terça-feira, junho 07, 2011

que.

que eu ache um lugar seguro dentro de mim para passar um tempo. que a vida volte a fazer sentido. que eu não desista de defender o que sou com unhas e dentes. mesmo que agora algumas coisas estejam ainda confusas, mesmo com medo, mesmo com toda ansiedade, que eu não perca essa coragem de encarar e morder a vida, de me defender apenas com palavras e atitudes. que eu não me arrependa de ter me afastado das pessoas que eu já me afastei nessa vida. que um dia eu possa ter uma conversa bacana com meu pai, que mais madura eu aprenda e vivencie o perdão completo. que as minhas queridas boadrastas não me abandonem. que os meus irmãos sejam livres e felizes. que uma tarde na praia continue me recarregando como sempre. que o rio do povoado onde tantas vezes passei horas conversando com o Du, amigo antigo, continue sendo o meu silêncio e o meu respeito sagrado a natureza, que eu muitas vezes não compreendo, mas aceito de corpo e alma. que eu consiga respirar mais devagar. que a minha alimentação continue em progresso. que a alma continue a aprender e evoluir. que o meu avô continue sendo essa saudade gostosa de viver em dias inseguros. que as músicas sempre roubem as minhas palavras e sentimentos. que os sonhos se realizem. que eu não perca o interesse e a esperança nas pessoas. que a vida não seja totalmente doce, porque eu também gosto de salgado e/ou apimentado, mas que ela saiba a hora certa de intercalar os sabores. que as férias cheguem logo para que finalmente eu possa viajar e visitar minha irmã querida. que a casa continue lar, que o casamento continue honesto, sincero, agradável e totalmente possível. que os amigos não se afastem. que eu continue encontrando livros ainda melhores para ler, autores para conhecer e que sempre exista tempo para revisitar algumas boas histórias. que o trabalho continue agradável. que um outro tanto de coisas boas aconteçam...

segunda-feira, junho 06, 2011

Para esvaziar.

Cabeça cheia de coisas boas e más, como sempre. Chuva caindo desde que o dia amanheceu, insistente, dormi a tarde inteira para colocar as coisas em ordem. As vezes quando eu durmo eu choro o sonho inteiro. Invento um contexto triste e inseguro e choro horrores. Sou dessas pessoas que sentem com cada centímetro do corpo.
Estive um tanto despedaçada esses dias, verdades ruins que furam a carne, fiquei um tanto tonta, e confesso que nem sei se já estou tão melhor assim para falar sobre, mas estou vivendo, tentando digerir o lado bom, e o outro.
Me refugiei na comida, em comer, em cozinhar, como um amigo querido disse um outro dia na minha cozinha 'as suas fugas são bastante apetitosas'. Estou vivendo o prazer constante de cozinhar e comer, descobrir prazeres, reconhecer gostos, inventar outros. Experimentar. Num ambiente preparado para aceitar decepções. Onde se algo der errado, seja, sal demais, sal de menos, assado além do ponto, cru, cheio de pimenta e sem gosto, é só uma vertente, uma nova perspectiva, experiência para próxima. Uma tentativa controlada.
Porém na vida, e isso eu digo um tanto engasgada, algumas falhas sinceramente não caem bem. E estragam tudo.

P.S. não uso marcadores propositalmente, pois esse coisa que me enche a cabeça está praticamente relacionada a todos eles, assim como não faz parte de nenhum, se é que isso é possível.

domingo, maio 29, 2011

É só sobre o amor.

Dedicado a Dani e François.

