Adoraria sentar num canto do quarto, abraçar os joelhos e chorar aquele choro que é que nem aquele catarro de pneumonia que a gente tem desde criança que tá lá envelhecendo no pulmão e sempre volta com gripe forte. Pois bem, quero chorar esse choro-catarro. Quero sentar lá e só sair quanto alguma coisa fizer sentido, porém é domingo a noite, e amanhã sete da matina eu tenho que trabalhar mesmo que não haja sentido algum.
Sempre tomo banho de luz apagada, mania mesmo, sempre sendo dia ou não, gosto de estar sozinha no escuro e no banheiro, de preferência com o chuveiro ligado no máximo bem frio quando a vida tá boa, bem quente quanto eu quero muito um abraço. Cheguei em casa agora louca por um banho e fui direto pro banheiro, sem roupa e com a toalha na mão desliguei a luz, acomodei a toalha e entrei no box e fiquei na dúvida entre água fria ou quente, entende? Entre felicidade e tristeza, entre vontade de abraço e vontade de dancinha ridícula com canto desafinado.
Porque ando pensado tanto que nem sei mais se está sendo bom ou ruim, ando lendo tanto que nem sei mais se isso me eleva ou se me expõe a minha pequenez, nem sei mais se estou chegando em algum lugar ou se nunca estive tão perdida. Esperei por 5 minutos que o chuveiro me soprasse a escolha, devaneando pensei: mas hoje foi um dia não muito bom eu estive disponível para pessoas o dia inteiro o único momento realmente meu hoje foi um sorvete no fim da tarde e esse banho e eu estou tão cansada dessa minha disponibilidade eterna. Água quente por favor, bem forte e bem quente.
domingo, fevereiro 05, 2012
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
Lendo e devorando a Leila Diniz depois de uma crise
Fechei os olhos e as mãos de cansaço, depois de conversa longa. Abri os olhos segundos depois, apontei o indicador da mão esquerda como sempre fiz, repetindo 'é assim aqui que eu sou, é assim que eu sinto', mas não esperava que não conseguiria mais abrir a mão direita naquele fim de tarde, naquela noite, no hospital, depois da injeção, da tipoia, depois de um fim de semana inteiro eu simplesmente não conseguia abrir a mão direita. Chorei gritando, tremendo, babando, gemendo encolhida até acordar o vizinho, até esquecer porque estava chorando. Dor de alma. Tenho sempre vontade de responder isso pra médica quando ela pergunta: hoje você tem dor de quê? Não digo, vai ela me interna.
Fui num outro médico porque a minha querida e compreensiva médica estava viajando, e ganhei 8 dias de gesso, morfina, analgésico, relaxante muscular e o de sempre. Médica querida de volta e o diagnóstico de mais uma crise 3 comprimidos tarja preta por dia, 1 protetor de estômago e continuar o uso do analgésico já que o estômago não anda aceitando anti-inflamatório, então são 5 remédios por dia por enquanto. Só pude mexer mesmo a mão novamente na segunda uma semana depois daquela piscada de olho e do movimento quase involuntário de fechar a mão.
Não soube o que dizer para mim para confortar, não consegui aceitar bem o início da crise ando sonolenta (crise de fibromialgia dá fadiga né?)e cheia de lágrimas espontâneas. Estou com aquele sentimento novamente de não pertencimento, rodeada de amigos e só com os meus pensamentos. Pirei no dia que tirei o gesso, andei pela cidade, almocei comida que eu adoro, comprei o livro que eu estava louca de vontade de ler e pensei pensei pensei pensei até me perder de mim.
Leila Diniz é sobre quem eu estou lendo, foi onde eu me encontrei e onde eu pretendo me perder. Sempre admirei mulheres fortes e sinceras, mas essa me faz chorar só de pensar em tanta alma. E está sendo tão confortante chorar pela alma da Leila e não pela minha dor na alma porque por causa da minha dor eu já chorei demais, pela minha dor não adianta chorar. Deixa que 5 remédios diários tomam conta, acalentam, me calam.
