eu não consigo comer é sinal de não acolhimento eu acho. E eu confesso que tenho gostado de não sentir o acolhimento de sempre vindo de onde sempre é esperado, gostado desse silêncio que me imponho, do atual não escrever sobre os sentimentos e vivê-los, claro que eu estou longe do ideal mas quem sabe um dia né? Também quero dizer que você estava certo, está certo sobre mim e meus métodos, sobre o meu jeito confuso de viver e por estar certo você também sabe que eu não vou mudar nunca né? Ainda bem, por mim e por você. Nem que eu compre as passagens para Minas.
sábado, maio 12, 2012
Voltando para casa.
Adquiri uma necessidade de silêncios. Uma vontade de diminuir o ritmo. Ler comer escrever devagar, aproveitar com mais atenção a vida que passa diante dos meus olhos numa velocidade que me tonteia . Eu quis desacelerar, focar em mim e nos meus processos individuais. E fiz.
Tenho gana por uma paz interior que ando ensaiando, gana de que ela se estabeleça, que me aceite. Torço para que dure ao menos uns dois meses é que eu careço de silêncios e plenitude. Vivo desvendando enigmas, construindo sobre escombros, reformando a vida e montando ideias há tanto tempo que eu não sei mais como é sentar e deixar existir. Não estou saindo do front, não conseguiria, é que todo soldado merece passar uns dias em casa entre uma guerra e outra né? Eu estou voltando pra casa, temporariamente.
Tenho gana por uma paz interior que ando ensaiando, gana de que ela se estabeleça, que me aceite. Torço para que dure ao menos uns dois meses é que eu careço de silêncios e plenitude. Vivo desvendando enigmas, construindo sobre escombros, reformando a vida e montando ideias há tanto tempo que eu não sei mais como é sentar e deixar existir. Não estou saindo do front, não conseguiria, é que todo soldado merece passar uns dias em casa entre uma guerra e outra né? Eu estou voltando pra casa, temporariamente.
segunda-feira, abril 30, 2012
No meu jardim-presente que já foi muito ignorado.
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim*
Acredito no agora com mais força
Consigo ver o agora como ele é
um presente que eu recebo para viver
e não há idiotice maior do que ignorar isso.
E eu ignorava
Não queria ver.
Estava ligada ao passado,
aos meus ressentimentos,
as lembranças ruins...
Tenho me policiado me ensinado a lidar com isso de outra forma.
Não quero o futuro hoje porque estou vivendo o presente que ganhei.
Não viverei de passado ignorando o meu presente porque não quero mais.
A consequência da decisão,
o querer respeitado e defendido.
O hoje que me apaixona e me refaz.
O que cabe na minha mão
e o que eu não carrego mais.
Vazia de expectativas inúteis feliz por isso.
Sentindo e vendo só o que divide comigo o agora
Querendo internalizar o tal bambu que ouvi por aí
que balança com o vento forte, que se entorta,
mas quando o ambiente descansa volta a estar de pé contemplando o sol.
Sem fugas
Sem apego
Sem ansiedade (tentando)
Sem excessos assim me misturo com o cotidiano
ouço mais vejo mais aprendo mais e vivo melhor.
Estou aprendendo, sem correria, eu chego lá.
*Meu Jardim, Vander Lee
Estou cuidando bem de mim*
Acredito no agora com mais força
Consigo ver o agora como ele é
um presente que eu recebo para viver
e não há idiotice maior do que ignorar isso.
E eu ignorava
Não queria ver.
Estava ligada ao passado,
aos meus ressentimentos,
as lembranças ruins...
Tenho me policiado me ensinado a lidar com isso de outra forma.
Não quero o futuro hoje porque estou vivendo o presente que ganhei.
Não viverei de passado ignorando o meu presente porque não quero mais.
A consequência da decisão,
o querer respeitado e defendido.
O hoje que me apaixona e me refaz.
O que cabe na minha mão
e o que eu não carrego mais.
Vazia de expectativas inúteis feliz por isso.
Sentindo e vendo só o que divide comigo o agora
Querendo internalizar o tal bambu que ouvi por aí
que balança com o vento forte, que se entorta,
mas quando o ambiente descansa volta a estar de pé contemplando o sol.
Sem fugas
Sem apego
Sem ansiedade (tentando)
Sem excessos assim me misturo com o cotidiano
ouço mais vejo mais aprendo mais e vivo melhor.
Estou aprendendo, sem correria, eu chego lá.
*Meu Jardim, Vander Lee
segunda-feira, abril 09, 2012
Eu e Portinari
Você não percebe mas eu sou muito só - não sozinha, porque sim eu tenho muita, muita gente mesmo ao redor - não é sobre a solidão física que estou me referindo é sobre o que há dentro. Não existiram muitas pessoas que foram fundo, por causa de mim, por causa delas. Não sei, é que eu tenho umas cercas a mais, e critérios de quem pode ou não passar por essa ou por aquela cerca é um jeito de administrar a coisa não julgue. É que se eu fosse sem trancas não seria seguro.