"E se o amor não nos quiser, então azar do amor, que não soube nos amar..."*

O tempo todo o amor é pauta de algumas das minhas conversas com amigos, sim eu tenho amigos passionais. Sim, eu sou passional também. Nós queremos entender o amor, pelo menos é o que eu quero, entender de onde vem a força das teias que nos prendem neste assunto. O que não nos faz esquecer. O amor domina a gente e não o contrário.
Porque o amor toma as rédeas da vida da gente, bagunça tudo, o que era certeza deixa de ser, o certo ou errado não existe, o bom ou o mal idem. Quando se ama acredita-se! Se faz promessas. Planeja-se. Sonha-se. E um dia, um tempo depois, ou nem tanto tempo assim, no sutil do de repente, pluft! Deixa de ser. E a gente odeia o amor quando isso acontece, os planos, os sonhos, as promessas?! Pra quê? Pra quem? É uma loucura, um distanciamento do real.
O príncipe morre, o amor da vida da gente não é mais a vida da gente, e os defeitos, putz os defeitos ganham neon e evidenciam-se, e é tão ridículo ver o quanto a gente é bobo. Vergonha alheia, sofrimento honesto. Dor mesmo.
A gente cresce e depois das primeiras decepções cria casca. Se entrega menos, acredita menos, finca os pés no chão, aprende a amar os defeitos, a ser mais flexível, a falar menos ou pensar um pouco mais antes, e vive o amor manipulado. Que nunca mais vai fazer nó na garganta, nunca mais vai transformar a gente em bobo da corte, nunca mais vai ser amor.
Porque o amor manipulado é consciente, é menos dolorido, mais confortável, mas nem de longe vai ser o amor que eu sonhava sentir quando era menina. Que eu senti nas primeiras vezes, e que eu guardo ainda hoje num lugar muito especial. Acho mesmo que o amor pode ficar assim mais careta e tem seu lado positivo, mas quando ele perde o jeito sapeca de dar olé na vida da gente também perde a graça. Queria o meio termo existe?
Queria que amar não fosse tão dolorido, mas é assim mesmo. Queria não ficar tão perdida e ameaçada com ele, mas eu fico. Queria não querê-lo tanto, mas eu o quero sempre. Porque se a gente não ama, faz o que da vida? Eu não sei.
Eu tenho grandes amores, amores que eu acumulei na vida, ex namorados, marido, amigos, irmãos-de-alma, e todos eles são doloridos, doces, ansiosos, indecisos, prazer, ódio e um pouquinho de tédio. Todos eles são ricos em experiências, todos eles aquecem a minha alma, todos eles me compõem.
O amor que eu não sei explicar mas que me move todos os dias, por muitas pessoas é o que me faz humana, é o que me iguala, é o que eu não sei deixar de sentir.
Mesmo que doa. Que fure a carne. Eu sou o amor da cabeça aos pés.

*Ouvindo Mesmo quando a boca cala, Bruna Caram e Vinicius Calderoni.

quarta-feira, maio 25, 2011

Desistir as vezes é não ceder.

E mais uma vez eu não suporto a pressão de fazer parte do todo e desisto de mais um período da universidade, já escrevi sobre isso tanto que me encheu, escrevi para entender sabe? Mas não dá para entender porque eu não consigo seguir com a maré, gostar da maré, ser a maré. É dessas incapacidades humanas, eu não sei fazer parte, estar incluída, difícil... Penso diferente dos outros, falo coisas que os outros não diriam, tomo atitudes que os outros não tomariam e o melhor de tudo é honesto. Eu realmente sou isso, a marginal. Eu realmente não quero ser maré, seria onda indo e vindo o quanto for necessário, mudando de rumo, adquirindo experiências na beira da praia.
Isso é bom, doí pra cacete, mas é bom. Acho que me moldei para isso a vida inteira e não sei mais ser de outra forma. Foi estranho crescer como cresci, viver o que vivi e ficar do jeito que fiquei, pode ser só um estágio sabe, um momento que eu estou e não consigo sair (confesso que nem quero) só me cansa essa obrigação de defender meu ponto de vista para os outro, me cansam os olhares incrédulos, as piadinhas, a palavra omitida sobre a minha decisão.
Não, ninguém tem direito de dizer qual caminho devo seguir, ninguém pode me obrigar a fazer o que não quero, fazer o que eu não sou capaz. Estou crescendo agora de um jeito bem dolorido e cheio de sacrifícios e só peço aos meus poucos leitores e bons amigos que respeitem isso.
Tem tanta coisa dentro de mim que eu não entendo bem, tantos quereres inconfessáveis, tantas dúvidas, tantos caminhos. E sinceramente não tenho planos de me prender a essa questão que nunca fez muito sentido para mim da obrigação de concluir a universidade, de fazer parte do grupo.
Quero ler o que me toca a alma, quero compreender os textos que eu escolhi, quero criar grupos para discutir a literatura que gosto, não estou dizendo que isso não é ingênuo e utópico, não me dou tanto valor assim, mas é o mais honesto sobre isso que pode sair de mim nesse momento.

quinta-feira, maio 05, 2011

Porque você me deu a oportunidade de viver o novo

Passei a tarde com meu pai hoje, ele me pegou no trabalho, almoçamos juntos, ouvimos música e conversamos sobre elas, ele me mostrou canções antigas eu apresentei bandas novas a ele, conversamos também sobre conduta, princípios, religião, política, união homoafetiva, amizade, relações e casamentos. Porque a gente adora conversar, trocar histórias, dividir a vida e nessas horas finjo que esqueço (ou acabo realmente sem notar) que na verdade ele é o pai da Isadora (minha amiga-irmã-de-alma que mora na Venezuela)eu fui adotada pelo amor da família dela, pelas coisas em comum que gostamos, e pode não ser de verdade, porém eu não me imagino sem eles.
Porque na vida o que importa é amar, ser amado, e não importa que família tem mais haver com a gente se a biológica ou a afetiva, não importa o tamanho do sofrimento e das perdas paternas que eu tive não há remédio. O que importa que houve tempo e sorte para encontrar essa convivência agradável, essa família "emprestada" para aprender o que não pude, para viver o que não vivi, para amar sem medidas como nem sabia que podia. Eu amo e posso, acredite!