Tendo a Leila eu me tenho. Sei que não é claro isso, porém, essas coisas de identificação não se explicam. Posso abrir a mão agora mesmo que ainda trema e doa onde não dá nem pra explicar onde sente, vi na tv uma senhora com o braço direito também com hematoma, porque ela foi tirada da casa dela em Pinheirinho pelo braço, de uma hora pra outra, ela perdeu a casa, a vida que viveu lá, o amanhã, assim como eu quando fechei e não abri a mão. O hematoma vai se desfazer, a minha mão já abriu, mas e a casa, a vida e o amanhã dela, quem devolve?
Eu não sei se suporto dor de mundo e dor alma juntas, não sei o quão sou forte, ou má, ou boa só sei que agora doí sentir tudo ao mesmo tempo, doí continuar escrevendo porque os dedos ainda estão fracos, doí querer escrever um artigo acadêmico sobre ativismo individual agora que larguei a universidade, doí ler tanto e com tanto prazer e saber que a universidade me tomou isso por um tempo. O que mais que eu deixei passar porque eu não pude ser ativa? Não sei quem eu sou enquanto definição, só sei que isso vai me levar além, foi o Leminski que disse e não é mentira.
Fui num outro médico porque a minha querida e compreensiva médica estava viajando, e ganhei 8 dias de gesso, morfina, analgésico, relaxante muscular e o de sempre. Médica querida de volta e o diagnóstico de mais uma crise 3 comprimidos tarja preta por dia, 1 protetor de estômago e continuar o uso do analgésico já que o estômago não anda aceitando anti-inflamatório, então são 5 remédios por dia por enquanto. Só pude mexer mesmo a mão novamente na segunda uma semana depois daquela piscada de olho e do movimento quase involuntário de fechar a mão.
Não soube o que dizer para mim para confortar, não consegui aceitar bem o início da crise ando sonolenta (crise de fibromialgia dá fadiga né?)e cheia de lágrimas espontâneas. Estou com aquele sentimento novamente de não pertencimento, rodeada de amigos e só com os meus pensamentos. Pirei no dia que tirei o gesso, andei pela cidade, almocei comida que eu adoro, comprei o livro que eu estava louca de vontade de ler e pensei pensei pensei pensei até me perder de mim.
Leila Diniz é sobre quem eu estou lendo, foi onde eu me encontrei e onde eu pretendo me perder. Sempre admirei mulheres fortes e sinceras, mas essa me faz chorar só de pensar em tanta alma. E está sendo tão confortante chorar pela alma da Leila e não pela minha dor na alma porque por causa da minha dor eu já chorei demais, pela minha dor não adianta chorar. Deixa que 5 remédios diários tomam conta, acalentam, me calam.
Tendo a Leila eu me tenho. Sei que não é claro isso, porém, essas coisas de identificação não se explicam. Posso abrir a mão agora mesmo que ainda trema e doa onde não dá nem pra explicar onde sente, vi na tv uma senhora com o braço direito também com hematoma, porque ela foi tirada da casa dela em Pinheirinho pelo braço, de uma hora pra outra, ela perdeu a casa, a vida que viveu lá, o amanhã, assim como eu quando fechei e não abri a mão. O hematoma vai se desfazer, a minha mão já abriu, mas e a casa, a vida e o amanhã dela, quem devolve?
Eu não sei se suporto dor de mundo e dor alma juntas, não sei o quão sou forte, ou má, ou boa só sei que agora doí sentir tudo ao mesmo tempo, doí continuar escrevendo porque os dedos ainda estão fracos, doí querer escrever um artigo acadêmico sobre ativismo individual agora que larguei a universidade, doí ler tanto e com tanto prazer e saber que a universidade me tomou isso por um tempo. O que mais que eu deixei passar porque eu não pude ser ativa? Não sei quem eu sou enquanto definição, só sei que isso vai me levar além, foi o Leminski que disse e não é mentira.
quinta-feira, janeiro 12, 2012
Aceito a responsabilidade de amadurecer ou ganha-se aqui, perde-se ali
Não foi a coisa mais fácil que fiz na vida, nem de longe. E não seria eu se ao falar sobre isso fosse hipócrita dizendo que foi normal. Não foi. Doeu. Sangrou a carne, me tirou o ar e todas aquelas coisas. Mas era exatamente assim que eu esperava se não fosse não seria crescimento, amadurecimento e página virada. Eu preciso crescer de um jeito ou de outro. E eu sempre escolho o jeito que doí, que sai de dentro levando tudo.