Eu entro nas pessoas, é estranho isso, eu realmente entro nas pessoas, porém não é todo mundo que eu deixo entrar porque as pessoas podem me machucar, porque eu posso machucar as pessoas com o que há aqui dentro. Não tenho como me defender de mim, assim como me guardar é a única forma de proteger os outros da minha tristeza, que quase nunca se mostra. Que vive escondida no canto de um riso solto, de chistes e que reside em uma ou duas frases secas e cruel quando alguém me pede um pouquinho de realidade. É que eu não poderia ter vivido tudo e continuar a mesma meninoca que adora o colo do avô, porque nem o meu avô existe mais. Imagine uma exposição de um artista desconhecido que não assina seus quadros, imagine um galeria com quadros amontoados - quando eu penso nos meu sentimentos lembro dos quadros do Portinari, pois sim - são como os quadros do Portinari sobre a seca, são crus, são doloridos de tão reais que são, estão amontoados e também não estão organizados por tema ou estilo, são os quadros que contam sobre o que passei e nada foi esquecido, está tudo lá. Cada dor, cada despedida, cada escolha. Minha. Dos outros. E as vezes sabe, apago a luz da galeria e deixo de ver, e até parece por alguns dias que estes quadros nem existem, mas a vida me obriga a acender a luz para lembrar que está é minha história e não pode ser esquecida.
Não tenho vergonha dos meus quadros, claro que por muitos anos tive medo deles - como quando conheci Portinari e fiquei com medo dos rostos da seca - mas eu cresci e não tenho mais medo. Tem alguns que eu até tenho uma afeto maior, que quietinha sento a sua frente, fecho os olhos e medito e consigo vivê-los novamente. Porque eu acabei criando afeto por algumas dores, e não se larga afetos da infância. Como não dá também pra se desfazer de pai e mãe. Do sangue. Fisicamente sou esta, não posso ser outra e nem quero ser. Do meu passado sobraram estes quadros que são coleção particular. Fui eu, foi o jeito que eu achei de sobreviver. Quem sou hoje? Não importa. Porque o presente é um caminho que estou percorrendo, são outras escolhas e outras revelações. Sei que ainda ei de pintar tantos outros quadros, felizes ou não. O que eu não posso mesmo é me afastar do real.
E hoje eu lembrei de quando eu deitava e via estes quadros no telhado da casa da minha mãe. No meu antigo quarto onde eu deixei alguns quadros que eu nunca mais quero ver.
Eu entro nas pessoas, é estranho isso, eu realmente entro nas pessoas, porém não é todo mundo que eu deixo entrar porque as pessoas podem me machucar, porque eu posso machucar as pessoas com o que há aqui dentro. Não tenho como me defender de mim, assim como me guardar é a única forma de proteger os outros da minha tristeza, que quase nunca se mostra. Que vive escondida no canto de um riso solto, de chistes e que reside em uma ou duas frases secas e cruel quando alguém me pede um pouquinho de realidade. É que eu não poderia ter vivido tudo e continuar a mesma meninoca que adora o colo do avô, porque nem o meu avô existe mais. Imagine uma exposição de um artista desconhecido que não assina seus quadros, imagine um galeria com quadros amontoados - quando eu penso nos meu sentimentos lembro dos quadros do Portinari, pois sim - são como os quadros do Portinari sobre a seca, são crus, são doloridos de tão reais que são, estão amontoados e também não estão organizados por tema ou estilo, são os quadros que contam sobre o que passei e nada foi esquecido, está tudo lá. Cada dor, cada despedida, cada escolha. Minha. Dos outros. E as vezes sabe, apago a luz da galeria e deixo de ver, e até parece por alguns dias que estes quadros nem existem, mas a vida me obriga a acender a luz para lembrar que está é minha história e não pode ser esquecida.
Não tenho vergonha dos meus quadros, claro que por muitos anos tive medo deles - como quando conheci Portinari e fiquei com medo dos rostos da seca - mas eu cresci e não tenho mais medo. Tem alguns que eu até tenho uma afeto maior, que quietinha sento a sua frente, fecho os olhos e medito e consigo vivê-los novamente. Porque eu acabei criando afeto por algumas dores, e não se larga afetos da infância. Como não dá também pra se desfazer de pai e mãe. Do sangue. Fisicamente sou esta, não posso ser outra e nem quero ser. Do meu passado sobraram estes quadros que são coleção particular. Fui eu, foi o jeito que eu achei de sobreviver. Quem sou hoje? Não importa. Porque o presente é um caminho que estou percorrendo, são outras escolhas e outras revelações. Sei que ainda ei de pintar tantos outros quadros, felizes ou não. O que eu não posso mesmo é me afastar do real.
E hoje eu lembrei de quando eu deitava e via estes quadros no telhado da casa da minha mãe. No meu antigo quarto onde eu deixei alguns quadros que eu nunca mais quero ver.
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