Mas eu preciso ser verdade. Preciso olhar no espelho e dizer baixinho com o coração cheio de felicidade: eu sou o melhor que posso ser, sou responsável pelas decisões da minha vida e em momento algum fui apatia, omissão e paralisia. Não aceitaria dizer esse contrário fitando os meus olhos no espelho. Tão pouco aceitaria viver esse contrário, e manter as coisas como estavam era quase isso. Claro que como toda decisão, essa teve consequências, acho que esse amor não vai saber se reinventar e ser pleno, vai se tornar com o tempo um oi, um tchau no meio do calçadão, no corredor do shopping, na fila do cinema. Porém penso que pior não seria se ele envelhecesse esperançoso, cheio de expectativas? Ninguém saberá. Só sei que eu tinha o direito de direcioná-lo como fosse confortável para mim e foi o que eu fiz.
Foi difícil fitar os olho dele, eu não vou negar que foi, não corresponder instintivamente as suas mãos como sempre fiz, puxar o assunto, me posicionar e defender o oposto ao esperado. Mas quem disse que eu sou obrigada a viver do previsível? Sei que pela lógica dos grandes romances esse foi um fim meio torto.
Quero declarar que isso não era um romance. Era uma amizade confusa, revirada, cheia de intensões,eram doses cavalares de afeto, cumplicidade era ser mais que amigo, mais que próximo era a relação bonita e cheia de efeitos românticos da nossa vida. Mas não era romance, nunca quis romance na vida.
Gosto de ler histórias que contem a vida de gente de carne e osso, e mesmo que esses personagens sejam pura ficção necessito que se assemelhem com o humano. Nunca aceitei bem príncipes destemidos que andaram quilômetros, abandonaram a boa vida, enfrentaram dragões e despertaram mulheres com um beijo. Também não levei a sério história de filme de sessão da tarde onde todos os personagens conhecem o amor da mesma forma e se alimentam de respostas prontas.
Gosto do que eu fiz com essa relação, como trabalhei o sentimento. Compartilhando a vida com ele, choro, dor, risadas,crises,carinhos e planos reais. Quais eram os planos? Resta saber quais:os meus? os dele? os nossos? Acho que essa relação foi bombardeada por queres omitidos. Essa coisa de romance de achar que o outro espera o mesmo que você, que prevê o passo seguinte, que sonha o mesmo sonho e espera da vida o mesmo. Eu prefiro quando tudo está as claras como já disse um milhão de vezes, quando doí de tão verdade que é, quando ensina, quando se ganha, quando se perde, quando cai uma lágrima vez ou outra, quando se ri gostoso até aquele ai ai inevitável.
Eu quero me recuperar desse baque. Dessa dor de perda e seguir em frente esperando dessa história alguns outros momentos de risada gostosa mesmo que por acaso numa fila de cinema qualquer.
Mas eu preciso ser verdade. Preciso olhar no espelho e dizer baixinho com o coração cheio de felicidade: eu sou o melhor que posso ser, sou responsável pelas decisões da minha vida e em momento algum fui apatia, omissão e paralisia. Não aceitaria dizer esse contrário fitando os meus olhos no espelho. Tão pouco aceitaria viver esse contrário, e manter as coisas como estavam era quase isso. Claro que como toda decisão, essa teve consequências, acho que esse amor não vai saber se reinventar e ser pleno, vai se tornar com o tempo um oi, um tchau no meio do calçadão, no corredor do shopping, na fila do cinema. Porém penso que pior não seria se ele envelhecesse esperançoso, cheio de expectativas? Ninguém saberá. Só sei que eu tinha o direito de direcioná-lo como fosse confortável para mim e foi o que eu fiz.
Foi difícil fitar os olho dele, eu não vou negar que foi, não corresponder instintivamente as suas mãos como sempre fiz, puxar o assunto, me posicionar e defender o oposto ao esperado. Mas quem disse que eu sou obrigada a viver do previsível? Sei que pela lógica dos grandes romances esse foi um fim meio torto.
Quero declarar que isso não era um romance. Era uma amizade confusa, revirada, cheia de intensões,eram doses cavalares de afeto, cumplicidade era ser mais que amigo, mais que próximo era a relação bonita e cheia de efeitos românticos da nossa vida. Mas não era romance, nunca quis romance na vida.
Gosto de ler histórias que contem a vida de gente de carne e osso, e mesmo que esses personagens sejam pura ficção necessito que se assemelhem com o humano. Nunca aceitei bem príncipes destemidos que andaram quilômetros, abandonaram a boa vida, enfrentaram dragões e despertaram mulheres com um beijo. Também não levei a sério história de filme de sessão da tarde onde todos os personagens conhecem o amor da mesma forma e se alimentam de respostas prontas.
Gosto do que eu fiz com essa relação, como trabalhei o sentimento. Compartilhando a vida com ele, choro, dor, risadas,crises,carinhos e planos reais. Quais eram os planos? Resta saber quais:os meus? os dele? os nossos? Acho que essa relação foi bombardeada por queres omitidos. Essa coisa de romance de achar que o outro espera o mesmo que você, que prevê o passo seguinte, que sonha o mesmo sonho e espera da vida o mesmo. Eu prefiro quando tudo está as claras como já disse um milhão de vezes, quando doí de tão verdade que é, quando ensina, quando se ganha, quando se perde, quando cai uma lágrima vez ou outra, quando se ri gostoso até aquele ai ai inevitável.
Eu quero me recuperar desse baque. Dessa dor de perda e seguir em frente esperando dessa história alguns outros momentos de risada gostosa mesmo que por acaso numa fila de cinema qualquer.
sexta-feira, dezembro 23, 2011
O medo de amar é o medo de ser livre* ou Para uma avenca que ainda vai partir
Não que exista algo normal entre nós, longe disso. Mas por esses dias vamos conversar e romper, você ainda não sabe, eu tenho adiado o dia, prolongado as horas e ignorado o inevitável. A gente vai ter que acabar.
O quê? Não me faça por favor perguntas difíceis. Eu também não sei exatamente o que temos. Por quê? Eu até sei sabe, mas isso é papo de horas inteiras reunidas em noite longa e nós não devemos mexer nisso. Vai ser lindo você vai ver, colocaremos um ponto final depois de umas meias verdades, algumas lágrimas e abraços, eu pretendo posicionar esse ponto atrás de uma palavra bem bonita que dê a dimensão do que estamos acabando e de como acabaremos. Mas eu ainda não sei. Estou tentando ver a situação de cima, tentando não procura desculpas ou respostas, pretendo te encontrar num lugar legal, falar de amenidades e depois de alguns silêncios começar mesmo que sem sentido com um 'não quero mais, isso que a gente é, isso que a gente tem que eu não sei definir e tão pouco explicar, não quero mais essa amizade confusa e cheia de sentimentos revirados, eu não posso mais desculpa' seguido de acabou. Esse a gente construído por sentimentos e lágrimas não vai mais existir a partir de hoje. Esse é o grande dia diz tudo, ou se preferir diz nada e só divide o teu silêncio comigo, as minhas lágrimas.
Tenho medo, estou de luto há dias, veio junto com a ideia do ponto final. Fico pensando nas coisas que a gente adora dividir, como elas vão ficar?
Não vai ser fácil porque você sabe né, foram tantas conversas, brigas, músicas, livros, filmes, noites, madrugadas, loucuras, intervalos, praias, almoços, jantares... Foi uma vida mesmo, a vida que existia quando a gente largava a vida de sempre e virava a gente. E que a gente lindo nós fomos, bonito de ver, gostoso de recordar. Mas acabou.
Porque eu preciso. porque você idem. Cortar o laço e ver como a gente funciona efetivamente separado. O amor? Redimensiona. A saudade? se aprende a viver com ela. Só sei que não dá mais para viver em prestações. Não dá pra sangrar junto, nem separado, e o pior, ver o outro sangrar. Não dá, para fingir que é sem importância, que eu não sei que muito é omissão, quando não é mentira. Sentimentos meus. Sentimentos seus. Nossos.
Pode deixar que quando a saudade bater vou cantarolar aquela música baixinho como sempre. Que o que compramos junto, vimos juntos, o que oferecemos ou recebemos do outro vira guardado, lembrança palpável, pelo menos para mim.
Claro que vai doer, que vai demorar pra digerir, engolir e parar de ruminar. A gente é muito um do outro pra simplesmente deixar de ser. Algumas coisas na vida são inexplicáveis, a gente é uma dessas coisas só isso.
Foi mesmo muito importante manter essa coisa que tivemos, que foi tão camaleônica ao longo dos anos. Aprendi muito sobre mim vendo você seguir a sua vida. Cresci nos seus palpites de como fazer melhor do que você, ri horrores da passionalidade de sempre, odeie muitos dos nossos intervalos, quis matar, quis morrer um milhão de vezes mas passou e daqui há alguns dias será lembrança. Passado gostoso de rememorar sentada balançando na rede em tarde quente. Página virada e daqui para frente livro em branco, uma nova caixa de giz, pincel e aquarela, página em branco para desenho livre, poema torto.
Tenho que tirar essa amizade que fura a carne e vive de entranhas das minhas costelas, preciso de espaço pro meu pulmão, de mais um pouquinho de ar. Preciso ver como eu existo sem você e esse elo, preciso te presentear com essa oportunidade também. Estou tentando enfrentar os meus dragões de olhos abertos, sei que vai doer muito, algo beirando o insuportável, mas é que eu quero saber como é não ter os dedos entrelaçados como os nossos. Quero um amor-amigo de caber no peito e esse não cabe mais.
Amo principalmente porque coexiste.
*Música de Beto Guedes.
O quê? Não me faça por favor perguntas difíceis. Eu também não sei exatamente o que temos. Por quê? Eu até sei sabe, mas isso é papo de horas inteiras reunidas em noite longa e nós não devemos mexer nisso. Vai ser lindo você vai ver, colocaremos um ponto final depois de umas meias verdades, algumas lágrimas e abraços, eu pretendo posicionar esse ponto atrás de uma palavra bem bonita que dê a dimensão do que estamos acabando e de como acabaremos. Mas eu ainda não sei. Estou tentando ver a situação de cima, tentando não procura desculpas ou respostas, pretendo te encontrar num lugar legal, falar de amenidades e depois de alguns silêncios começar mesmo que sem sentido com um 'não quero mais, isso que a gente é, isso que a gente tem que eu não sei definir e tão pouco explicar, não quero mais essa amizade confusa e cheia de sentimentos revirados, eu não posso mais desculpa' seguido de acabou. Esse a gente construído por sentimentos e lágrimas não vai mais existir a partir de hoje. Esse é o grande dia diz tudo, ou se preferir diz nada e só divide o teu silêncio comigo, as minhas lágrimas.
Tenho medo, estou de luto há dias, veio junto com a ideia do ponto final. Fico pensando nas coisas que a gente adora dividir, como elas vão ficar?
Não vai ser fácil porque você sabe né, foram tantas conversas, brigas, músicas, livros, filmes, noites, madrugadas, loucuras, intervalos, praias, almoços, jantares... Foi uma vida mesmo, a vida que existia quando a gente largava a vida de sempre e virava a gente. E que a gente lindo nós fomos, bonito de ver, gostoso de recordar. Mas acabou.
Porque eu preciso. porque você idem. Cortar o laço e ver como a gente funciona efetivamente separado. O amor? Redimensiona. A saudade? se aprende a viver com ela. Só sei que não dá mais para viver em prestações. Não dá pra sangrar junto, nem separado, e o pior, ver o outro sangrar. Não dá, para fingir que é sem importância, que eu não sei que muito é omissão, quando não é mentira. Sentimentos meus. Sentimentos seus. Nossos.
Pode deixar que quando a saudade bater vou cantarolar aquela música baixinho como sempre. Que o que compramos junto, vimos juntos, o que oferecemos ou recebemos do outro vira guardado, lembrança palpável, pelo menos para mim.
Claro que vai doer, que vai demorar pra digerir, engolir e parar de ruminar. A gente é muito um do outro pra simplesmente deixar de ser. Algumas coisas na vida são inexplicáveis, a gente é uma dessas coisas só isso.
Foi mesmo muito importante manter essa coisa que tivemos, que foi tão camaleônica ao longo dos anos. Aprendi muito sobre mim vendo você seguir a sua vida. Cresci nos seus palpites de como fazer melhor do que você, ri horrores da passionalidade de sempre, odeie muitos dos nossos intervalos, quis matar, quis morrer um milhão de vezes mas passou e daqui há alguns dias será lembrança. Passado gostoso de rememorar sentada balançando na rede em tarde quente. Página virada e daqui para frente livro em branco, uma nova caixa de giz, pincel e aquarela, página em branco para desenho livre, poema torto.
Tenho que tirar essa amizade que fura a carne e vive de entranhas das minhas costelas, preciso de espaço pro meu pulmão, de mais um pouquinho de ar. Preciso ver como eu existo sem você e esse elo, preciso te presentear com essa oportunidade também. Estou tentando enfrentar os meus dragões de olhos abertos, sei que vai doer muito, algo beirando o insuportável, mas é que eu quero saber como é não ter os dedos entrelaçados como os nossos. Quero um amor-amigo de caber no peito e esse não cabe mais.
Amo principalmente porque coexiste.
*Música de Beto Guedes.
quarta-feira, outubro 26, 2011
Sobre possui opinião (julgamentos)
A vida pode ser muito complicada e cheia de nuances, a minha pode ser ainda pior com ansiedades e tensões que viram dores que acabam tirando o meu mundo do eixo. Ainda assim assumo o compromisso inadiável e honestíssimo de possuir opinião, mesmo que isso de vez em quando me derrube um pouco, mesmo que eu precise várias vezes de tempos em tempos repensar tudo do zero.
Este é um compromisso que tenho com o que pretendo ser na vida e não abro mão mesmo que fure a carne.
Pensando, vivendo um desses momentos de avaliação, questionei o julgamento. Complicado tecer comentários e conclusões, mas vamos lá, tenho aversão a obrigações e ordens impostas então não levo nenhuma religião muito a sério, digo isso para avisar antecipadamente que não me baseio em nenhuma dessas visões absolutas de deus, vivo baseada no acredito que acaba sendo um misto de tudo que li e vivi até aqui. Pois bem, tenho pensado no tal livre arbítrio e nos julgamentos e na ligação entre eles, acho de verdade que ninguém pode se considerar superior a um igual, avaliá-lo e condená-lo a um castigo ou privação depois de um julgamento que nunca conseguirá apurar todas as visões do ocorrido e seu contexto, e nem quero ir por essa caminho tenso e cansativo, mas veja bem, quero argumentar sobre a responsabilidade pessoal de avaliar os acontecimentos e ter um opinião sobre o que muitas vezes acaba também servindo como um julgamento (o mesmo que opinião sobre). Interpreto a máxima (ditado popular, mandamento, seja lá o que for) 'Não julgue para não ser julgado' meio complicada de ser levada ao pé da letra, pelo seguinte, como viver num mundo sem julgamentos? Adoraria viver num sem prejulgamentos, preconceitos e falsos moralismos. Viver num mundo honesto onde as pessoas se importassem com a responsabilidade dos comentários que fazem, quero dizer com isso que alguém que critica ou concorda publicamente com alguém assume instantaneamente a responsabilidade da sua opinião-julgamento, o que leva a crer que a mesma pessoa pensou sobre isso e não o disse levianamente. Nós vivemos assim?
Com isso defendo o meu direito de ter opinião, de fazer julgamentos, de questionar se essa é minha vontade se é assim que eu me manifesto e principalmente, se eu acredito na minha capacidade de avaliar o que é do meu convívio e o que não é. Não admito é a ingenuidade coletiva do não-julgamento, do não questionamento, a obrigatoriedade do bem viver. Não quero instaurar uma guerra, quero apenas poder escolher livremente, as condutas que compartilho e as pessoas que convivo. Obviamente que respeitarei todas as pessoas não iguais a mim, mesmo que acredite estar subentendido reafirmo para evitar confusões, só me reservarei ao direito sem nenhuma culpa de construir uma opinião do outro e quando convier manter distância. E com isso não quero dizer que minha opinião-julgamento deve ser coletiva não, longe disso, fazendo uma analogia seria como um relacionamento aberto de comum acordo, onde está claro para ambas as partes que o outro é livre para pensar e fazer o que quiser desde que esse seja seu desejo mais íntimo.
É muito utópico achar que as pessoas não fazer julgamentos alheios o tempo todo, mesmo que não sejam definitivos o fazem, sem que nada venha a tona e tudo fique suspenso, não vivo nesse mundo, talvez viva num ainda mais utópico que acredita no radicalismo da opinião não ofensiva mas com certeza respeitosa e responsável. Num talvez menos hipócrita.
Este é um compromisso que tenho com o que pretendo ser na vida e não abro mão mesmo que fure a carne.
Pensando, vivendo um desses momentos de avaliação, questionei o julgamento. Complicado tecer comentários e conclusões, mas vamos lá, tenho aversão a obrigações e ordens impostas então não levo nenhuma religião muito a sério, digo isso para avisar antecipadamente que não me baseio em nenhuma dessas visões absolutas de deus, vivo baseada no acredito que acaba sendo um misto de tudo que li e vivi até aqui. Pois bem, tenho pensado no tal livre arbítrio e nos julgamentos e na ligação entre eles, acho de verdade que ninguém pode se considerar superior a um igual, avaliá-lo e condená-lo a um castigo ou privação depois de um julgamento que nunca conseguirá apurar todas as visões do ocorrido e seu contexto, e nem quero ir por essa caminho tenso e cansativo, mas veja bem, quero argumentar sobre a responsabilidade pessoal de avaliar os acontecimentos e ter um opinião sobre o que muitas vezes acaba também servindo como um julgamento (o mesmo que opinião sobre). Interpreto a máxima (ditado popular, mandamento, seja lá o que for) 'Não julgue para não ser julgado' meio complicada de ser levada ao pé da letra, pelo seguinte, como viver num mundo sem julgamentos? Adoraria viver num sem prejulgamentos, preconceitos e falsos moralismos. Viver num mundo honesto onde as pessoas se importassem com a responsabilidade dos comentários que fazem, quero dizer com isso que alguém que critica ou concorda publicamente com alguém assume instantaneamente a responsabilidade da sua opinião-julgamento, o que leva a crer que a mesma pessoa pensou sobre isso e não o disse levianamente. Nós vivemos assim?
Com isso defendo o meu direito de ter opinião, de fazer julgamentos, de questionar se essa é minha vontade se é assim que eu me manifesto e principalmente, se eu acredito na minha capacidade de avaliar o que é do meu convívio e o que não é. Não admito é a ingenuidade coletiva do não-julgamento, do não questionamento, a obrigatoriedade do bem viver. Não quero instaurar uma guerra, quero apenas poder escolher livremente, as condutas que compartilho e as pessoas que convivo. Obviamente que respeitarei todas as pessoas não iguais a mim, mesmo que acredite estar subentendido reafirmo para evitar confusões, só me reservarei ao direito sem nenhuma culpa de construir uma opinião do outro e quando convier manter distância. E com isso não quero dizer que minha opinião-julgamento deve ser coletiva não, longe disso, fazendo uma analogia seria como um relacionamento aberto de comum acordo, onde está claro para ambas as partes que o outro é livre para pensar e fazer o que quiser desde que esse seja seu desejo mais íntimo.
É muito utópico achar que as pessoas não fazer julgamentos alheios o tempo todo, mesmo que não sejam definitivos o fazem, sem que nada venha a tona e tudo fique suspenso, não vivo nesse mundo, talvez viva num ainda mais utópico que acredita no radicalismo da opinião não ofensiva mas com certeza respeitosa e responsável. Num talvez menos hipócrita.
Assinar:
Postagens (Atom)


